Suíça

Na base da Suíça, carro-símbolo dos tempos soviéticos é onipresente

Julio Gomes/Colaboração para o UOL
Modelo quadradinho era chamado no Brasil de Laika, mas na Rússia chama-se Zhiguli Imagem: Julio Gomes/Colaboração para o UOL

Julio Gomes

Colaboração pra o UOL, em Togliatti (Rússia)

14/06/2018 04h00

No meio da madrugada, os pneus cantam, o motor acelera, a curva em U é feita e eles partem em disparada para a direção contrária. É tipo um racha. Estamos cansados de ver nas avenidas Brasil afora.

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Em Togliatti, a 1000 km de Moscou e base da Suíça para a Copa, a curiosidade é que os engraçadinhos estão em dois Ladas. Sim, aqueles. O quadradinho, que no Brasil se chamava Laika quando surgiram os primeiros carros importados a serem vendidos no país, com a abertura do início dos anos 90.

O modelo teve vários nomes mundo afora. Aqui na Rússia, o Laika chama-se Zhiguli (fala-se Jigúli). O mesmo nome das montanhas que ficam do outro lado do rio Volga e que podem ser vistas de Togliatti.

Estamos na “cidade-Lada”. O modelo mais antigo, um verdadeiro símbolo da extinta União Soviética, divide as ruas com os novos carros produzidos pela AvtoVAZ, montadora proprietária da marca Lada e que foi vendida em 2016 para o grupo Renault-Nissan.

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Imagem: Julio Gomes/Colaboração para o UOL
“Eu prefiro os Ladas mais modernos. Temos que seguir em frente”, disse ao UOL Esporte o prefeito de Togliatti, Sergei Antashev. “Mas ainda temos o Niva sendo produzido aqui.”

O Niva é aquele modelo que parece um jipe. Ele também apareceu no Brasil, junto com o Laika (Zhiguli) e o Samara, que aqui tinha outro nome e também deixou de ser fabricado.

O prefeito  Antashev não gosta quando se fala que Togliatti e Lada são sinônimos. “A cidade já existia antes. E temos muitas outras indústrias por aqui”.

Ele pode até não gostar, mas é impossível negar o óbvio. A arena do time de hóquei sobre o gelo chama-se Lada. Assim como um shopping, supermercados, parque, o time de futebol e até o hotel onde a Suíça está concentrada. Há outdoors e concessionárias para todos os lados e um monumento no meio de uma praça com o logotipo da Lada no alto.

A marca é onipresente, nos lembra constantemente da razão da simples existência de Togliatti, hoje com 700 mil habitantes.

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Imagem: Julio Gomes/Colaboração para o UOL
O nascimento

De fato, como fala o prefeito, a cidade existia antes de 1966, quando a fábrica da AvtoVAZ começou a ser montada. Mas era só um vilarejo, que foi inundado pela construção de uma usina hidrelétrica no Volga. Em 64, foi planejada, reconstruída em outro lugar e rebatizada em homenagem ao histórico líder do Partido Comunista Italiano, Palmiro  Togliatti.

Em 66, veio o acordo dos soviéticos com a Fiat, que cedeu maquinário e o projeto do modelo 124 da fábrica italiana para servir como base para o que viria ser o modelo 2101, o primeiro Zhiguli (ou Laika) da série.

Tudo isso está contado – só em russo, é claro – no museu da Lada, que é gratuito e relembra a história da fábrica com documentos, fotos e a exposição de muitos dos modelos que marcaram os tempos da União Soviética.

O Fiat 124, o Zhiguli número 1 milhão a ser produzido, um Niva usado para expedição na Antártida, Ladas elétricos, Ladas modernos, Ladas de competição, tem Ladas para todos os gostos. Entre 1970 e 2012, enquanto foi produzido de forma praticamente idêntica, o modelo mais tradicional gerou mais de 18 milhões de vendas.

É, junto com o velho fusquinha, o modelo de carro mais produzido e vendido da história – outros, de outras marcas, sofreram modificações enormes de desenho, motor, etc. O Lada e o Fusca se mantiveram iguais por décadas.

Com um detalhe. Todos os Ladas Zhiguli – todos – saíram de Togliatti pelas águas do Volga mundo afora. A atual fábrica, separada do museu e da antiga sede por uma larga avenida, produz 400 mil carros por ano e, com 140 km de linhas de produção, é uma das maiores do mundo e ocupa uma enorme porção de Togliatti. Segue sendo a maior empregadora da região.

“É muito legal lembrar dessas origens. Este é um símbolo de outros tempos e é importante preservar a memória”, contou Natasha  Kavalenka, 24, que visitava o museu com seu namorado. No showroom que mostra a evolução dos Ladas ao longo dos anos, o namorado preferiu sair na foto com o velho Zhiguli. Natasha, com o mais esportivo de todos, um Lada que mais se parece a uma Ferrari.

Julio Gomes/Colaboração para o UOL
Imagem: Julio Gomes/Colaboração para o UOL
“Meu pai ainda tem até hoje um 2107 (a última série dos Zhiguli, que foi fabricada até seis anos atrás). Mas meus favoritos são os mais modernos”, contou Andrey Boburin, 22.

O certo desprezo dos mais jovens contrasta com alguns motoristas mais velhos, que não querem desfazer o laço com os tempos soviéticos.

Enquanto isso, alheio a isso tudo, o time da Suíça segue concentrado para enfrentar o Brasil no resort Lada, treinando no estádio onde joga o... Lada.

“O hotel é lindo e tem tudo de que precisamos para nos prepararmos adequadamente. É na floresta e com vista para o Rio Volga", limitou-se a falar o goleiro Sommer.

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