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Golpes e nada de "pegação": Tinder na Rússia pode ser bem diferente

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Um dos vários sites "especializados" em mostrar perfis de garotas russas no Tinder Imagem: Reprodução

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/04/2018 04h00

Se há algo em comum entre russos e brasileiros, é o gosto pelos aplicativos de paquera. Os dois países estão virtualmente empatados na procura por esse tipo de app. De acordo com uma pesquisa divulgada ano passado pelo instituto eMarketer, eles representam cerca de 0,39% do total de downloads na Rússia, enquanto no Brasil está em torno de 0,38%.

Mas isso não significa que brasileiros e brasileiras a caminho da Copa do Mundo devem se empolgar. Antes de vislumbrar encontros marcantes e aventuras inimagináveis, é bom estar (bem) atento às diferenças culturais entre os países.

Em linhas gerais, a mais importante delas é a seguinte: o fato de os russos usarem bastante aplicativos como o Tinder não significa que eles agem da mesma maneira nos encontros. “Se a pessoa tem educação, está bem financeiramente e tem cultura, acho que não vai usar o Tinder para sexo casual”, diz a tradutora Maria Kazantseva.

Tem que sair por um mês antes de beijar

“Na Rússia, normalmente as meninas procuram marido. Desde os vinte anos, já querem uma relação séria, não importa onde procurem por isso: Tinder, balada, biblioteca”, explica a russa de 25 anos que mora no Brasil há dois anos e meio.

É claro que nem todo mundo usa o Tinder no Brasil somente para “pegação” ou sexo casual. São muitas as histórias de casais que se conheceram pelo aplicativo. Mas, para os padrões russos, o modo como usamos a ferramenta pode parecer um tanto liberal demais.

“Um namorado tem que sair com você por pelo menos um mês antes de beijar. Para mim, a liberdade sexual dos brasileiros é algo absurdo. Nossa cultura é diferente”, explica a tradutora.

João Gabriel Oliveira já esteve na Rússia três vezes. Suas impressões sobre o uso do Tinder no país vão ao encontro da realidade descrita por Maria. “Culturalmente, o russo não tem essa coisa de beijar no primeiro encontro”, diz o brasileiro.

Muito “match”. Mas...

Ele conta que é normal um brasileiro ter uma quantidade muito maior de “match” ao usar o app lá do que no Brasil. Isso está longe de significar, porém, que a coisa terminará em romance. Ou na cama. “Parece que as garotas de lá têm um interesse muito grande em falar com estrangeiros. No meu caso, eu gostava de conversar com as pessoas pelo Tinder para entender o que elas faziam da vida. Saí com uma russa apenas uma vez”, conta o economista de 33 anos.

É comum, por exemplo, russas que dão “match” no Tinder porque querem praticar um idioma estrangeiro. Aconteceu com Oliveira umas quatro vezes. Muito mais preocupante que um encontro com intenções frustradas, porém, é o risco de cair em um golpe.

“Normalmente não é nada muito agressivo. A garota marca de encontrar em um restaurante e pede a coisa mais cara do cardápio, por exemplo. Conheci um brasileiro que passou por isso”, explica o brasileiro.

Para Oliveira, brasileiros com altas expectativas devem estar cientes de que a chance de um primeiro encontro terminar em beijo ou sexo é muito baixa. “Aliás, se a garota já vier te beijando logo de cara, fique desconfiado. De novo, é uma questão cultural: na Rússia, as mulheres dificilmente tomam a iniciativa.”

O cara que caiu em dois golpes

Um golpe possível, segundo o brasileiro, é ser levado pela garota para um hotel, fazer sexo e ao final descobrir não apenas que ela quer dinheiro, mas que a coisa vai ficar feia se o pagamento não for feito porque “há caras esperando lá embaixo”.

