Copa 2018

Passeie pelas estações mais luxuosas do mundo no metrô de Moscou

Ricardo Senra/BBC News Brasil
Metrô de Moscou, um dos mais luxuosos do mundo Imagem: Ricardo Senra/BBC News Brasil

Ricardo Senra, da BBC News Brasil a Moscou

14/06/2018 08h05

Uma das partes mais fascinantes de Moscou, capital da Rússia e uma das cidades-sede da Copa do Mundo, fica a quase 70 metros de profundidade.

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Conhecido como Palácio do Povo, o metrô da ex-capital soviética não tem paralelos no mundo graças ao luxo de boa parte de suas estações - atualmente são 241 e outras 50 devem ficar prontas até 2020.

Para efeito de comparação, a maior rede metroviária do Brasil, em São Paulo, tem 79 estações. No Rio de Janeiro, em segundo lugar, há apenas 41.

A ostentação do 'Palácio do Povo' foi justificada pelo regime comunista como forma de mostrar para os trabalhadores que os impostos deles eram sendo bem investidos.

Se muitos moscovitas moravam em casas comunais, espaços simples divididos com famílias desconhecidas, pelo menos passavam por alguns dos mais luxuosos salões públicos da Europa para ir e voltar do trabalho.

Historiadores e dados oficiais da ex-União Soviética apontam que milhões de opositores morreram de fome ou foram executados durante a ditadura stalinista.

À BBC News Brasil, durante um trajeto entre um bairro residencial e a Praça Vermelha, sede do poder russo, uma senhora comentava a criação da linha circular, que conta com algumas das estações mais luxuosas.

Ricardo Senra/BBC News Brasil
Imagem: Ricardo Senra/BBC News Brasil

"Quando os engenheiros apresentaram esse projeto para (Joseph) Stálin, lá nos anos 1930, ele apoiou a xícara de café dele bem no centro do mapa. A marca que o pires deixou deu origem a esta linha, que é muito útil porque dá a volta no centro da cidade", contou a russa em inglês perfeito - caso pouco frequente, mesmo na capital.

Apesar de encontrar vários registros sobre essa lenda urbana, a reportagem não encontrou confirmação oficial.

Bombas, bunkers e afrescos

O trauma dos ataques a bomba de 2010, que deixaram 37 mortos nas estações de Lubyanka e Park Kultury, reforçou a segurança nas estações para a Copa do Mundo. Dezenas de seguranças podem ser vistos em cada uma das estações - onde só se entra após passar por detectores de metais.

A BBC News Brasil passou 5 horas circulando pelos trens da rede na última terça-feira. Os detectores e seguranças estavam lá, mas ninguém era revistado, mesmo quando os alarmes soavam - acusando a presença de objetos comuns como celulares, chaves ou moedas - nas entradas e saídas. Seria praticamente impossível revistar as pessoas como em aeroportos, por exemplo, devido ao volume de gente.

Uma das estações mais visitadas por turistas é Mayakovskaya. Considerada uma das joias da arquitetura russa, ela foi inaugurada em 1938 e tinha apelo futurista, com colunas de aço cercadas de mármore cor-de-rosa e uma série de 34 lustres.

Em cada um deles, 34 afrescos trazem mosaico representando ideais da revolução comunista - trabalho, esportes, poderio militar, igualdade.

Reuniões do Partido Comunista ocorreram nos corredores da estação durante a Guerra Fria, como foi conhecido o período de tensão entre EUA e União Soviética (URSS) que começou após a Segunda Guerra Mundial e terminou com o fim da URRS, em 1991.

Entre 1941 e 1950, tempos de guerra contra a Alemanha nazista, os salões das principais estações foram usados como "bunkers" durante ataques aéreos, abrigando mais de 500 mil pessoas.

Segundo a imprensa russa, 217 bebês nasceram sob a terra durante os ataques.

Em 1941, quando os nazistas se aproximaram de Moscou, o governo considerou plantar bombas em algumas estações para surpreender os inimigos. A rede chegou a deixar de funcionar, mas plano acabou sendo descartado.

Anexo a algumas estações, como em Taganskaia, bunkers foram construídos com entradas secretas, disfarçadas em casas comuns, com instalações tão imponentes quanto às das estações.

A partir de 1955, o luxo foi deixado de lado na construção das novas estações - os cortes de custos chegaram a gerar problemas de engenharia em algumas delas, posteriormente corrigidos.

Foice e Martelo

Hoje, os bilhetes do metrô custam 55 rublos (ou R$ 3,25, aproximadamente).

Nos horários de rush, os trens passam a cada 60 segundos - a média é de 90 segundos, o que torna inexistente a corrida comum de passageiros que estão chegando às estações para entrar nos trens, antes que eles partam.

Funcionários não falam inglês, mas gravações no idioma são reproduzidas nos trens a cada parada - o que ajuda turistas que não falam uma palavra da língua de Dostoiévski.

Símbolos máximos do comunismo, a foice e o martelo são encontrados em todas as estações mais antigas da cidade.

Representando trabalhadores agrícolas e industriais, os dois elementos reforçavam a propaganda soviética - quanto mais atenção as estações chamavam de moscovitas ou visitantes estrangeiros, mais atenção o regime ganhava, segundo a mentalidade dos líderes da época.

O objetivo de Stálin era que a rede de metrô de Moscou fosse considerada melhor que a de países capitalistas europeus ou de capitais nos Estados Unidos. Uma das peças de propaganda da época ressaltava que os trens soviéticos eram mais rápidos que os de Nova York.

O comunismo ficou para trás na Rússia, hoje dominada por filiais do McDonald's, Burger King, Starbucks e KFC.

A foice e o martelo, entretanto, estão imortalizados em imponentes obras de bronze, metal e cristal no subsolo da capital.

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