Copa 2018

Fã que abraçou Ronaldinho em 2006 tem vida de luxo e vê craque como amuleto

Arquivo pessoal
Sheila Soares reencontrou Ronaldinho 12 anos após abraço em Weggis Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

24/04/2018 04h00

Sheila Soares Fisler se tornou um dos personagens da Copa de 2006 mesmo sem querer. Durante a preparação para o Mundial em Weggis, na Suíça, a loira invadiu o campo, correu para abraçar Ronaldinho Gaúcho e causou um enorme burburinho. Hoje, quase 12 anos depois, ela lembra com carinho do episódio e vê o craque como "um ser de luz". Depois daquele abraço, sua vida engrenou. Ela se casou com o homem que ama e tem uma vida de luxo na Suíça.

A vida de Sheila virou uma loucura. Ela foi alçada à fama, deu entrevistas para os principais veículos do mundo, estampou capas de revistas e foi reconhecida até por um sheik no Qatar. Poucos meses depois, se casou, formou uma família e viu a vida profissional emplacar. Ela conseguiu vender uma loja de roupas para um banco, levantou um bom dinheiro e ainda comprou uma chácara no Brasil.

“Deus deu a chance, Ronaldinho deu a luz e a força de vontade foi minha. Eu reencontrei ele e falei: ‘você me deu muita sorte’. Ele falou: ‘espero que continue dando. Muita luz’. A minha vida melhorou 100%. Eu sou católica, acredito muito em Deus, em anjos. Falei: 'Você foi um anjo, passou para mim luz”.

Flávio Florido/UOL
Imagem: Flávio Florido/UOL

Hoje, Sheila construiu muito mais. É dona de um spa, enquanto o marido, o suíço Sérgio Fisler, tem uma construtora, onde ela trabalha também como decoradora. Sheila frequenta as rodas da alta sociedade da Suíça, tem uma agenda intensa de compromissos sociais e virou uma personalidade. Neste ano, será homenageada pela terceira vez em um evento para empresários brasileiros que fazem sucesso no país europeu.

Com tanto trabalho, ela não tem o menor problema de usufruir do que o dinheiro pode oferecer. Gosta de roupas de marca, posta fotos com taças de champanhe nas redes sociais e tem duas Ferraris na garagem. Sabe que caixão não tem gaveta. Mas sempre teve juízo.
“A gente está viva hoje, esse é meu lema. A gente vive o hoje. Olha o Schumacher, trilhardário e de repente... Não precisa pisar em ninguém, roubar ninguém, matar ninguém. Eu fui comprar uma marca quando já tinha dinheiro. Quando eu ganhava 2 mil, 5 mil, 10 mil francos não comprava bolsa de 800 francos. Não combina andar de ônibus com Rolex ou uma bolsa Louis Vuitton de 5 mil com um Fiat Uno. Não ostento porque eu tenho. Ostentar é quando vive uma vida que não é sua. Quando você trabalhou muito, tem que mostrar, foi com muito suor e trabalho”.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Sheila faz questão de ressaltar o quanto batalhou duro para fazer seu patrimônio desde cedo. Ela, que é de Natal-RN, chegou na Suíça em 1994 aos 19 anos sem falar uma palavra de alemão. Trabalhava como modelo fotográfica e tinha apenas o segundo grau completo e um curso de datilografia. O primeiro emprego foi como dançarina em uma casa noturna. Logo resolveu empreender e abriu um grupo de dança, com samba e dança do ventre, para eventos. Nesse tempo, trabalhou com importação de charutos do Brasil e teve um bar por três anos, no qual trabalhava 12 horas por dia.

"Muita gente acha que tudo cai do céu, mas tem que acordar cedo com neve, sem neve, tudo tem que trabalhar. As pessoas vêm com ilusão de ganhar muito dinheiro, ficar rica, as pessoas esquecem que tem que ralar muito duro. Trabalhar muito duro. A Europa não é o paraíso que se pensa".

A invasão em Weggis

Em 2006, Sheila já batalhava na Suíça e havia aberto uma loja de roupas de marcas parisienses. Um cliente lhe presenteou com uma credencial para assistir ao treino da seleção brasileira. Ela levou uma bola e tudo o que queria era um autógrafo de Ronaldinho para seu filho que havia ficado no Brasil. Da área vip, ela gritava: "Ronaldinho, sou sua fã" e pensava em como teria acesso ao jogador. Até que teve uma ideia. Jogou a bola para despistar o segurança e deu certo.

