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Copa 2018


México surpreende Alemanha, joga melhor e vence aos gritos de "olé"

Do UOL, em São Paulo

2018-06-17T13:50:32

17/06/2018 13h50

O México não se intimidou ao enfrentar os atuais campeões da Copa do Mundo, foi para cima e saiu do estádio Luzhniki, neste domingo (17), em Moscou, com uma histórica vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha. Hirving Lozano fez o gol para a equipe comandada por Juan Carlos Osorio, que empolgou o bom número de mexicanos na capital russa e fez os alemães ouvirem gritos de "olé" desde o primeiro tempo.

Aceso desde o início, o México foi muito mais perigoso durante toda a partida, sempre roubando bolas e acelerando no contra-ataque. Já a Alemanha fez um primeiro tempo apático, melhorou no segundo e se lançou à frente, mas não conseguiu encontrar a inspiração para furar a defesa rival e deixou muitos espaços atrás.

O outro jogo do grupo F acontece nesta segunda-feira (18), às 9h (de Brasília), entre Suécia e Coreia do Sul, em Nizhny Novgrod. O segundo colocado desta chave, aliás, enfrentará o vencedor do grupo E, do Brasil, nas oitavas de final.

O México volta a campo no sábado (23), em Rostov, contra os sul-coreanos, às 12h. No mesmo dia, às 15h, a Alemanha tenta a recuperação contra os suecos, em Sochi.

O melhor: Lozano

Matthias Hangst/Getty Images
Imagem: Matthias Hangst/Getty Images

O ponta do PSV foi uma dor de cabeça constante para os alemães, especialmente no primeiro tempo. Rápido e habilidoso, ele foi a principal válvula de escape do time mexicano e fez um lindo gol ao receber pela esquerda, dar um corte seco na marcação e bater forte, sem chances para Neuer. No segundo tempo, cansou e foi substituído por Osorio.

O pior: Khedira

David Ramos/FIFA via Getty Images
Imagem: David Ramos/FIFA via Getty Images

O meio-campo alemão, de maneira geral, foi lento com a bola nos pés durante todo o jogo. Mas Khedira chamou atenção negativamente neste quesito. O volante demorou para tomar decisões, errou passes simples na frente e sofreu com a velocidade dos contra-ataques mexicanos. No segundo tempo, sobrou para ele, que foi o primeiro a ser substituído por Löw para a entrada do atacante Marco Reus.

Partida começa a mil por hora, e México vai para cima

Clive Rose/Getty Images
Osorio é outro personagem conhecido dos brasileiros: treinou o São Paulo em 2015 Imagem: Clive Rose/Getty Images

Bem ao estilo das duas equipes, o jogo começou em ritmo frenético. Tanto Alemanha como México passaram os primeiros minutos pressionando a saída de bola e acelerando os passes sempre que possível. Logo nos primeiros segundos, Lozano escapou pela esquerda e teve a chance de finalizar, mas foi travado de forma espetacular por Boateng. Os mexicanos mostraram desde o início que não teriam medo e partiram para cima dos atuais campeões.

México rouba uma bola atrás da outra até marcar

Hector Vivas/Getty Images
Imagem: Hector Vivas/Getty Images

Depois dos primeiros 15 minutos, o México diminuiu um pouco a intensidade da pressão e recuou. Mas não deixou de roubar bolas e assustar no contra-ataque, em diferentes alturas do campo. Cada vez que um alemão vacilava em um passe, os comandados de Osorio aceleravam com muito perigo. Chicharito perdeu duas grandes oportunidades assim. Até que, aos 34, após mais uma retomada de bola em velocidade, Lozano recebeu na esquerda, limpou a marcação e bateu forte, sem chance para Neuer.

Displicente, Alemanha faz primeiro tempo sonolento

AP Photo/Matthias Schrader
Imagem: AP Photo/Matthias Schrader

A Alemanha sucumbiu diante da grande atuação do adversário no primeiro tempo. A intensidade e a disciplina do México contrastaram bastante com a displicência dos europeus, que circularam a bola em ritmo lento e facilitaram os botes do rival. Quando os mexicanos recuaram para proteger a própria área, os alemães não mostraram inspiração para furar o bloqueio, recorrendo a bolas levantadas sem sucesso. A única chance foi uma cobrança de falta de Kroos, que parou em grande defesa de Ochoa.

Torcida mexicana se empolga e grita "olé"

AP Photo/Eduardo Verdugo
Imagem: AP Photo/Eduardo Verdugo

A postura agressiva do México inflamou a torcida do país, que compareceu em ótimo número ao estádio Luzhniki. Desde os 15 minutos do primeiro tempo, os mexicanos gritaram "olé" a cada vez que a seleção trocava alguns passes, e vaiaram todos os momentos de posse de bola da Alemanha. Além disso, usaram o tradicional grito homofóbico de "puto" em momentos em que o goleiro Neuer tocou na bola, contrariando pedido expresso da federação mexicana.

Alemanha vai para o tudo ou nada e pressiona

Clive Rose/Getty Images
Imagem: Clive Rose/Getty Images

Depois de o panorama do jogo não mudar no começo do segundo tempo, o técnico Joachim Löw resolveu arriscar. Tirou o volante Khedira e colocou em campo o atacante Reus, deixando a Alemanha com apenas Kroos protegendo a zaga e cinco jogadores bem ofensivos à frente. Depois, ousou mais ainda, com o centroavante Mario Gómez na vaga do lateral Plattenhardt. Os europeus passaram a pressionar, mas a defesa mexicana suportou bem, limitou as chances dos atuais campeões e ainda poderia ter ampliado se não desperdiçasse tantos contra-ataques.

México e Rafa Márquez fazem história

O jogo teve duas marcas históricas alcançadas. Foi a primeira vitória do México sobre a Alemanha na história das Copas do Mundo; até então, só um empate e dois triunfos dos europeus. Já o zagueiro Rafa Márquez, de 39 anos, entrou no segundo tempo e se tornou o terceiro jogador a disputar cinco edições de Copa (2002, 2006, 2010, 2014 e 2018), colocando-se ao lado do ex-goleiro mexicano Antonio Carbajal e do ídolo alemão Lothar Matthäus.

FICHA TÉCNICA

Alemanha 0 x 1 México

Local: Estádio Luzhniki, em Moscou (Rússia)
Data: 17/06/2018
Horário: 12h (de Brasília)
Árbitro: Alireza Faghani (Irã)
Assistentes: Reza Sokhandan e Mohammadreza Mansouri (Irã)

Gol: Lozano, aos 35 minutos do 1º tempo
Cartões amarelos:  Müller e Hummels (Alemanha); Moreno e Herrera (México)

Alemanha: Neuer; Kimmich, Boateng, Hummels e Plattenhardt (Mario Gómez); Khedira (Reus) e Kroos; Müller, Özil e Draxler; Werner (Brandt). Técnico: Joachim Löw

México: Ochoa; Salcedo, Ayala, Moreno e Gallardo; Layún, Herrera, Guardado (Rafa Márquez) e Lozano (Jiménez); Vela (Álvarez) e Chicharito. Técnico: Juan Carlos Osorio

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