Copa 2018

Geração de ouro tem "última chance" de dar título a Messi e espantar sombra

Juan Mabromata/AFP
Messi e os companheiros chegam à Rússia com três finais recentes perdidas. É a última chance do craque no "auge" em Copas Imagem: Juan Mabromata/AFP

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

13/06/2018 00h16Atualizada em 15/06/2018 21h56

Era 27 de junho de 2016 quando uma bomba explodiu na Argentina. Lionel Messi, o melhor jogador do mundo, a maior referência argentina depois da aposentadoria de Diego Maradona, abandonava a seleção de maneira definitiva. As frustrações por três derrotas em finais pesaram mais do que o desejo de vestir a camisa alviceleste. A marca do fracasso era demais para o camisa 10. O futebol, no entanto, permite reviravoltas, e o craque mais do que ninguém sabe disso. Tanto que, com a aposentadoria revista quase dois anos depois, o capitão e líder tem uma nova chance (talvez a última): espantar a sombra do fracasso com a seleção na Rússia.

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Lionel Messi desembarca para a sua quarta Copa do Mundo como a grande estrela e líder de uma geração extremamente vitoriosa na base, mas que acumulou insucessos no profissional. Por chegar “no quase” em três oportunidades somente no último ciclo de Mundial, partindo da própria decisão no Maracanã em 2014, a imagem dos 25 anos de jejum recai sobre Messi, alguém que ganhou tudo com a camisa do Barcelona, a um oceano de Buenos Aires. Esta distância, aliás, pesa contra o próprio craque.

Na Copa de 2018, os desafios contra Islândia (16 de junho), Croácia (21) e Nigéria (26) no grupo D podem significar os últimos momentos do genial jogador com a camisa que um dia pertenceu a Diego Maradona, a 10. O primeiro compromisso, marcado para este sábado, a partir das 10h (de Brasília), é contra os islandeses, estreantes em Copa do Mundo e que vivem um momento totalmente contrário ao argentino

Pequeno país localizado no norte do Oceano Atlântico, a Islândia vem surpreendendo desde 2016, quando caiu somente nas quartas de final da Eurocopa. Pela primeira vez em um Mundial, os islandeses prometem que não vão se intimidar diante de Messi e companhia. "Trabalhamos muito duro, a nossa participação na Eurocopa mostra isso. Os resultados dos últimos quatro anos mostram o nosso crescimento e regularidade", disse o técnico Heimir Hallgrímsson.

Shaun Botterill/Fifa/Getty Images
Messi com a medalha de prata na Copa do Mundo de 2014; são mais dois vices desde então Imagem: Shaun Botterill/Fifa/Getty Images

O futuro de Messi pela Argentina passa pela estreia e só depende de como a seleção vai “terminar a Copa”, como disse o próprio craque ao jornal catalão Sport. É inegável o ainda sentimento de fracasso para um elenco talentoso e acostumado a vencer com os clubes; ainda mais para o atacante.

Os segundos lugares na Copa do Mundo de 2014 e Copas Américas (2015 e 2016) ainda surgem como pesadelo. “Não é para mim. Eu tentei, era o que eu mais desejava, e não deu”, disse 'Leo' depois de cair pela segunda vez em uma decisão continental para o Chile.

Esta mudança de panorama - das constantes vitórias na base para as derrotas em decisões (Messi ainda é vice na Copa América de 2007) - frustra o grande nome argentino. Para cumprir a missão na Rússia, Messi ainda conta com companheiros como Sergio Agüero, Éver Banega e Ángel Di Maria, nomes que também alcançaram a glória enquanto jovens e compartilham o estigma de "vices" com a camisa azul e celeste.

Toda uma expectativa para a Argentina voltar ao topo com o surgimento de jovens vencedores a nível mundial se transformou em trauma. Mesmo sem conquistas desde a Copa América de 1993, o peso de um título recai sobre Messi; o melhor do mundo cinco vezes e alçado ao posto de um dos maiores da história tem a ciência de que, na Rússia, deve ter a última chance (pelo menos no auge técnico e físico) para guiar o país, enfim, às glórias de Maradona, Kempes e companhia.

Em 2018, Sampaoli respalda vencedores

A Argentina conquistou quatro títulos de expressão para o futebol de base, e parte dos vencedores de uma geração inteira está concentrado na cidade de Bronnitsy sob as ordens de Jorge Sampaoli para o Mundial da Rússia. Dos 23 convocados, nove levantaram pelo menos uma taça importante antes do profissionalismo. Uma base que se sustenta por mais de uma década e criou uma “casca” inédita pelas derrotas em finais para Alemanha (Copa do Mundo) e Chile (Copas Américas de 2015 e 2016).

