Copa 2018

Federação orienta jogadores russos contra narguilé e "chás exóticos"

Justin Sullivan/Getty Images
Narguiles Imagem: Justin Sullivan/Getty Images

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL

06/04/2018 04h00

A Federação Russa de Futebol lançou uma série de orientações para que seus jogadores não tenham problemas com os testes antidoping. Entre os itens a serem evitados estão o narguilé e “chás exóticos”.

O narguilé, também conhecido como “shisha”, é constituído de um frasco de vidro, uma ou mais mangueiras e um fornilho - um recipiente - coberto com uma mistura de tabaco, sabores e aromas e depois revestidos por papel alumínio.

Muito popular principalmente em países árabes, o narguilé virou moda mundo afora, inclusive no Brasil, por passar a impressão de suavizar o ator de fumar. Seus malefícios, porém, já são amplamente conhecidos: para a Organização Mundial da Saúde (OMS), fumar narguilé por cerca de 80 minutos equivale a quase 100 tragadas de cigarro.

Ou seja, não há dúvidas sobre o quão maléfica uma sessão de narguilé pode ser para a saúde de um atleta. Mas, teoricamente, seu uso só cairia na “malha fina” do antidoping se o jogador fumasse algo além do tabaco tradicional.

Parte da explicação para a extensa lista de orientações pode estar no fato de a Rússia estar no centro do maior escândalo envolvendo doping da história. Mais de mil atletas russos teriam se envolvido em um esquema de dopagem patrocinado pelo governo nas Olimpíadas de Londres 2012 e Sochi 2014.

Em entrevista recente à Folha de S.Paulo, o responsável por liderar as investigações independentes sobre o caso, Richard McLaren, disse não acreditar que o esquema possa se repetir durante a Copa do Mundo. “A Copa será disputada em diversas cidades, com distâncias muito grandes entre elas em alguns casos. Coordenar um esquema nessas condições exigiria um número muito elevado de pessoas”, disse.

Suposta festa em 2009

A referência ao narguilé pode ser apenas excesso de precaução, mas os russos têm um antecedente desagradável. Em 2009, vários jogadores da seleção foram acusados de se jogarem na balada na véspera de um jogo decisivo contra a Eslovênia.

A partida valia pelas eliminatórias da Copa do ano seguinte e, apesar da vitória por 2 a 1, os russos acabaram desclassificados por conta do gol levado em casa (o jogo de ida terminou 1 a 0 para a Eslovênia).

Na época, uma investigação conduzida por uma emissora de TV russa descobriu que os jogadores beberam em um bar de Moscou até às 4 horas da manhã. Não só beberam, porque o narguilé teve um papel importante no “escândalo”: um garçom que os atendeu disse que os jogadores fumaram tanto que ele ficou muito irritado e se recusou a continuar abastecendo os narguilés.

Então técnico da seleção local, Guus Hiddink teria ficado acordado no lobby do hotel até as 2 horas da manhã para evitar escapadas. Não adiantou, claro, porque foi só ele voltar para o quarto para os jogadores debandarem.

Capitão da seleção russa à época, o atacante Andrey Arshavin negou a festança, chamando-a de “rumores”. “Esta é um típica situação do nosso país. Se alguém me perguntasse isso na Inglaterra (ele jogava então no Arsenal), eu simplesmente chamaria essa história de lixo”, disse ao jornal russo Sport Express.

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