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Água batizada e 'veneno' a Passarella: qual o limite da Argentina em Copas?

Allsport UK/Allsport/Getty Images
Na Copa de 1990, Branco bebeu água contaminada durante jogo Brasil x Argentina; melhor para os argentinos Imagem: Allsport UK/Allsport/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

06/06/2018 04h00

O uso de substâncias proibidas desencadeou diversos episódios controversos na história do futebol argentino, inclusive nas Copas do Mundo.

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Além do doping que tirou Maradona do torneio em 1994, houve casos mais obscuros, que acabaram impunes – Verón, em 1998, e Lavezzi, em 2014, teriam sido flagrados em exames de surpresa antes do Mundial.

Mais inusitadas ainda são as histórias que envolvem o uso proposital de substâncias dopantes pela comissão técnica da seleção azul e branca.

Num intervalo de apenas quatro anos, sob o comando do técnico Carlos Bilardo, esse expediente foi usado duas vezes – uma contra um adversário, o brasileiro Branco, e outra para tirar de combate um integrante da própria seleção argentina.

Esses casos são relatados no livro "Copa Loca - As inacreditáveis histórias da Argentina nos Mundiais" (Garoa Livros, 216 páginas, R$ 49,90), dos jornalistas Tales Torraga, do blog Patadas y Gambetas, do UOL, Giancarlo Lepiani e Celso de Campos Jr.

A seguir, os trechos da obra que abordam essas duas passagens mais do que malucas:

O veneno de Bilardo (México 1986)

Às vésperas do primeiro jogo, Daniel Passarella foi assolado por uma enterocolite, inflamação do intestino delgado e do cólon que provoca cólicas, vômitos, mal-estar e uma violentíssima diarreia.

À primeira vista, parecia se tratar de um típico caso do que os mexicanos chamam de “vingança de Montezuma”, o explosivo desarranjo intestinal sofrido por muitos visitantes que decidem provar os tacos, as enchiladas e as carnitas oferecidas pelos ambulantes da capital.

Mas como explicar o fato de que Passarella fora o único afetado pela intoxicação alimentar dentro da concentração toda? A suspeita recaía sobre ninguém menos que Carlos Bilardo.

Conforme essa versão, em que boa parte do país acredita piamente até hoje, o técnico, com o aval do novo capitão Diego Maradona, decidiu simplesmente envenenar o Kaiser para tirá-lo de combate. Passadas mais de três décadas do ocorrido, a desconfiança em torno do papel do técnico jamais foi dissipada.

Pato Fillol, velho companheiro do Kaiser, diz não ter dúvidas do que aconteceu. “Bilardo lhe deu um purgante e quase o matou. Onde estava Passarella durante o Mundial? Internado com uma diarreia infernal. Sou um dos poucos que contam isso.”

A trapaça de Turim (Itália 1990)

Branco era o encarregado de cobrar as faltas para o Brasil, e fazia calor em Turim. “Estava uns 40 graus”, relembrou Maradona em 2004. Aos 39 min da etapa inicial, uma falta de Ricardo Rocha sobre Troglio deixou o argentino no piso.

Entraram então os auxiliares com várias garrafas de água em recipientes de cores diferentes. E Branco, rodeado de argentinos, bebeu um pouco de uma garrafa verde, com o logotipo da marca de isotônicos Gatorade. Todos os argentinos tomaram água de garrafas transparentes.

“Vascooo, desse não, desse não, do outro!”, gritou Maradona a Olarticoechea. Foi esse chamado que alertou o grupo: nem todos sabiam o que estava acontecendo. O próprio Diego detalhou tudo: “Eu dizia, beba, beba, Valdito... E depois veio Branco, que tomou toda a água. Justamente o Branco, que batia as faltas e caía”, contou, gargalhando.

“Depois do jogo, estavam os dois ônibus juntos, e Branco me olhava pela janela e me apontava o dedo, me culpando, e eu respondia com gestos de que não tinha nada que ver com aquilo. Branco jogava na Itália e tínhamos boa relação. Depois disso não conversamos mais.”

Maradona revelou inclusive qual foi a substância usada para drogar o brasileiro. “Alguém picou Rohypnol na água e complicou tudo”, ria, citando o tranquilizante de uso psiquiátrico.

O assunto dá o que falar até hoje. Os argentinos se referem ao episódio como o bidón de Branco – algo como o “galão de Branco”. Muitos ironizam o brasileiro por cair na armadilha. “Não se pode tomar água do time adversário, não se pode. Tome a sua, idiota, não a nossa... Que água você acha que vamos dar a um brasileiro?”, provocou, às gargalhadas, Oscar Ruggeri, numa entrevista em 2017.

O "Copa Loca" já pode ser comprado no endereço www.garoalivros.com.br. O lançamento oficial acontece nesta quinta-feira, 7 de junho, a partir das 19h, no restaurante Che Bárbaro (rua Harmonia, 277, Vila Madalena, São Paulo).

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