A trajetória de glória iniciou-se em 2004 com Willy Caballero, candidato ao posto de goleiro titular na estreia contra os islandeses, e Javier Mascherano, campeões olímpicos em Atenas. Caballero, aliás, também esteve no elenco que venceu o Mundial Sub-20 em 2001.

Um ano depois do ouro na Grécia, Lionel Messi, Sergio Agüero e Lucas Biglia conquistaram o Mundial Sub-20, com grandes atuações do até então jovem valor do Barcelona e hoje maior nome da seleção.

Dois anos depois de Messi guiar o time sub-20 ao título mundial, a Argentina se sustentou no topo. Desta vez, com Agüero como protagonista e artilheiro, Ángel Di Maria, Federico Fazio, Éver Banega e Gabriel Mercado participaram do bicampeonato da categoria, em torneio disputado no Canadá. 

Koji Watanabe/Getty Images
Companheiros de quarto na Rússia, Messi e Aguero ganharam juntos o ouro nos Jogos de Pequim Imagem: Koji Watanabe/Getty Images

Estes nomes se acostumaram a ganhar. Em 2008, já como protagonistas e renomados no cenário mundial, Agüero, Mascherano (de novo) e Messi contaram com as companhias de Banega, Fazio e Di Maria nos Jogos Olímpicos de Pequim. O sexteto repetiu o desempenho da Grécia e subiu ao lugar mais alto na China – com direito a uma exibição de gala na vitória mais marcante da campanha (3 a 0) contra o arquirrival Brasil, de Marcelo, Thiago Silva e Ronaldinho.

O caráter de última chance não se restringe a Messi. Sete dos oito atletas vencedores na base, conta-se o craque do Barça, se encontram na faixa dos 30 anos; Banega, a única exceção até a estreia na Rússia, completará três décadas de vida no dia 29 de junho, véspera do início das oitavas de final.

Desconfiança, crise e desorganização

Tudo joga contra a Geração de Ouro na última oportunidade de título. A Argentina chega na Rússia sob desconfiança por um acúmulo de fatores: campanha conturbada nas eliminatórias, resultados vexatórios em amistosos recentes sob o comando de Jorge Sampaoli e uma desorganização que alterou todo o ciclo de preparação iniciado com a derrota para os alemães no Rio de Janeiro.

Gabriel Rossi/Getty Images
Na Rússia, Sampaoli (ao fundo) conversa com Ricardo Tapia, presidente da AFA Imagem: Gabriel Rossi/Getty Images

A classificação ao torneio mais importante do futebol mundial veio somente na última rodada, e graças a Lionel Messi. A seleção bicampeã se viu fora da Copa, mas contou com três gols do camisa 10 contra o Equador, em plena altitude de Quito, para vencer por 3 a 1 e carimbar o passaporte.

A vaga não amenizou o clima de desconfiança sob o trabalho de Jorge Sampaoli, que assumiu o time somente em maio de 2017. Os resultados recentes também não ajudam o treinador, um dos responsáveis por impor a fama de derrota a esta seleção ao comandar o Chile nas duas conquistas de Copa América.

Sampaoli, aliás, é o terceiro treinador da Argentina desde o vice-campeonato mundial em 2014. Gerardo Martino saiu depois das duas derrotas para o Chile em decisões de Copa América, enquanto Edgardo Bauza acumulou resultados ruins durante as eliminatórias sul-americanas.

Enquanto treinadores acumulam anos de trabalho – até Tite chega ao Mundial com com dois anos de seleção -, Sampaoli assumiu a responsabilidade de dirigir Messi e companhia com pouco tempo para impor suas ideias; pelo contrário, a curta trajetória serviu apenas para aumentar a pressão; na Rússia, o treinador ainda perdeu dois titulares cortados por lesão (o goleiro Sergio Romero e o meia Manuel Lanzini).

Para completar esse cenário complicado, a Argentina encontrou um novo trauma no último mês de março. A humilhante queda por 6 a 1 para a Espanha em jogo amistoso gerou uma crise imediata às vésperas da Copa.

Não houve chance para qualquer reviravolta. Desde então, a Argentina encarou um inexpressivo Haiti (4 a 0) na despedida da torcida em La Bombonera e viu ser cancelado um amistoso com Israel por motivos políticos. O próprio ambiente não ajuda Messi e companhia. Uma desorganização que surge como ainda mais um obstáculo, além do trauma e da sombra de geração “fracassada”.

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