Copa 2018

CBF arma operação para não deixar dúvidas sobre veto a Daniel Alves

Sandra Kelch/Kelch Photography/Divulgação
Imagem: Sandra Kelch/Kelch Photography/Divulgação

Tiago Leme

Colaboração para o UOL, em Paris (França)

12/05/2018 04h00

A contusão no joelho de Daniel Alves na última terça-feira, em um duelo aparentemente sem risco do Paris Saint-Germain pela final da Copa da França, contra o Les Herbiers, time que caiu para a quarta divisão francesa, trouxe consequências até então impensadas para a seleção brasileira. Para vetar de vez o experiente lateral que seria o capitão do Brasil em uma eventual final do Mundial da Rússia, a Confederação Brasileira de Futebol tomou todos os cuidados possíveis e armou uma verdadeira operação para evitar qualquer situação desconfortável e para demonstrar respeito ao recordista de títulos no futebol, com 38 taças.

Confira a tabela completa e o calendário de jogos
Simule os classificados e o mata-mata do Mundial
DOC: a Rússia Gay que não pode sair do armário

Para isso, médicos e dirigentes esgotaram qualquer possibilidade de o lateral direito se recuperar a tempo de disputar a Copa de 2018 na Rússia, se precavendo contra contestações. A razão prevaleceu contra qualquer pedido ou esperança, por mais emoção que isso causasse. Além disso, um telefonema de Tite, conversas olho no olho e uma reunião com conclusões médicas foram determinantes.

Aos 35 anos de idade, Daniel Alves sabia que em 2018 teria a sua última oportunidade de atuar em alto nível em um Mundial. Por isso, fez o esforço dentro de seus alcances para demonstrar a sua habilidade e experiência em gramados russos.

Sua força de vontade e perseverança chegaram a transformar um pessimismo inicial após exames clínicos em otimismo de pessoas próximas depois de uma análise no dia seguinte à lesão.

Mesmo assim, nem mesmo o seu modo “good  crazy”, estilo que ele mesmo seu autodefine e que pode ser traduzido como o “louco bom”, foi suficiente para afastar a má notícia: “a alta desinserção do ligamento cruzado anterior do joelho com entorse no póstero externo”.

A definição médica com linguagem complicada fez o médico da seleção brasileira, Rodrigo Lasmar, tentar descomplicar laudos e esclarecer a situação para o público: “Não adianta aqui eu falar em termos usuais da medicina. Desde ontem (quinta-feira), quando ficamos quase quatro horas no Centro de Treinamento do PSG conversando com ele e vendo os exames, ele foi percebendo a situação. Não sei quando ele realizou exatamente que estava fora da Copa. Mas desde ontem até hoje conversamos muito, e chegamos à conclusão que não havia a possibilidade”, explicou o médico, em entrevista nesta sexta-feira em um hotel perto do Arco do Triunfo, em Paris.

E não foi apenas a viagem de Lasmar a Paris que deixou evidente a impossibilidade de Daniel estar pronto para jogar a Copa na Rússia, que vai do dia 14 de junho a 15 de julho. O médico da seleção já estava a caminho da França para examinar Neymar (que teve uma fratura no quinto metatarso do pé direito no fim de fevereiro), mas a presença de última hora do coordenador de seleções da CBF, Edu Gaspar, ratificou o veto ao experiente lateral.

“Se o Daniel tivesse um mínimo de condições de se recuperar a tempo, nós esperaríamos. Esgotamos todas as possibilidades de levá-lo para a Copa”, disse Edu, que ficou pouco mais de 24 horas na capital francesa.

Logo depois que Daniel Alves saiu de campo machucado contra o Les Herbiers, o médico do PSG, Éric Rolland, fez exames clínicos no joelho do atleta ainda no estádio, constatou a gravidade do problema e se abalou. No dia seguinte, com o local inchado, a esperança de uma evolução e o resultado ainda preliminar do exame de imagem geraram otimismo em amigos e pessoas próximas.

No entanto, a confirmação de uma lesão mais delicada no ligamento cruzado e o diagnóstico final dos médicos da CBF e do PSG acabaram com qualquer esperança do lateral ser convocado para o que provavelmente seria a sua última Copa do Mundo da carreira.

“Logo depois que ficou definido que ele não iria para a Copa, o Tite falou com ele por telefone. Ele estava bastante chateado, passamos força, o olho dele chegou a lacrimejar, mas o Daniel é um cara muito forte. Não sei o que o Tite falou para ele exatamente, porque eu não fiquei perto na hora da conversa, mas quando saímos do Brasil, pelas notícias, o Tite já sabia que poderia ficar sem ele na Copa”, contou Edu Gaspar.

A ligação do técnico Tite foi mais uma forma de demonstrar que a comissão técnica poderia esperar a recuperação de Daniel Alves por um tempo, se ela fosse possível a tempo de ajudar a seleção brasileira em busca de seu objetivo.

No entanto, a previsão de até seis meses afastados dos gramados não deixou dúvidas. Tite teve que fazer uma mudança considerável sem seus planos na lateral direita e considerar as convocações de Danilo, Rafinha e Fagner. A lista dos 23 jogadores para a Copa do Mundo da Rússia será divulgada na próxima segunda-feira, dia 14 de maio.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está fechada

Não é possivel enviar comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Mais Copa 2018

Topo