Copa 2018

Jô lamenta ver a Copa só pela TV: "Em 5 meses, caí no esquecimento"

Sergey Dolzhenko/Efe
Jô defendeu a seleção na Copa de 2014 e "voou" em 2017; no Japão, briga pelo rebaixamento e fim do sonho de voltar a um Mundial Imagem: Sergey Dolzhenko/Efe

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

30/05/2018 04h00

De melhor jogador do Campeonato Brasileiro, campeão e cotado para defender o Brasil na Copa do Mundo para a briga contra o rebaixamento no Japão. Em um espaço de cinco meses, a vida de Jô mudou. Embora satisfeito com a tranquilidade de morar na cidade de Nagoya, o ex-atacante do Corinthians compreende que a realidade encontrada do outro lado do mundo eliminou qualquer chance de ele vestir verde-amarelo no Mundial da Rússia.

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O próprio centroavante admitiu, em entrevista exclusiva concedida ao UOL Esporte, que a decisão de ir ao Japão o afastou de Tite, ainda mais pelo retrospecto do seu time, o Nagoya Grampus, na J-League. A equipe soma apenas nove pontos em 15 jogos e ocupa a lanterna da competição nacional.

Os planos de se manter no radar da comissão técnica definharam com a campanha deste primeiro semestre - são 18 jogos e sete gols pelo time japonês. Nem o ano de 2017 especial pelo Corinthians foi suficiente para o artilheiro do Brasileirão da última temporada figurar entre os 23 de Tite, que abdicou de um centroavante com as características do ex-corintiano para a competição mais importante da seleção brasileira.

“Em cinco meses, caí no esquecimento”

"Não gosto da palavra arrependimento, é um sentimento de falar que tomou a decisão errada. Tenho certeza que tomei a decisão certa, mas não tinha como prever. Fiquei chateado e triste, porque era um dos nomes mais cogitados na época e vê como em cinco meses as coisas desandaram aqui no time japonês, com meu nome sendo praticamente esquecido. Como falei, a vida segue. Ainda sou novo e tenho 31 anos, ainda tenho muito o que dar pelo futebol.”

MAS JÔ AINDA SONHA...

"Ainda penso em seleção. Vai depender da continuação do meu trabalho. Pode ser que, assim que cheguei, esperava continuar fazendo gols e minha equipe estar bem no campeonato, mas não foi o que aconteceu e talvez por isso o esquecimento. Se as coisas voltarem a acontecer mais para a frente, a equipe estiver bem, fazendo gols, algo vai ser lembrado, voltar a ser falado e as coisas podem revirar novamente. Seleção é sempre o auge."

Adaptação até para a atravessar a rua

“Tem a faixa de pedestre, mas nem todas têm semáforo. Estávamos no centro aqui de Nagoya e tinha um sinal que estava aberto, mas não vinha carro de nenhum dos lados. Todo mundo estava parado, ninguém atravessava. Eu e minha mulher ficamos ali, vai ou não vai? A gente decidiu que só atravessaria se estivesse verde. Ficaria meio chato, pois logo veriam que eu era estrangeiro [risos].”

“Outra coisa curiosa é que a gente sai todo arrumado, dos pés à cabeça, mas chega na porta do restaurante e tem que tirar os sapatos. Aqui não adianta ter o sapato bonito, mas, sim, a meia bonita [risos].”

Em campo, não há motivos para rir

Saudades do Corinthians?

“Saudades, nós sempre sentimos. Foi um ano maravilhoso, marcou minha vida em todos os aspectos. Sempre acompanho, falo com 90% dos jogadores. Conversava bastante e ainda converso com o Fábio [Carille], uma pessoa que ainda tenho bastante contato. Tenho muito vínculo. Acompanho bastante os jogos. (...) Acordei para ver como Corinthians x Palmeiras. Nos clássicos dá para dar uma atenção maior, o coração do corintiano acelera um pouco mais.”

Volta ao Brasil? Em SP, só no Corinthians

“Não só como podem pensar, só para encerrar, eu ainda quero voltar e desfrutar um pouco mais do futebol. Meu sonho vai ser encerrar uma festa bem bacana e terminar no clube que me projetou, mas ainda voltar, ganhar mais títulos. Tenho sonho de ganhar a Libertadores com a camisa do Corinthians. Quem sabe isso possa acontecer? Vou deixar para o futuro..."

“Por mais que a gente seja profissional, quando a gente se identifica muito com um clube. O Corinthians é meu clube de coração e minhas duas passagens foram maravilhosas. Não tenho nada contra o Palmeiras, é um dos maiores rivais. Nada contra presidente, pessoas; mas é identificação. Pensando na minha parte, seria muito chato pela história que tenho no Corinthians. Minha família poderia sofrer ameaças. Tudo deve ser pensado. Palmeiras pensaria muito e talvez não aceitasse, com certeza não aceitaria por envolver família.”

“Doeu, como corintiano, a saída do Carille”

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