Copa 2018

Sem citar Fla, Guerrero agradece liberação: 'Já não há sonhos impossíveis'

ERNESTO BENAVIDES/AFP
Guerrero comemorou e fez agradecimentos por sua liberação para disputar a Copa Imagem: ERNESTO BENAVIDES/AFP

Do UOL, no Rio de Janeiro

31/05/2018 10h26

Foi com muita emoção que o atacante Paolo Guerrero comemorou a decisão do Tribunal suíço de liberá-lo para a Copa do Mundo da Rússia ao conceder o efeito suspensivo sobre a pena imposta pelo CAS (Corte Arbitral do Esporte) de 14 meses por conta de doping. Fazendo uma série de agradecimentos, ele não citou o Flamengo, seu clube, e classificou o ato como justo.

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As maiores menções foram à federação peruana, seus companheiros de seleção e ao povo de seu país, que lhe transmitiu diversas mensagens de carinho ao longo dos seis meses de suspensão que já cumpriu. Filosofando, o jogador de 34 anos destacou que “já não há sonhos impossíveis”.

“Eu me uno a minha seleção e, junto a meus companheiros, me comprometo a dar o maior dos meus esforços para dar novas e maiores alegrias ao meu país. Já não há limites. Já não há sonhos impossíveis, porque está demonstrado que quando os peruanos estão unidos, tudo é possível”.

Guerrero disputará a Copa do Mundo com o Peru e, a princípio, cumprirá em seguida o restante da pena, que é de oito meses. O Flamengo ainda não se manifestou sobre o caso e sua permanência no clube da Gávea é incerta.

Veja abaixo a íntegra do comunicado oficial de Guerrero:

“O Tribunal suíço deixou em suspenso a injusta sanção imposta contra mim e que, em consequência, havia me deixado desabilitado a integrar minha seleção e participar da Copa do Mundo da Rússia como seu capitão.

Esta decisão faz justiça, ao menos parcialmente, e me compromete a agradecer ao tribunal suíço.

Como crente que sou, agradeço em primeiro lugar a Deus, a quem eu sempre acreditei, e ao apoio invariável da minha família. Por suposto, devo assinalar que isso não seria possível sem o apoio da Federação Peruana de Futebol e em particular ao seu presidente, o senhor Edwin Oviedo, que permaneceu ao meu lado na Suíça cada um dos dias transcorridos até obter o resultado favorável.

Reuters
Confiante de que conseguiria liberação, Guerrero já vinha treinando com a seleção do Peru Imagem: Reuters

Igualmente invariável foi o apoio de cada um dos meus companheiros da seleção. Me transmitiram a força necessária para superar esse duro momento. Porém não me surpreende, pois assim é como se comporta uma família, e isso é o que nós somos. Por suposto, também deixo minha eterna gratidão ao meu país, ao milhões de compatriotas que se uniram a mim de mil maneiras diferentes com um comum denominador: o imenso carinho. E eu os convido a seguir unidos e a entender que, acima de qualquer diferente opinião, os peruanos unidos podem alcançar qualquer coisa que parece impossível.

Finalmente deixo minha gratidão ao presidente da Fifa, senhor Gianni Infantino, aos capitães de Austrália, Dinamarca e França, à FIFPRO, aos meus colegas jogadores profissionais de outras seleções e a tantas pessoas, anônimas ou não, que de uma maneira ou outra foram úteis para chegar a esse resultado. 

Minha batalha segue e dela seguirão a cargo meus advogados, a quem também agradeço. Eu me uno a minha seleção e, junto a meus companheiros, me comprometo a dar o maior dos meus esforços para dar novas e maiores alegrias ao meu país. Já não há limites. Já não há sonhos impossíveis, porque está demonstrado que quando os peruanos estão unidos, tudo é possível”. 

Entenda o caso

Guerrero testou positivo no último dia 5 de outubro para benzoilecgonina, principal metabólito da cocaína e da folha de coca, após o empate sem gols entre Peru e Argentina, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. O metabólito está na lista de substâncias proibidas.

Por isso, a Comissão Disciplinar da Fifa puniu o jogador com um ano de suspensão no dia 3 de novembro. A defesa do jogador havia entrado com recurso à Comissão de Apelações da Fifa, reduzindo a pena para seis meses, que terminou em 3 de maio.

A defesa de Guerrero alegou que o atleta bebeu um chá de coca dentro do hotel. Os advogados Bichara Neto e Pedro Fida fazem a defesa jurídica de Guerrero.

Contratado pelo atacante peruano, o bioquímico Luiz Carlos Cameron argumentou que a quantidade da substância dopante encontrada na urina do jogador não era suficiente para responsabilizá-lo por uso de droga.

O bioquímico salientou que não havia traços de coca no cabelo do jogador, o que seria mais uma evidência de que Guerrero não havia consumido cocaína. Uma funcionária do hotel de Buenos Aires prestou depoimento à CAS, via Skype, onde teria admitido a entrega de um chá com coca para Guerrero. Mas a defesa do atacante não convenceu a CAS, que aplicou suspensão por 14 meses.

Inconformado com a decisão, Guerrero  avisou que buscaria seus direitos fora do âmbito esportivo. Seus advogados apelaram ao Tribunal Federal Suíço, que liberou o atleta provisoriamente.

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