"O rapaz foi inocente pegar a bola para mim e nesse momento eu pulei. Tinha uma vala muito grande, de 1,30 m. Quando eu pulei, eu corri, mas corri tanto. O pessoal atrás de mim, ninguém me segurava. Ajoelhei na grama e escorreguei. Quando cheguei perto: ‘sou sua fã, pode me dar um autógrafo?’ Ele colocou o braço: ‘Vamos fazer bonito. Já que está aqui, vamos rolar na grama’. Caí por cima dele. Chorei de emoção, sou muito emotiva e você abraçar seu ídolo e aquela pessoa te tratar com tanto carinho".

Sheila foi puxada por um segurança, mas Ronaldinho interveio a favor da moça acenando que estava tudo bem. Ela foi tirada, mas teve uma crise e passou mal. "Aí o rapaz ficou calmo e me levaram para fora do campo. Saí morrendo de rir da vida, mas comecei a passar mal, tive uma síndrome de asma, desmaiei no braço de um segurança. Me colocaram na ambulância, eu estava com hipoglicemia. Chamaram a médica. Me deram uma Coca-Cola para eu tomar e me fizeram um sanduíche".

Sheila curtiu a fama, mas diz que nunca quis explorar os holofotes para se promover. E ainda teve problemas com pessoas que a criticaram e a chamaram de aproveitadora. "Saiu no mundo inteiro. Meu filho estava vendo isso no Brasil, no Jornal Nacional, no Fantástico. Tudo quanto é lugar saiu a parada. Teve um lado muito bom. Naqueles tempos não tinha essa coisa de blog. Eu curti, cheguei em casa e tinha TV globo, TV Zurique, RTL, da suíça, no Blik apareci 25 vezes".

O reencontro 12 anos depois

Assim como nunca esqueceu as raízes, Sheila também nunca esqueceu seu ídolo no futebol. Ao longo desses 12 anos, sempre sonhou com o reencontro para pegar um autógrafo na mesma calça que usou naquele dia em Weggis com as cores do Brasil.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

No último fim de semana, ela se viu diante da oportunidade e não deixou passar. Um amigo a avisou que Ronaldinho estaria em Genebra para lançar uma marca de energéticos e participar de um jogo beneficente. Sheila saiu de Zurique às 9h, pegou o carro, reservou o mesmo hotel na cidade e foi atrás do ídolo. Encontrou o irmão Assis:

“Eu tinha levado um presente muito bonito, uma marca de champanhe e mostrei a foto. E ele: ‘Foi você quem fez isso?’ ‘É.’ ‘Foi você quem acabou com a Copa do Mundo?’.‘Eu não. Só abracei ele. Queria muito ver seu irmão. Queria pedir essa força’. ‘Fica calma que a gente dá um jeito’, ele brincou”.

Ela foi ao jogo beneficente e voltou ao hotel para esperar o craque que ainda participava de uma série de eventos. Ronaldinho só apareceu por volta de 1h para ir a uma balada perto do hotel daquelas que só "quem tem muito dinheiro vai", segundo a fã. Sheila foi atrás. Mas Ronaldinho ficou em uma área VIP e era tanta gente pedindo fotos e autógrafos que ele não conseguia nem ir ao banheiro.

"Eram umas 3h da manhã. Saíram duas mulheres, deu uma brechinha e eu sentei no banco pertinho dele. ‘Ronaldinho, pode me dar um minuto de atenção?’. Eu estava com celular na mão, já botei no google para mostrar a foto do treino de 2006. ‘Não acredito! Foi você?! Para, foi você!’ Abracei ele, comecei a chorar: ‘você é meu ídolo’. Ele me abraçou, ele se emocionou também que eu percebi".

Sheila ainda tirou foto com os craques Cafu, Dida e Edmilson que estavam lá. E conseguiu bater papo e tomar uma cerveja com o ídolo. Conversaram sobre a vida na Europa e a violência no Brasil. Mas a missão ainda não estava completa. No dia seguinte, apareceu no café da manhã com a mesma calça que havia usado em Weggis e conseguiu seu autógrafo. Na última segunda-feira, Ronaldinho até postou fotos do encontro em suas redes sociais. Sheila ficou envaidecida: "Acho que ele realmente gostou do nosso papo", comemorou. 

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