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Willian ganha vaga ao fazer lição de casa com vídeos e aprender a "flutuar"

Pedro Martins/MoWa Press
Willian ganhou espaço na seleção, entre outros motivos, com a ajuda de vídeos Imagem: Pedro Martins/MoWa Press

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo Almeida e Ricardo Perrone

Do UOL, em Sochi (Rússia)

14/06/2018 20h06

Willian não vivia bom momento quando Tite assumiu a seleção brasileira. A perda da titularidade para Philippe Coutinho veio já na terceira partida do treinador e acompanhada de um diagnóstico: o jogador do Chelsea tinha, por característica, dificuldade no movimento que ele descreve como "flutuação" e é uma das chaves para o jogo ofensivo do Brasil. De outubro de 2016 até a estreia na Copa do Mundo, no domingo contra a Suíça, Willian mudou esse cenário.  

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Treinamentos, conversas e principalmente vídeos fizeram com que ele, definitivamente, se tornasse um jogador capaz de voltar à titularidade. Não apenas por melhorar esse movimento que Tite deseja, claro. Willian é, na visão de Tite, um dos nomes mais completos do ataque brasileiro e, por exemplo, um líder em assistências. Mas assimilar a parte tática se tornou um elemento chave para estar entre os 11 no domingo. 

Já nos primeiros dias da preparação para a Copa, Tite se sentou com Willian, em uma série de conversas individuais que tem feito com os atletas. Para dar suporte, vídeos preparados pelo CPA [Centro de Pesquisa e Análise] com 14, 15 lances recortados. Dois terços, aproximadamente, com acertos. Um terço, com jogadas em que é possível evoluir.

"A importância do Willian: é um jogador de velocidade pelo lado, que está nos dando amplitude [abre bem o campo para criar espaços para os colegas] e que estamos trabalhando para dar lances de flutuação, mostrando lances do Chelsea em que ele fez isso bem", descreveu Tite recentemente. 

Mas, afinal, o que é a flutuação?

No sistema ofensivo do Brasil, um dos pontas é Neymar, que tem características de atacante e joga pela esquerda. Quando ele está presente, o jogador do outro lado é, por ideal, um meia de origem, que sem a bola dá suporte ao lateral direito. Com ela, no entanto, ele não fica preso ao corredor. A ideia é que possa aparecer nas costas dos volantes adversários, espaço também chamado de entrelinha, e quem sabe até surpreender e pintar lá próximo do lado esquerdo do ataque. 

Diferentemente de Willian, Coutinho rapidamente se ajustou a isso quando Tite assumiu a seleção brasileira. Dois gols são emblemáticos por mostrarem Philippe muito longe da ponta direita, e decisivo: no gol contra a Argentina no Mineirão, ele surge perto de Neymar, na esquerda e, sem cobertura na marcação rival, vence e faz um golaço. Outro movimento surpreendente dele, e que acabou em gol, foi diante do Paraguai, em São Paulo. Willian, hoje, já recebe elogios por acrescentar esse item a seu repertório. 

"Tenho também essa característica no meu futebol, de flutuar nas costas dos volantes, de jogar entrelinhas. Diversas vezes joguei assim no Chelsea. É bom quando se tem jogadores que podem fazer várias funções, como Coutinho, Neymar, Douglas [Costa] e Taison. É bom para a seleção ter jogadores assim. Quem ganha somos nós. É importante saber quando flutuar, e isso o Tite tem passado para nós, principalmente quem joga do lado do campo", disse Willian.

O mais regular e o principal garçom

"Drible, chute, velocidade, jogada combinada, recomposição...ele é diferente, ele tem virtudes diferentes".

A descrição de Tite sobre Willian reforça a avaliação sobre um jogador com muitas qualidades e, principalmente, regular. Presente em todas as convocações internacionais do treinador [só não entrou em uma lista restrita ao futebol brasileiro, em 2017], e também do antecessor Dunga, Willian é quem mais atuou desde a Copa, com 45 jogos. Ele se destaca também nas assistências, como o principal garçom nesses quatro anos, com 13 assistências pela Seleção Brasileira.

Em meio a um dilema sobre uma equipe bastante ofensiva montada para o início da Copa do Mundo, Willian tentará manter essa regularidade nos primeiros jogos do torneio. A comissão técnica trabalha em perspectiva, para o mata-mata, com a ideia de que o time poderá se tornar defensivamente mais equilibrado a partir de um eventual quarto ou quinto jogo, o que tornaria ele ou Coutinho candidatos ao banco de reservas. 

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