Copa 2018

'Climão' na seleção: chefe de delegação deixa time tentar suspender Neymar

Alex Livesey/Getty Images
Neymar durante Brasil x Croácia: saia-justa com presidente santista Imagem: Alex Livesey/Getty Images

Danilo Lavieri, Dassler Marques, Pedro Ivo Almeida e Ricardo Perrone

Do UOL em Liverpool e Londres

04/06/2018 04h00

Em sua primeira semana de treinos em Londres, a seleção brasileira teve José Carlos Peres, presidente do Santos, como chefe de delegação. Estar perto de Neymar e poder iniciar uma reaproximação entre jogador e clube era um atrativo especial para o cartola. Porém, cerca de 15 dias antes de ter tal oportunidade, o dirigente autorizou o Santos a recorrer de uma decisão da Fifa para tentar suspender o atacante por seis meses. Na ocasião, Peres já tinha sido convidado para acompanhar a equipe de Tite na Inglaterra.

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O “climão” nos primeiros dias era evidente. E foi confirmado à reportagem por pessoas próximas dos dois lados. Neymar e Peres tiveram um contato inicial frio. Com o passar da semana, até mesmo o preparador físico do atleta, Ricardo Rosa, que já trabalhou no Santos, ajudou a “quebrar o gelo”.

Além de Neymar Jr., Peres encontrou com o pai do craque em Liverpool, no treino em Anfield realizado no último sábado (2). Novamente um clima de incômodo no ar. Mas o cartola procurou deixar claro que não teria nada contra as pessoas e apenas defenderia o direito do clube de cobrar uma multa ao Barcelona. Ainda relatou uma questão de prazos para manter a busca pelo dinheiro.

Durante a gestão de Modesto Roma Júnior, em 2015, o Santos entrou com ação na federação internacional pedindo a suspensão de Neymar, além de sanções contra o pai dele e o Barcelona. A alegação é de que o jogador agiu de má-fé em sua transferência para o time espanhol e violou artigos do estatuto da entidade máxima do futebol. O alvinegro pediu ainda multa de aproximadamente 55 milhões de euros (cerca de R$ 239,7 milhões) para o atleta. Mas a Fifa rejeitou o pedido santista.

Então, já com Peres no comando, o clube entrou com um recurso na CAS (Corte Arbitral do Esporte) para reverter a decisão e punir o astro da seleção. A insistência santista em tentar suspender Neymar causou estranheza na equipe que cuida do camisa 10 do selecionado de Tite. Isso porque, no início de seu mandato, Peres convidou um membro do estafe do jogador para ir a seu gabinete. O objetivo era tentar retomar a relação entre as partes.

Na ocasião, o cartola ouviu que para isso seria necessária uma retratação pública do clube em relação a Neymar e, consequentemente, o fim da briga nos tribunais. 

Ivan Storti/Santos FC
José Carlos Peres, presidente santista, é chefe da delegação brasileira na Europa Imagem: Ivan Storti/Santos FC

O pedido público de desculpas não aconteceu, e ao menos parte do estafe do atleta se incomodou com Peres chefiando a delegação da seleção. O raciocínio é de que, por ter autorizado o Santos a entrar com recurso para tentar a suspensão, Peres quer ver o principal jogador do Brasil fora da Copa do Mundo. Assim, sua presença na delegação seria contraditória.

No entanto, a reportagem apurou que o discurso do dirigente é o de que ele nunca quis tirar o atacante do Mundial. A alegação é de que o cartola só entrou com o recurso para não perder o prazo estipulado. Se isso acontecesse, atrapalharia a tentativa do Santos de receber quantia milionária do Barcelona alegando irregularidades na operação que colocou o atleta na Espanha.

Peres trocou de advogados no caso e encomendou um parecer jurídico para saber se é viável retirar o jogador da ação e seguir com o processo apenas contra o Barcelona. Se obtiver sinal verde de sua assessoria jurídica, ele pretende levar o caso ao Conselho Deliberativo do Santos.

A avaliação da diretoria do clube é a de que o atrito com Neymar pega mal até diante de candidatos a patrocinar o alvinegro. Já a proximidade com ele poderia atrair empresas. Apesar do recurso, Peres deixa a Inglaterra (ele deve reassumir a presidência na próxima terça) otimista sobre reconstruir a relação com Neymar. 

O sentimento é de que, depois de um início difícil, a convivência com o jogador na Europa melhorou. O "climão", pelo menos na análise do dirigente, acabou graças a ajuda de amigos em comum.

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