Copa 2018

Pai, mãe, avô e bisavô: islandês leva 'tradição familiar' à Copa de 2018

KSI/Divulgação
Albert Gudmunsson é filho, neto e bisneto de jogadores da seleção da Islândia, mas será o primeiro da família a jogar uma Copa do Mundo Imagem: KSI/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

26/05/2018 04h00

Em 2018, pela primeira vez em sua história, a Islândia disputará uma Copa do Mundo. Com a equipe do técnico Heimir Hallgrímsson, estará um jogador que representa uma longa tradição local em campo: Albert Gudmunsson.

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Aos 20 anos, o atacante do PSV Eindhoven disputará sua primeira grande competição com a seleção principal masculina da Islândia. Antes deles, porém, a camisa do país já foi vestida pelos pais, por um avô e até por um bisavô.

Formado pelo KR, um dos clubes mais vitoriosos do futebol islandês, Gudmundsson chegou ao futebol holandês em 2013, aos 16 anos, para atuar nas categorias de base do Heerenveen. Duas temporadas depois, aos 18, foi contratado pelo PSV, no qual atua ainda hoje pelo lado direito do ataque.

Em seu país, Gudmundsson é visto como um jovem talento. “Ele é sempre perigoso. Pega a bola, corre, dribla um ou dois adversários”, analisa Thorsteinn Hardarson, diretor de futebol do Vikingur Ólafsvik, clube da segunda divisão local, ao site SportStar Live. “Ele tem bons chutes, é ativo e cria muitas chances”, completou.

PSV Eindhoven/Divulgação
Gudmunsson chegou à Holanda em 2013 para jogar no Heereveen; em 2015, chegou ao PSV Eindhoven Imagem: PSV Eindhoven/Divulgação

A ascensão de Gudmundsson reflete a evolução do futebol de seu país. Lanterna de seu grupo nas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2010, a Islândia ficou perto de ir à Copa de 2014, mas caiu diante da Croácia na repescagem continental. Depois disso, garantiu vagas inéditas na Eurocopa (caiu nas quartas de final da edição de 2016) e na Copa do Mundo.

A situação é bem diferente da vivida pelas seleções locais no fim do século XX. “Nunca estivemos perto de uma vaga na Eurocopa ou na Copa do Mundo. Tínhamos a personalidade e a mentalidade – esportistas islandeses normalmente têm a mentalidade correta. Mas não tínhamos muitos jogadores com grande habilidade técnica”, diz Gudmundur Benediktsson, pai de Albert Gudmundsson e jogador da seleção local entre 1994 e 2001, também ao site SportStar Live.

Hoje comentarista de TV na Islândia, Benediktsson protagonizou um momento que o tornou conhecido internacionalmente na Euro 2016. Após a vitória islandesa por 2 a 1 sobre a Inglaterra nas oitavas de final, Gummi Ben – como é conhecido – perdeu a linha nas cabines do estádio Allianz Riviera, em Nice.

“Apite! Acabou! Acabou, juiz! Acabou!”, pedia o comentarista nos momentos finais da partida. Diante do fim do jogo, celebrou. “Acabou! Acabou! Nós vamos para Paris! Nós nunca vamos para casa! Olhem, vejam! Isto é incrível! Eu não acredito! Eu não acredito no que vejo! Não me acordem! Não me acordem deste sonho! Vaiem quem vocês quiserem, Inglaterra! A Islândia vai para o Stade de France! Vocês podem ir embora, podem deixar a Europa! Podem ir para onde quiserem! Placar final: Inglaterra 1, Islândia 2”, festejava, emocionado e sem voz.

Com a Copa do Mundo, Benediktsson promete novas emoções – agora com o filho em campo. Mais do que um orgulho para o pai, Gudmunsson coroa toda a tradição familiar em campo, e pode acrescentar novos resultados à melhor geração do futebol da Islândia.

Conheça a árvore genealógica de Albert Gudmunsson no futebol:

Albert Gudmundsson: o pioneiro

MagliaRossonera.it/Reprodução
Imagem: MagliaRossonera.it/Reprodução
Nascido em 5 de outubro de 1923, Albert Gudmunsson começou a jogar futebol no fim da década de 30 no Valur, um dos principais clubes da Islândia. Em 1944, aos 20 anos, mudou-se para a Escócia para estudar administração de empresas. Morando em Glasgow, passou a defender o Rangers, tornando-se o primeiro jogador profissional da história do futebol islandês.

