Copa 2018

Brasileiro de vídeo machista reclama de reação e pede desculpas a ofendidas

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Luciano Gil, de camisa preta com celular, pediu desculpas às mulheres Imagem: Reprodução

Adriano Wilkson*

Do UOL, em São Paulo

19/06/2018 16h27

O engenheiro Luciano Gil, que aparece em vídeos gravados na Rússia que causaram indignação, disse que se surpreendeu com a repercussão e pediu "desculpas às mulheres ofendidas". Nas imagens um grupo de brasileiros aborda uma mulher estrangeira e a faz repetir palavras chulas em referência ao órgão sexual feminino.

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Em contato por telefone, Luciano disse que é casado, tem filha e que nunca agrediu nenhuma mulher. Ele afirmou que não conhecia nenhum dos outros homens que aparecem no vídeo e que se encontrou com eles em um “clima de festa e carnaval”.

“Somos pais de família, trabalhadores e vocês estão acabando com a vida da gente... Quem está brincando carnaval exagera um pouquinho na bebida e às vezes passa do ponto. Peço desculpas às mulheres que possam ter se sentido ofendidas, mas estão transformando um copo d’água em uma tempestade”, disse ele, que é dono de uma empresa de engenharia civil no Piauí.

Nos vídeos, os brasileiros dizem as palavras “b... rosa” e fazem a estrangeira repeti-las.

Luciano se disse incomodado com a repercussão do vídeo. A OAB-PE, a Polícia Militar de Santa Catarina e a Assembleia Legislativa de Pernambuco, além de coletivos feministas e personalidades públicas, já condenaram a atitude dos brasileiros. O engenheiro enviou à reportagem o print de uma mensagem que ele recebeu no Instagram com uma ameaça: “Vai sentir na pele sua molecagem, babaca.”

“Aqui na Rússia, a Copa está muita animada, um carnaval”, disse Luciano. “No Brasil estamos com problema de educação, saúde, corrupção e vão fazer isso com a gente. Estão instigando os russos contra nós. Até agora eles foram muito solícitos, principalmente as russas. Carinhosas, afetivas. Os brasileiros estão instigando a violência aqui.”

Ele descreveu apenas vagamente o contexto em que o vídeo foi feito. Questionado, não quis dizer em qual cidade russa a cena se deu. “Não foi feita coação, nada ali foi forçado. Tinha mais de 40 meninas ali e os próprios russos que tinham namoradas colocavam elas na brincadeira de livre e espontânea vontade. Só ganhou essa conotação porque aconteceu aqui na Rússia, mas se fosse na favela ou no carnaval, seria considerado normal.”

Reprodução/Instagram/@diegojatoba
Diego Valença, advogado de Pernambuco (à direita) também foi identificado Imagem: Reprodução/Instagram/@diegojatoba

O engenheiro também disse que a estrangeira envolvida no vídeo sabia o significado das palavras que ela aparece dizendo: “Tinha um brasileiro que falava russo que traduziu tudo para ela. Ela sabia e achou tudo bem.”

“Nunca agredi mulher, naquela hora não houve coação moral, não houve forçação de barra com ela, não houve mão boba, não teve nada disso. Ela estava superanimada, como diversas russas que estão curtindo a festa, porque as russas nunca tiveram uma festa como essa.”

Além do engenheiro do Piauí, outros dois homens foram identificados nos vídeos, que já se tornaram uma das maiores polêmicas do Mundial. O advogado Diego Valença Jatobá e o tenente da Polícia Militar de Santa Catarina Eduardo Nunes. Procurados, eles não responderam à reportagem.

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Imagem: Reprodução

Engenheiro foi alvo de operação da Polícia Federal

Luciano Gil, que já foi inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (CREA-PI), foi um dos alvos de uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União (CGU), em 2015. A Operação Paradise desarticulou um esquema de desvio de dinheiro público na prefeitura de Araripina, em Pernambuco. Na época, a PF informou ter descoberto um acordo entre os licitantes para fraudar as licitações. Foi verificada, também, a concessão de descontos padrões nas ofertas realizadas, “típico de quem não está realmente disputando a licitação”, segundo a PF.

Ainda de acordo com a polícia, não era a empresa vencedora que executava a obra, mas as empresas de parentes de algum político do município. A investigação apontou ainda o pagamento pela prestação de serviços que não eram executados. Em alguns casos esses pagamentos eram efetuados mais de uma vez.

Questionado sobre essa investigação, Luciano Gil disse que apenas prestou depoimento e enviou um print de seu atestado de antecedentes criminais, no qual se lê que não consta nenhuma condenação transitada em julgado contra o engenheiro. 

* Colaborou Demétrio Vecchioli, do UOL em São Paulo

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