Copa 2018

Brasileiros 'empreendedores' vendem muamba na Praça Vermelha por ida à Copa

Marcus Mesquita/UOL
Brasileiros vendem camisas da seleção brasileira na Praça Vermelha Imagem: Marcus Mesquita/UOL

Luiza Oliveira

Do UOL, em Moscou

14/06/2018 04h00

“Atenção, camisa do Neymar são 2 mil rublos. Tá acabando!” De longe, ouve-se um grito em português com o anúncio inusitado. Basta esticar a cabeça sobre o montinho de gente para ver que dois bancos improvisados nos arredores da Praça Vermelha, um dos principais pontos turísticos de Moscou, mais parecem uma barraquinha da Rua 25 de Março. Os assentos e os encostos estão tomados por camisas da seleção brasileira, chapéus, bandeiras e cachecóis em verde e amarelo.

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Uma camisa em especial faz ainda mais sucesso. Não à toa é a mais cara. Estampa a frase ‘Deus perdoe essas pessoas ruins’ escrita à mão no melhor estilo Adriano Imperador raiz. A iguaria custa R$ 3 mil rublos, uma bagatela de nada menos que R$ 176.

A que tem ‘Neymar’ escrito no alfabeto cirílico também não fica atrás. Custa 2 mil rublos e já vendeu igual água. Só restam dez para acabar o estoque. Quer dizer, agora nove porque a gaúcha acabou de ser convencida a levar uma baby look que fica linda justinha no corpo, segundo o vendedor.

Marcus Mesquita/UOL
Imagem: Marcus Mesquita/UOL
O dono do negócio Rodrigo Fonseca mostra além de bom de lábia é esperto. Ele tinha o sonho de viajar até a Rússia para ver a seleção brasileira em campo. Mas sabia que o desejo era para poucos. Usou sua criatividade e (por que não?) o tino empreendedor. Parcelou a passagem de dez vezes e se mandou para a Rússia com dois amigos sem hotel. Já em Moscou, se virou e fechou um albergue com os amigos.

Os três que são camelôs em Belo Horizonte foram ao Shopping Oiapoque, uma espécie de 25 de Março da capital mineira, e fizeram a feira. Compraram várias bugingangas e 40 camisas da seleção por uma bagatela de R10. Agora vendem por R$ 117 e estão fazendo o negócio bombar. Por enquanto, já não sabe quando ganharam e a próxima meta é atingir 50 mil rublos para ajudar a arcar com os custos da viagem.

‘Nós compramos 40 camisas, tá vendendo bem demais. Agora faltam menos de dez. E já estamos trabalhando com exportação. Está chegando mais um lote de 50 camisas que um amigo vai trazer. Já estamos pensando até em esticar a viagem e ir a Paris e ao Leste Europeu”, brinca Rodrigo.

E pergunta se ele está preocupado com fiscalização. “Fiscalização? Brasileiro aqui é rei! E é por causa do Brics”, afirma o outro camelô, entendido de economia, sobre o grupo de cooperação política, econômica e financeira entre alguns países como o Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul.

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