Copa 2018

EUA, Canadá e México ganham Copa de 2026 em momento de tensão inédita

A candidatura de Canadá, EUA e México vence a eleição e sediará a Copa de 2026

Do UOL, em São Paulo

14/06/2018 12h54

"Realizar um evento esportivo internacional é um processo desafiante e complicado para a Fifa e o país-sede", disse a Fifa, em comunicado, em 2014, em momento em que era criticada no Brasil pelas supostas exigências feitas ao país. Organizar uma Copa do Mundo significa aceitar algumas regras e abrir as fronteiras para visitantes de todo o mundo. Um desafio que não é pequeno para um governo. O que dirá para três, que vivem momento de extrema delicadeza no campo diplomático. O slogan de campanha, United, é só uma peça de propaganda. A realidade, afinal, é oposta.

Se nunca um país recebeu uma Copa do Mundo em clima tão tenso quanto a Rússia, nada indica que o cenário será melhor para o Mundial de 2026, dividido entre Estados Unidos, México e Canadá. Uma divisão que não foi e não será equânime. Basta ver a divisão dos 80 jogos (em um Mundial inflado com 48 seleções): 60 deles serão em 16 sedes nos Estados Unidos. Canadá e México terão apenas 10 partidas em três estádios cada. A organização é tríplice, mas o presidente do comitê de candidatura era norte-americano Robert Kraft, dono da Major League Soccer. O conselho e a diretoria do comitê de campanha também tinham estadunidenses em maioria. 

Esse maior poder de negociação para os Estados Unidos não tem tido boas consequências. Os últimos dias foram de crescimento das tensões entre México e Canadá (e também o bloco europeu) com os Estados Unidos. Em reunião do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, o presidente Donald Trump reforçou a decisão de não prolongar a isenção na importação de aço e alumínio dos dois vizinhos, sujeitos a tarifas de 25% e 10% respectivamente.

A postura gerou críticas duras do premiê do Canadá, Justin Trudeau, que tratou as taxas aduaneiras como "inaceitáveis", prometendo retaliação. Numa disputa comercial e diplomática, isso significa também sobretaxar produtos norte-americanos, o que pode provocar o sempre imprevisível presidente dos Estados Unidos a querer também dar o troco. Paralelamente, a imprensa canadense começa a relatar um movimento de boicote a produtos dos Estados Unidos - "Trump free", nomearam. Um cenário aumenta o temor de uma "guerra comercial'. Sem armas, mas com imposição de barreiras e dificuldades de diálogos entre dois ou mais países. Dois ou mais países que vão organizar uma Copa do Mundo.

É bem verdade que Donald Trump não será presidente dos Estados Unidos em 2026. Eleito em novembro de 2016, ainda que consiga a reeleição em 2020, ele deixará o governo no início de 2025. Mas hoje é impossível prever até que ponto suas políticas nacionalistas continuarão em vigor num possível segundo mandato, ou ainda mais daqui a oito anos. Há indícios fortes, entretanto, de que a preparação não será das mais tranquilas. Por exemplo: no que depender das promessas de Trump, até 2026 haverá um muro de ponta a ponta da fronteira para separar Estados Unidos e México.

Hoje, o governo dos Estados Unidos não apenas apoia o Mundial nos três países da América do Norte como deu forte apoio à candidatura. A ponto de Trump fazer uma de suas ameaças: aliados que votassem contra - ou seja, no Marrocos - passariam a ser considerados inimigos. O Brasil, por uma decisão pessoal do presidente da CBF, Coronel Nunes, votou no Marrocos, depois de firmar acordo na Conmebol para votar nos vizinhos do Norte.

Trump é amigo pessoal de Kraft, o presidente do comitê de candidatura e um dos homens mais influentes do esporte nos Estados Unidos. Dono do New England Patriots, da NFL, o empresário é democrata e foi um dos maiores doadores da campanha de Hillary Clinton. Mesmo assim, de acordo com a imprensa local, a relação entre Trump e Kraft nunca foi tão forte.

Ainda é incerto como os Estados Unidos lidarão com a política migratória da Copa do Mundo. Na Rússia, quem compra ingresso recebe uma credencial que vale como visto, podendo entrar no país a partir de 4 de junho e sair até 25 de julho. A Fifa, com o discurso de que política e futebol não se misturam, exige que não haja restrições para que um torcedor entre no país da Copa e torça pela sua seleção. Em 2026, quase um em cada quatro países existentes na Terra terão vaga no Mundial.

Claro que esse não será um cenário novo para os Estados Unidos, acostumados a receber eventos internacionais. Em 2017, os EUA chegaram a negar visto de entrada no país a dois iranianos que disputariam o Mundial de Levantamento de Peso - depois, ambos foram liberados. Mas desde os Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City, em 2002, não havia no país um evento tão grande. Um desafio político, comercial e diplomático que os próximos anos dirão se foi bem sucedido.

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