Copa 2018

Afinal, vale a pena comprar uma TV 4K para a Copa do Mundo?

Danilo Verpa/Folhapress
Com a proximidade da Copa do Mundo, os fabricantes de TVs aproveitam para lançar novos modelos. A bola da vez é a 4K. Imagem: Danilo Verpa/Folhapress

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/05/2018 04h00

Faz tempo que é assim: a Copa do Mundo se aproxima e as fabricantes de TVs correm para promover novos modelos e tecnologias. A atração do momento é o aparelho com resolução 4K, ou “Ultra High Definition” (altíssima definição).

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Mas será que vale a pena investir na novidade agora? As pessoas estão fazendo isso? Ou é só um modismo passageiro? O UOL Esporte conversou com especialistas e empresas de tecnologia para ajudar a esclarecer as dúvidas do leitor.

Marcelo Zuffo, especialista em meios eletrônicos interativos da USP (Universidade de São Paulo), responde “na lata”. Se você o encontrasse em uma loja e perguntasse a ele se deveria ou não levar uma TV 4K, ele diria para você ir em frente. “Eu diria para comprar porque se trata de um excelente produto, com um painel que deverá durar muito”, explica o especialista.

Outro argumento levantado por Zuffo é o de que a tecnologia 4K proporciona uma melhora da imagem independente da transmissão. Ou seja, mesmo que você assista aos jogos da Copa do Mundo por uma emissora que não os transmita com tecnologia 4K, já conseguirá desfrutar de lances mais nítidos.

Nada a ver com o 3D

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Com Neymar como garoto propaganda, a brasileira Semp TCL lançou seu modelo 4K Imagem: Divulgação

“Você já tem um ganho na imagem porque algumas destas TVs vêm com processadores de imagens que as melhoram significativamente”, explica Zuffo. Sobre modismos tecnológicos, ele deixa claro que a tecnologia 4K nada tem a ver, por exemplo, com o 3D, que fez muita gente comprar TVs para provavelmente se arrepender depois.

“O 3D foi um valor agregado às TVs, (ou seja, um atrativo extra). O 4K tem a ver com a tecnologia do painel, é algo irreversível. É como você comprar um carro flex: não vai mais voltar ao de gasolina”, diz o especialista.

É claro que o consumidor provavelmente fica feliz em saber que, ao adquirir uma TV 4K, terá automaticamente uma imagem melhor à disposição. Usufruir plenamente da tecnologia durante a Copa do Mundo, entretanto, é outra história: isso dependerá das emissoras autorizadas a transmiti-la para o Brasil, no caso FOX e Rede Globo.

A tecnologia para transmissão de partidas em 4K já existe desde a Copa passada. Para a Rússia, a Fifa anunciou que, pela primeira vez, todos os 64 jogos da Copa do Mundo serão gravados em 4K e terão produção otimizada por meio da tecnologia HDR (“High Dinamic Range”). Até o fechamento desta reportagem, porém, nem FOX nem Globo confirmaram se farão transmissões em 4K.

Globo e FOX não confirmam 4K

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A Samsung lançou sua linha 4K: QLED TVs Imagem: Divulgação

Caso as emissoras de fato não utilizem a tecnologia, as alternativas (possivelmente frustrante para alguns) são esperar até a próxima Copa do Mundo ou usar aplicativos como o SporTV 4K na Rússia. Disponível até julho para alguns modelos da Samsung fabricados a partir de 2016, o app permitirá aos usuários assistirem a partidas do torneio com definição de imagem em 4K.

O descompasso entre as desenvolvedoras de tecnologia (no caso, as fabricantes de TVs) e as provedoras de conteúdo é, conta Zuffo, algo histórico neste mercado. Isso explica em parte porque, enquanto as primeiras já invadiram o mercado com aparelhos 4K, emissoras não confirmam se oferecerão a tecnologia faltando praticamente um mês para a Copa do Mundo.

