Copa 2018

Revelação de R$ 300 mi causou queda de técnico que levou Sérvia à Copa

Chung Sung-Jun/Getty Images
Sergej Milinkovic-Savic, da Sérvia, disputa bola com Kwon Chang-Hoon, da Coreia do Sul em amistoso em 14 de novembro de 2017 Imagem: Chung Sung-Jun/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

12/06/2018 04h00

Quando você classifica sua seleção para a Copa do Mundo, depois de o país ter ficado fora da edição passada, o que esperar? Confraternização com os amigos, manchetes positivas e alguns dias de folga até voltar ao trabalho e preparar a equipe para a próxima grande empreitada?

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Se esse era o plano do técnico Slavoljub Muslin, 64, com a Sérvia, adversário do Brasil na primeira fase da Rússia-2018, tudo mudou rapidamente. Apenas 21 dias após classificar a equipe balcânica, Muslin foi avisado de sua demissão.

Embora o grande objetivo da federação tivesse sido cumprido, não foi do modo que os cartolas locais (e boa parte da opinião pública) esperavam. A chiadeira se concentrava na rigidez das convocações, sobretudo pelos obstáculos impostos a algumas revelações do país. Mais especificamente o volante Sergej Milinkovic-Savic, de 23 anos, da Lazio.

O jogador de 1,91m de altura desperta o interesse de gigantes clubes europeus, como Liverpool, Manchester United, Juventus e PSG. De acordo com o tabloide “The Sun”, da Inglaterra, a Lazio já teria aceito uma proposta do United. A diretoria do clube italiano nega e diz esperar uma oferta de cerca de R$ 300 milhões. No mínimo. Pois esse hipervalorizado jogador havia sido escanteado da seleção por Muslin.

MARCO BERTORELLO/AFP
Imagem: MARCO BERTORELLO/AFP
Mladen Krstajic, ex-zagueiro e auxiliar de Muslin, substituiu o veterano, aos 44 anos. Em suas primeiras duas convocações, adivinhe? Krstajic obviamente incluiu o promissor meio-campista. Não só isso: também o escalou como titular nos dois primeiros amistosos, duas semanas depois de ganhar o cargo, contra China (vitória por 2 a 0) e Coreia do Sul (empate por 1 a 1), no final do ano passado. Milinkovic-Savic também foi chamado para enfrentar Marrocos e Nigéria em março, mas foi desfalque devido a uma contusão.

Para constar: não era que o jogador fosse completamente ignorado pelo técnico anterior. Em uma gira de três amistosos em maio de 2016, contra Chipre, Israel e Rússia, Muslin até o chamou. Mas não o deu nenhum minuto de jogo nas duas primeiras partidas. Antes do terceiro jogo, o volante pediu dispensa da seleção. Prontamente aceita.

Na reta de preparação para a Copa, Milinkovic-Savic atuou um tempo da derrota por 1 a 0 para o Chile, no último dia 4. No último sábado (9), jogou 63 minutos na goleada por 5 a 1 sobre a seleção boliviana. No Mundial, ele deve ser usado a depender do estilo de meio-campo que o técnico Krstajic quiser montar.

Família em jogo

O jovem volante ostenta físico privilegiado, para o qual a herança genética parece ter contribuído. Seu pai, Nikola, foi um atacante de longa carreira, rodando por clubes menores da Europa: quando Sergej nasceu, a família estava em Lleida, na Espanha. A federação sérvia temia, por isso, que ele optasse por defender a seleção espanhola. Já a mãe, Milana, foi jogadora de basquete. Por fim, seu irmão Vanja, 21, 2,02m de altura, é goleiro do Torino.

"Não sei dizer se o esporte está no nosso gene, mas é justo dizer que estou envolvido com esse ambiente competitivo desde muito jovem”, disse em entrevista ao site da Fifa em 2015, quando foi campeão mundial sub-20, na Nova Zelândia. Derrotando a seleção brasileira de Gabriel Jesus na final.

Não surpreende, então, que o sérvio seja figura marcante em disputas de bola aérea e que também aproveite o corpanzil para levar a melhor em dividas. Ganhou, por isso, o apelido de "sargento" em Roma. Na hora de atacar, tem habilidade para carregar a bola e finalizar de fora da área, ao passo que sua qualidade na distribuição vai evoluindo temporada após temporada desde que chegou à capital italiana em 2015.

Segundo a concepção tática de Muslin, porém, com um meio-campo que pedia dois jogadores muito combativos tanto pelo centro como pelas extremidades, o badalado Milinkovic-Savic não tinha espaço. Era mais um caso de treinador que exigia a adaptação de seus atletas ao esquema, em vez de se adequar ao talento disponível. Além do mais, também priorizava a listagem de veteranos para um torneio curto como a Copa. A cúpula da federação discordou.

A Sérvia garantiu sua classificação para o Mundial na última rodada do Grupo D, com uma suada vitória por 1 a 0 sobre a Geórgia, em Belgrado. Terminou com dois pontos a mais que a Irlanda, vice-líder, e quatro a mais que País de Gales, o terceiro. Fez 20 gols e levou 10. Não foi o suficiente para convencer os cartolas sobre sua estratégia.

É com essa pressão que o substituto Krstajic vai ter de lidar na hora de armar a Sérvia para a Copa. A seleção balcânica vai encerrar a primeira fase contra o Brasil, pelo Grupo E, em Moscou, dia 27 de junho. Obviamente que, num torneio desses, a prioridade é vencer a qualquer custo, não importando a idade de quem esteja em campo. Mas seria prudente que ele desse uma boa olhada em Milinkovic-Savic. Assim como muita gente já faz no mercado europeu.

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