Topo

Copa 2018


Desfalcada, "ótima geração" belga encara Panamá em busca de título inédito

Jimmy Bolcina/Divulgação
Seleção da Bélgica posa para foto antes de jogo contra o Egito Imagem: Jimmy Bolcina/Divulgação

Vanderson Pimentel

Do UOL, em São Paulo

2018-06-17T21:00:00

17/06/2018 21h00

São dez anos desde que a Bélgica passou a se renovar. E nesta segunda-feira (17), sua "ótima geração" entra no Estádio Fisht, em Sochi, para enfrentar o azarão Panamá, às 12h, (horário de Brasília) e transformar a conhecida alcunha em história em Copas do Mundo.

Simule os classificados e o mata-mata do Mundial
- Neymar S/A: a engrenagem por trás do maior jogador de futebol do Brasil
- De ídolo a homem de negócios, Ronaldo tem tudo a ver com a seleção atual

Cabeça de chave do Grupo G por ser a terceira colocada no ranking da Fifa, a seleção estará desfalcada de dois veteranos da atual equipe para o jogo. O capitão Vincent Kompany e Thomas Vermaelen estão fora da partida, por ainda não terem se recuperado de lesão. Mas nem as importantes ausências tiram o favoritismo da equipe de Hazard, De Bruyne e Courtois contra o Panamá, que para sua primeira disputa de Copa do Mundo, não conseguiu se renovar.

A 'experiente' geração panamenha

Os veteranos Blas Pérez (37 anos), Gabriel Gómez (34 anos), Felipe Baloy (37 anos), Román Torres (32 anos) e Jaime Penedo (36 anos) são os principais jogadores de uma equipe que só venceu um dos cinco amistosos disputados antes do Mundial. Apesar de uma vitória por 1 a 0 contra Trinidad e Tobago e um empate sem gols com a Irlanda do Norte, os Canaleros chegam como azarões pelas derrotas sofridas contra Dinamarca (1 a 0), Suíça (6 a 0) e Noruega (1 a 0).

Mesmo focados em fazer conquistar pontos, a própria delegação é consciente de suas limitações. Na entrevista coletiva antes do jogo, o técnico Hernán Darío Gómez fez uma promessa para lá de alternativa caso o Panamá seja a zebra da competição.

"Se passarmos da primeira fase beberei sozinho duas garrafas de vodca", disse o treinador colombiano em resposta a um jornalista que lhe perguntou que loucura faria em caso de um desempenho inesperado.

Se os azarões vêm de resultados negativos, os favoritos chegam ao jogo como seleção que não perde há quase dois anos. Primeira colocada do Grupo H das Eliminatórias Europeias com nove vitórias, um empate e 43 gols em dez jogos, a Bélgica bateu Arábia Saudita (4 a 0), Egito (3 a 0) e Costa Rica (4 a 1) e empatou com Portugal (0 a 0) nos amistosos pré-Copa.

Mesmo com um histórico positivo, Roberto Martínez amenizou o notável favoritismo dos belgas. “Você não pode planejar como o jogo será. Espero um Panamá muito forte. Eles querem aproveitar essa oportunidade. É uma oportunidade única chegar pela primeira vez. Será o primeiro jogo. Estou ciente disso. Queremos jogar bem. Temos que crescer ao longo do torneio. Conforme vai o torneio, tem que aprender como vencer. Não há jogo fácil. Já foram dez jogos, e os jogos estão sendo decididos por pequenas margens. Se alguém acha que os nomes glamorosos ou populares vão dar uma vitória fácil, não vai acontecer”.

Agora vai?

O técnico espanhol inclusive, trabalha há tempos com o excesso de favoritismo de uma seleção que nunca conquistou grandes títulos. "Precisamos aprender a ser um time vencedor. Temos excepcionais talentos, mas só talento não é suficiente para vencer um campeonato", disse Martínez no livro Football 2.0: How The World's Best Play The Modern Game.

Para o próprio técnico, a mentalidade é o ponto fraco da equipe. "Precisamos trabalhar na psicologia e no aspecto mental de ser uma equipe. Precisamos da mentalidade certa para superar os momentos difíceis de um jogo. Quando a França e a Espanha fizeram isso e venceram, houve um efeito colateral e eles conquistaram mais troféus".

Jogador da seleção belga entre 2009 e 2012, o atacante Igor de Camargo crê que em 2018 a Bélgica terá a chance de fazer a sua "grande Copa". "Isso eu afirmo com a autoridade de quem conhece os jogadores. O futebol é uma caixinha de surpresas, mas eu acho que eles podem chegar em uma final", explicou. "É claro que é uma experiência que falta, é uma camisa que pesa menos e vai enfrentar seleções de tradição que nos momentos de pressão sabem disputar esses torneios e são campeãs do mundo. Acho que esse é o grande desafio para a Bélgica”, explicou em entrevista ao UOL Esporte.

Talento sobra, e o entrosamento é trabalhado durante os últimos dez anos. Mas o peso de uma seleção que nunca conquistou grandes títulos e o excesso de responsabilidade de cada jogador carrega pode dificultar o desempenho da "ótima geração" da Bélgica na Rússia. E o Panamá espera usar o excesso de experiência de sua equipe para surpreender e seguir entrando na história do futebol local, e (por que não?) mundial.

Mais Copa 2018