Mas não é preciso jogar fora seu aparelho recém-adquirido. A tendência natural, mesmo que mais lenta que o desejável, é de uma oferta cada vez maior de conteúdo 4K. Principalmente das provedoras de streaming. Não por acaso, a única opção certa para assistir aos jogos da Copa até o momento é um aplicativo, e plataformas como a Netflix já oferecem conteúdo em 4K.

Alheio a este “delay”, os consumidores têm investido na nova tecnologia. Dados do instituto de pesquisas Gfk divulgados pela revista “Veja” mostram que a venda de TVs 4K cresceu 126% em janeiro deste ano em comparação com o mesmo período no ano passado.

Maio é o mês de ouro

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A Sony não fica atrás e lançou uam versão 4K de 100 polegadas Imagem: Divulgação

Com 12 modelos 4K no mercado brasileiro, a Samsung cresceu 144% em valor comercializado no primeiro bimestre deste ano em comparação com a mesma época de 2017. O número se refere aos aparelhos de tela grande (65 polegadas ou mais).

Com nove modelos 4K à disposição, a Sony também prevê um excelente primeiro semestre impulsionado pela Copa do Mundo. A companhia espera um crescimento nas vendas próximo a 70% em comparação com 2017.

A Semp TCL, que tem Neymar como garoto-propaganda, aposta que no mês de maio, e na primeira quinzena de junho, a Copa do Mundo entrará definitivamente como um fator decisivo para impulsionar as vendas. “O mercado de TVs em geral trabalha com a expectativa de dobrar as vendas em maio na comparação com abril”, diz Kleber Carante, diretor de vendas empresa.

Ele também pontua as diferenças entre o 3D e o 4K. “A principal diferença é que já existe oferta de conteúdo em 4K. Além disso, usufruir da tecnologia é muito mais simples. Não precisa de óculos, acessórios, basta apertar um ou dois botões”, explica o diretor.

Também com um total de nove modelos 4K à venda, a Semp TCL tem na campanha com Neymar objetivos que vão além da Copa do Mundo e do mercado brasileiro. Para Carante, a principal vantagem que um evento deste porte traz aos consumidores é a enxurrada de novidades que as fabricantes disponibilizam aproveitando o momento.

Não à toa, dados da Gfk mostram que, em anos de grandes eventos esportivos, há uma inversão e as vendas de TVs em geral são maiores no primeiro semestre: 55% contra 45% do total do ano.

Está caro? O “novidadeiro” compra

Especialista em comportamento do consumidor, Claudio Felisoni acredita que a mobilidade deve influenciar o impacto da Copa do Mundo nas vendas de TV. Afinal, hoje o fã de futebol não depende apenas do aparelho.

“No passado não era assim. Você tinha que ter uma TV para ver o jogo em casa ou no trabalho. Agora, a demanda é dividida com outros produtos como celulares, tablets e laptops”, diz Felisoni. De acordo com ele, as vendas de TVs motivadas especificamente por conta da Copa do Mundo gira historicamente em torno de 5% do total.

Felisoni, no entanto, lembra que o apelo de novas tecnologias junto ao consumidor ultrapassa os aspectos puramente racionais. “Muitas vezes, pessoas com uma forte restrição financeira têm um produto muito mais avançado que alguém mais abastado.”

Consumidores menos propensos a sucumbir às novidades logo de cara, diz Felisoni, normalmente esperam os preços diminuírem. Hoje, o preço médio dos modelos 4K está na casa dos R$ 3 mil, enquanto girava em torno de R$ 8 mil em 2014.

Mas os “novidadeiros”, ainda mais com um evento como a Copa do Mundo a caminho, não se seguram. “Essas pessoas imediatamente embarcam na novidade. Por que uma TV que hoje é barata há alguns anos custava 15 mil reais? Porque o consumidor ´novidadeiro` vai comprar, e as empresas sabem disso.”

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