A passagem pelo clube foi rápida. Já em 1944, transferiu-se para o Arsenal a convite do técnico George Allison. Em Londres, porém, teve poucas chances. Assim, transferiu-se nos anos seguintes para Nancy, da França (temporada 1947/1948); Milan, da Itália (temporada 1948/1949, quando sofreu uma grave lesão no joelho); Racinc Club de Paris (de 1949 a 1952); e Nice, da França (segundo semestre de 1952). Voltou ao Valur em 1953, aposentando-se em 1958 pelo FH.

Atleta da seleção entre 1946 e 1958, Albert Gudmunsson se elegeu em 1974 para o Althingi, o parlamento islandês, como representante da capital Reykjavik. Iniciou-se ali uma carreira na política, que incluiu uma disputa presidencial (1980) e as indicações aos ministérios das Finanças e da Indústria, ambos na década de 80. Morreu em 1994, aos 70 anos.

Ingi Björn Albertsson: o artilheiro local

KSI/Reprodução
Imagem: KSI/Reprodução
Filho do primeiro Gudmunsson, Ingi Björn Albertsson nasceu em 3 de novembro de 1952 na cidade francesa de Nice – justamente durante o período no qual seu pai atuava no clube local. Atacante de ofício, começou a carreira em 1969 no Valur, mesmo clube que revelou Albert Gudmunsson.

Durante toda a década de 70, atuou pelo Valur e pela seleção islandesa. A trajetória no clube durou até 1988, quando acertou com o UMF Selfoss. Teve ainda duas passagens pelo FH, em 1981 e entre 1984 e 1986. Aposentou-se em 1990 como o segundo maior artilheiro da história da liga islandesa, marcando 126 gols – cinco a menos que Tryggvi Gudmunsson, ainda em atividade aos 43 anos.

Foi jogador-treinador do FH durante sua segunda passagem pelo clube, antes de iniciar de fato sua carreira como técnico. Durante a década de 90, treinou diversos times do futebol islandês. A exemplo do pai, também virou político – no fim da década de 80, foi eleito para o Althingi.

Kristbjörg Ingadóttir: mãe, atacante e treinadora (campeã)

Morgunbladid/Reprodução
Imagem: Morgunbladid/Reprodução
Nascida em 25 de maio de 1975 na cidade de Reykjavik, capital islandesa, Kristbjörg Helga Ingadóttir herdou da família o talento com a bola nos pés. A exemplo do pai, a atacante fez carreira em clubes do próprio país: Valur, KR e Fylkir. Jogou entre 1992 e 2004, tendo defendido a seleção feminina islandesa em quatro jogos no ano de 1996.

Foi ainda no Fylkir, equipe na qual atuou em 2004, que Kristbjörg começou sua carreira como treinadora. Foram duas passagens: de 2004 a 2006 e de 2016 a 2017. Em 2005, levou o time ao título da segunda divisão nacional feminina.

Kristbjörg tem um irmão, que também virou jogador de futebol: Albert Brynjar Ingason. Curiosamente, é o único da família que jamais foi convocado para a seleção islandesa.

Gudmundur Benediktsson: o comentarista pop

@GummiBen/Twitter
Imagem: @GummiBen/Twitter
Nascido no dia 3 de setembro de 1974 em Reykjavik, Gudmundur Benediktsson não é de uma família de jogadores. No entanto, virou jogador e fez carreira no país – entre 1990 e 2009, jogou por Thór (1990 a 1991 e 1994), KR (1995 a 1999, 2000 a 2004 e 2009) e Valur (2005 a 2008). Passou ainda por clubes da Bélgica e pela seleção local.

Desde que pendurou as chuteiras, Benediktsson começou também uma breve carreira como treinador. Entre 2010 e 2016, trabalhou como técnico e auxiliar-técnico em times do país, com pouco destaque.

Em 2016, virou comentarista da Stod2, uma TV local, na Eurocopa de 2016. E transformou-se em sensação internacional diante de sua pouca comedida comemoração na vitória da Islândia por 2 a 1 sobre a Inglaterra nas oitavas de final da competição.

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