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Brasileiros também têm "seu" site de "exemplares" do Tinder russo Imagem: Reprodução
De fato, a internet está cheia de dicas, alertas e relatos sobre golpes do tipo. Um longo relato postado no site de dicas de viagem TripAdvisor, sob o título “golpistas do Tinder – São Petersburgo”, revela as desventuras do usuário “Dave L”. Ele conseguiu cair não em um, mas em dois golpes na sequência.

No primeiro, ele teria encontrado uma “match” em um pub chamado “Serviço Secreto”. Uma vez lá, a garota insistiu para que fossem a uma sala separada, onde começou a pedir bebidas e pratos de preços claramente acima da normal. Suspeitando, inclusive, que os funcionários do bar (que estava vazio) estivessem envolvidos na armação, “Dave L” conta que, depois de muita insistência, conseguiu convencer a russa a mudar de bar.

“Ela estava relutante, e uma vez que entramos neste outro bar o comportamento dela mudou bastante. Começou a mexer sem parar no celular e amigos dela apareceram depois de uns 15 minutos. Tive um mau pressentimento e dei uma desculpa para ir embora”, escreve “Dave L”.

Para a surpresa geral dos leitores do TripAdvisor, aparentemente “Dave L” não aprendeu com a experiência e, logo em seguida, começou a conversar com outra garota pelo Tinder. Aceitou pagar o táxi para que ela o encontrasse, acabou novamente em uma balada, pagou preços excessivos pelo que ela pedia e acabou gastando 1500 dólares no cartão de crédito.

“Você devia estar realmente desesperado para transar jogando toda essa grana fora”, “a primeira garota não foi suficiente, então você convidou outra...Você pediu por isso”, foram algumas das respostas pouco solidárias que “Dave L” recebeu.

Deixe claro suas intenções

Vasculhar o que a internet tem a dizer sobre o universo da paquera virtual na Rússia pode te deixar empolgado, desmotivado ou paranoico. Há, por exemplo, até um blog em português só com fotos das supostas beldades do “catálogo” do Tinder local (chama...“O Tinder Russo”).

Já o “Russia Beyond”, site em diversas línguas que se propõe a aproximar estrangeiros da cultura do país, tem uma reportagem só sobre o assunto. Com o título “Tinder: você deve usá-lo quando viajar à Rússia?”, sugere que, ao usar o aplicativo, você deve deixar claro se “quer fazer um city tour ou ter um encontro romântico.”

Para ilustrar a importância de esclarecer a situação, a matéria conta a história de Viktoria, que teve um “match” com um italiano. O rapaz pediu que ela o acompanhasse em um museu no Kremlin, mas, chegando lá, perguntou se ele poderia beijá-la. Ouviu um não.

Já outra personagem da reportagem, Maria, conheceu um rapaz britânico que se revelou mais novo do que dizia seu perfil no Tinder. Ele carregava uma garrafa de vodca em um saco plástico. Então, Maria o levou para beber na cobertura de um edifício.

De acordo com a matéria, eles passaram a noite toda lá ouvindo música e conversando. Até que o britânico tentou beijá-la, não conseguiu e admitiu não apenas que esperava transar aquela noite, como seria sua primeira vez caso o ato fosse consumado.

“Maria disse a ele que isso (sexo) iria acontecer em breve com uma garota pela qual ele estivesse apaixonado, e o acompanhou de volta ao hostel”, termina a reportagem.

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Acredite, supostamente esta foto é de um perfil do Tinder na Rússia Imagem: Reprodução
Também é possível que, ao fuçar no Tinder russo, você se depare com fotos bem diferentes do ideal de beleza e sensualidade associado aos russos (e, principalmente, russas) por muitos ocidentais. Ano passado, diversos sites publicaram fotos que supostamente seriam de usuários do aplicativo no país.

Ao invés de poses sexys ou descoladas, o “catálogo” local teria desde fotos de garotas segurando machados até de homens deitados em banheiras imundas. Cobertos por potes de vidro vazios.

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