Copa 2018

Geração do 7 a 1 recusou 94 como remédio e se inspira no time de 82

Rafael Ribeiro/CBF
Neymar conversa com Dunga na chegada da seleção brasileira à Viamão (RS) Imagem: Rafael Ribeiro/CBF

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo, Ricardo Perrone

Do UOL, em Sochi (Rússia)

13/06/2018 04h00

A seleção brasileira responsável por tentar cicatrizar a ferida do 7 a 1 para a Alemanha, involuntariamente, esbarra numa eterna polêmica do futebol nacional. Afinal, é mais digno perder uma Copa do Mundo dando espetáculo, como em 1982, ou vencer jogando “feio” como em 1994? Às vésperas do início da competição na Rússia, duas das seleções mais emblemáticas da história do país disputam influência sobre Neymar e companhia. 

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Depois da humilhante derrota em 2014, a CBF apostou em Dunga, o maior símbolo da seleção famosa por ser campeã mundial sem encantar. Gilmar Rinaldi, um dos goleiros campeões nos Estados Unidos, chegou para ser o coordenador da seleção. Com o discurso patriótico e a cobrança de compromisso extremo com a "amarelinha", a dupla tentava reaver o orgulho perdido, repetindo uma fórmula que deu certo entre 1990 e 1994 e terminou no tetra. 

"Copa do Mundo não se joga, se ganha", diz Gilmar Rinaldi ao UOL Esporte, voltando a uma variação do discurso tantas vezes repetido por sua geração. Com o peso de uma longa fila de títulos, Dunga foi assombrado pela imagem da seleção de 1982, popular e relembrada com carinho mesmo sem títulos. Ao longo de sua carreira de técnico e jogador, sempre que pôde, o capitão do tetra defendeu a sua visão de mundo e o futebol tachado como "de resultados". 

Com Neymar e companhia, o discurso não colou. A equipe não rendeu em campo e foi assombrada por problemas de relacionamento entre jogadores e treinador. O estilo "nós contra todos" não serviu para medicar a geração que acabou sendo herdada por Tite. Entre os remanescentes, estão Thiago Silva e Marcelo, que entraram em rota de colisão com Dunga.

Tite exalta 1982 e rompe filosofia dunguista 

Tite está do outro lado desse duelo e, sempre que pode, diz se inspirar na seleção eliminada pela Itália na Copa de 1982. Comandada por Telê Santana, ela é lembrada no planeta inteiro como o esquadrão com um dos mais bonitos estilos de jogo num Mundial. O treinador gosta especialmente de citar os laterais (Leandro e Júnior) e os meio-campistas habilidosos e ofensivos do time de Telê (Falcão, Toninho Cerezo, Sócrates e Zico) como referências.

Ao mesmo tempo em que passou a buscar essas características para seu time, Tite sepultou o clima bélico com a imprensa, corriqueiro nas passagens de Dunga pela seleção como treinador e capitão do tetra. Ele também humanizou a relação com os atletas a ponto de colocar entre as suas prioridades para a Copa o conforto das famílias deles na Rússia.

Como técnico, em 2010, Dunga praticamente trancafiou os atletas na concentração na África do Sul. Numa das raras folgas, pediu que os jogadores não conversassem com a imprensa. Ali, a tentativa também não garantiu a Copa do Mundo, mas ao menos o elenco parecia topar a proposta, cenário bem diferente do que o ex-volante encontraria em sua segunda passagem como técnico. Tite, ao contrário, tem dado total liberdade para seus comandados nos dias livres. Ele até incentiva que todos tratem de assuntos particulares nesses momentos, incluindo transferências.

Em campo, a ofensividade do lateral Marcelo e do meio para frente, com Paulinho tendo liberdade para avançar, Philippe Coutinho, Neymar e Willian, podem ser consideradas as ligações com a mítica seleção de 1982.

“Acho injusto comparar individualmente os jogadores dessa seleção [atual] com a nossa [de 82], mas, em alguns momentos, o time do Tite tem um toque de bola parecido com o nosso”, disse o ex-lateral e agora comentarista Júnior, titular de Telê pelo lado esquerdo. Para ele, a seleção de 1982 resgatou a autoestima do torcedor brasileiro mesmo sem levantar a taça. Por isso se eternizou.

Na opinião de Toninho Cerezo, também titular no Mundial da Espanha, a seleção de Tite chega a demonstrar um equilíbrio entre a ofensividade daquela equipe e a eficiência defensiva, característica marcante dos campeões de 1994. “O Tite busca o jogo, o gol, como a gente buscava. Mas a equipe dele também busca a compactação para se proteger”, declarou o ex-atleta, que atualmente também atua como comentarista.

Quase sempre que o time de Telê é festejado, alguém da geração de Dunga reclama pelos campeões de 1994. “Não falo em injustiça. Existem muitos que dão importância à parte tática e falam da seleção da Copa de 94. Se você analisar, faltou organização tática sem a bola para aquele time fantástico de 1982”, disse Zinho, ex-meia campeão nos Estados Unidos e hoje comentarista.

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