Copa 2018

Conheça a invasora de campo que temia um novo "Maracanazo panamenho"

Fernando Moura/Colaboração para o UOL
Elida de Mitchell Imagem: Fernando Moura/Colaboração para o UOL

Fernando Moura

Colaboração para o UOL, no Panamá

16/04/2018 04h00

A rodada decisiva das eliminatórias disputadas no dia 10 de outubro de 2017 ficou guardada na memória de milhões de pessoas em todo o planeta. Enquanto a euforia pela classificação ou pela vaga na repescagem se espalhou por nações inteiras, outras lamentaram frustrantes eliminações.

No caso da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), a principal decepção foi dos norte-americanos que assistiram atônitos a sua equipe sofrer a virada contra Trinidad e Tobago e ficar de fora da competição pela primeira vez em 32 anos, deixando a vaga no colo do Panamá, que virou a noite em festa por sua primeira participação.

A comemoração no país saiu do controle e obrigou o presidente Juan Carlos Varela a decretar feriado nacional por volta das 2h daquela madrugada inesquecível no país. Entre os eufóricos torcedores, alguns mudaram o rumo de suas vidas naquele dia, como é o caso de Elida de Mitchell, funcionária do Instituto Panamenho de Esportes (Pandeportes), com escritório dentro do Estádio Nacional Rommel Fernandez.

Nos acréscimos da partida em que os panamenhos venciam a Costa Rica por 2 a 1, com gol da virada marcado aos 43 minutos do segundo tempo, ela não pensou duas vezes, invadiu o campo e forjou um desmaio. De lá só saiu após muita insistência, ganhando valiosos minutos em um estádio em completo estado de êxtase e apreensão.

“Assistia no meu escritório, mas pensava que íamos para repescagem. Quando meu colega me contou o resultado dos EUA e que íamos direto, eu sabia que tinha que fazer alguma coisa para que não repetir 2013”, conta Mitchell, agora nacionalmente conhecida como a ‘Tia que entrou no campo’. “Pensei, vou atuar e não vou chorar”.

Fernando Moura/Colaboração para o UOL
Imagem: Fernando Moura/Colaboração para o UOL

Naquele momento todos lembravam da fatídica noite de 2013, quando os panamenhos viveram seu próprio ‘Maracanazo’. A seleção vencia os EUA em um Rommel Fernandez lotado até os 46 minutos segundo tempo, garantindo vaga à repescagem, quando a equipe sofreu dois gols relâmpagos e adiou o sonho de ir à Copa.

O apagão deixou todo o estádio em silêncio e lágrimas. “As pessoas choravam por todos os cantos, nas grades, nos corredores, nos banheiros. Muitos não queriam ir embora do estádio”, lembra Mitchell que também esteve prantos. O sonho de jogar a Copa no Brasil era ainda maior pela idolatria local à seleção brasileira.

Por isso, desta vez decidiu caminhar os poucos metros que separam seu escritório e a entrada principal do gramado, onde não teve trabalho para passar por seus colegas seguranças. “Só perguntei: vocês querem ou não ir para Copa? Então me deixem passar! Só me responderam falando que eu estava louca”, conta sorrindo.

Próxima da linha lateral, no meio do campo, ela aproveitou um escanteio costa-riquenho, entrou caminhando lentamente sem qualquer interrupção e deu um pique antes de se atirar ao chão. “Os únicos que viram eu entrando foram os jogadores do banco da Costa Rica que começaram a rir”.

Ao ser abordada pela Polícia local, apenas repetiu o bordão ‘Vamos à Copa’ para ganhar um pouco mais de tempo e garante ter saído só porque lhe avisaram que o juiz já apitaria o final da partida. Com essa atitude, ela se tornou uma das principais figuras da inédita classificação panamenha.

Após o apito final, Mitchell foi ao principal ponto de comemoração na capital, quando descobriu já ser uma estrela nacional. “Queria ver os jogadores e estar junto com a Extrema Roja (torcida organizada da seleção), mas tive que ir embora”, diz. “Todos queriam tirar fotos, abraçar, beijar. Diziam que eu salvei a seleção porque sempre sofremos as derrotas nos acréscimos”.

Outros protagonistas

Fernando Moura/Colaboração para o UOL
Imagem: Fernando Moura/Colaboração para o UOL

Apesar do protagonismo da ‘tia’, todos que puderam, fizeram algo para não deixar a bola rolar no final da partida. “Meu chefe pediu para ir à coletiva de imprensa antes do final, porque ia estar lotada”, lembra um cameraman de uma TV local. “Mas não tinha como esquecer 2013. Então fui enrolando até que uma bola veio e ficou dentro da minha maleta até o fim do jogo”, ri.

Além dele, como é praxe em campos latino-americanos, todos os gandulas não tiveram qualquer preocupação em desaparecer com as bolas. Desta vez, porém, até o jogador José González, que estava no banco, disputou corrida com um costa-riquenho e chutou a bola na arquibancada para não deixa-lo cobrar um lateral.

Apesar das críticas por supostos atos antidesportivos e da multa recebida pela Federação Panamenha de Futebol (Fepafut), naquele Rommel Fernandez em completo alvoroço nada mais importava, todos sabiam que apenas a vitória era sinônimo de felicidade e estavam determinados a saírem de lá com este sentimento.

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