Copa 2018

Quem é a 1ª mulher da Argentina a comentar jogos da Copa do Mundo na TV

@viviana_vila/Twitter
Viviana Vila será comentarista da Telemundo, emissora dos EUA voltada ao público hispânico Imagem: @viviana_vila/Twitter

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

23/05/2018 04h00

Pela primeira vez, a Argentina terá uma mulher comentando as partidas de uma Copa do Mundo na TV. Mas não somente para os torcedores argentinos.

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A escolhida para a tarefa é Viviana Vila. Durante o Mundial de 2018 na Rússia, a jornalista trabalhará para a Telemundo, emissora com sede nos Estados Unidas voltada para o público hispânico do país. Durante o torneio, Viviana estará em solo russo para comentar jogos e participar de debates esportivos.

A experiência de comentar futebol, porém, não é inédita para ela. Até 2016, Viviana era comentarista do Fútbol para todos, um conhecido programa exibido pela Televisión Pública Digital na Argentina. O show permaneceu na grade estatal entre 2009 e 2017, transmitindo jogos das duas primeiras divisões do país, assim como da Copa Argentina, da Copa Libertadores da América e da Copa Sul-Americana.

Demitida do programa, Viviana foi chamada pela Telemundo em outubro de 2017. Convidada para ir a Miami, apresentou-se a diretores da emissora e demonstrou seu trabalho. No fim de fevereiro, foi de novo à Flórida para comentar futebol inglês. Em março, enfim, recebeu o convite para comentar a Copa do Mundo de 2018 pelo canal.

Só então percebeu: seria a primeira mulher do jornalismo esportivo argentino a comentar uma Copa do Mundo na TV. “A verdade é que, com esse título, me encontrei depois que aceitei o desafio, quando me dei conta: ‘É verdade, não havia tido nenhuma mulher que o tenha feito’. E também me lembro que, quando me ofereceram para comentar futebol no Fútbol para todos, em meu país, tampouco havia uma mulher que comentasse futebol. Me tiraram do Fútbol para todos - já não existe mais essa forma de transmitir futebol - e não me substituíram. Na Argentina, nenhuma mulher comenta futebol. Uma picardia”, contou Viviana, em entrevista por telefone ao UOL Esporte.

A programação de Viviana inclui comentar jogos diariamente ao vivo da estrutura montada pela emissora norte-americana na Rússia. Antes de seu embarque, a jornalista se diz “muito ansiosa”.

“A Telemundo me convocou e sou muito agradecida, muito feliz, porque a Telemundo dá um passo também disruptivo com isso. Pela primeira vez, uma mulher comenta um Mundial para a comunidade que fala espanhol, como toda a que vive nos EUA. Assim, estou muito contente, muito agradecida”, diz a argentina, que também é professora da Universidad de La Plata. “Estou muito ansiosa e espero estar à altura para a tarefa para a qual fui convocada.”

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Viviana (ao centro) foi contatada pela emissora pela primeira vez em outubro; em março, veio o convite Imagem: @viviana_vila/Twitter

A importância para as mulheres (não apenas da Argentina)

Viviana vê com clareza a importância de sua posição nesta Copa do Mundo. Em um esporte ainda dominado por homens dentro e fora de campo, a jornalista sabe que sua participação é analisada com um viés diferente pelo público. Por isso mesmo, comemora a conquista de mais um espaço.

"São os homens que seguem escolhendo e julgando nosso trabalho. Lamentavelmente, nós avançamos, mas muito pouco. Estou muito agradecida, muito contente e com muita responsabilidade, com muita exigência, com muita alegria... Mas muita, muita, muita responsabilidade para mostrar que efetivamente nós, mulheres, podemos fazer esse papel. Tenho sorte de ter sido escolhida, mas seguramente há muitas mulheres que podem fazer muito bem (o trabalho) aqui ou no mundo. Não tenho dúvidas de que é assim. Temos que encontrar os caminhos - e, se não nos chamam, criar os espaços uma vez mais", afirmou.

A posição inédita de Viviana Villa chega ao mesmo tempo em que o jornalismo esportivo na TV abre novos espaços para as mulheres no Brasil. Em 2018, tanto FOX Sports quanto Esporte Interativo lançaram iniciativas para promover mulheres ao posto de narradoras. Já na ESPN Brasil, Luciana Mariano foi contratada depois de ser convidada para narrar jogos em março.

As novidades, segundo Viviana, ajudam a pagar “dívidas” do jornalismo esportivo com as mulheres – mas ainda precisam ser mais abrangentes. "Na Argentina, quando me tiraram da TV há dois anos, não voltaram a convocar uma mulher que comentasse para transmissões de futebol ao vivo. Uma picardia. Há mulheres repórteres, em programas, e é muito bom que o façam, mas no futebol ao vivo não comentam – e, é claro, nenhuma foi narradora em futebol nacional. Pode ser que alguma menina o faça em algum meio local. Creio que há uma dívida muito grande", afirmou a comentarista, indo além.

“Comemoro se no Brasil hoje existe. Comemoro cada espaço conquistado e cada possibilidade de mostrar o que podemos fazer. Temos que abrir nosso espaço a força. Vamos dando um passo. Isso tudo custa muito, claramente”, acrescentou.

Brasil x Argentina na final da Copa 2018?

E o que esperar das seleções sul-americanas que entrarão em campo na Rússia? Para Viviana, em primeiro lugar, que Argentina, Brasil, Colômbia, Peru e Uruguai passem pela fase de grupos.

“Das equipes sul-americanas que se classificaram para a Rússia, todas têm a chance de estar no mínimo nas oitavas. Assim vejo”, analisou Viviana. “Quanto a isso, não tenho dúvidas. Pelo talento, pelas individualidades, pelos treinadores também. Têm tudo para estar nas oitavas, sem dúvidas.”

Mas e depois? Quando a Copa do Mundo se afunilar, Viviana prevê o Brasil entre um dos principais candidatos a uma vaga na final, assim como argentinos e uruguaios. E sem descartar uma final sul-americana em 15 de julho, no Estádio Luzhniki, em Moscou.

“Previamente, posso dizer que o Brasil é candidato, na minha opinião, a estar na final do Mundial. Mas também a Argentina, e também tenho muita confiança no Uruguai. Mas se tiver que escolher dois para a final, são Brasil e Argentina”, palpita a comentarista da Telemundo.

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