Copa 2018

De cada 10 camisas do Egito nas ruas da Rússia, 11 são de Salah

UOL
Torcedores do Egito em São Petersburgo Imagem: UOL

Felipe Pereira

Do UOL, em São Petersburgo

19/06/2018 13h33

A avenida principal e a fan fest de São Petersburgo pareciam um bloco de carnaval. Tema: Egito. Habitadas por torcedores orgulhosos, camisas vermelhas e fantasias de faraó desfilavam pelas calçadas declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Os seguidores de Mohamed Salah repetiram os latinos no Brasil 2014 e invadiram a Copa do Mundo.

Jornais do Cairo falam em 40 mil pessoas na Rússia na primeira fase do Mundial. Nesta terça-feira (19), parece que todos estão em São Petersburgo. Os torcedores estão devidamente uniformizados e de cada 10 camisas da seleção, 11 tinham Salah escrito nas costas. A presença maciça é consequência de muito amor pelo futebol e uma seca considerável.

“Estou esperando minha vida inteira por estes dias. São 28 anos sem nos classificarmos e eu nunca tinha visto uma partida do Egito na Copa até o jogo contra o Uruguai. Estamos orgulhosos de nossos jogadores e nosso país”, diz Mahmoud Deroky, 33 anos.

Ele espera 23 mil conterrâneos no estádio para o jogo contra a Rússia, mas fala que se mais ingressos fossem disponibilizados para a torcida, eles encheriam as arquibancadas sozinhos. Khaled Gado, 32 anos, ajuda a entender a dimensão que estar numa Copa tem para os Egípcios.

“Hoje é carnaval no Cairo. Um feriado não é oficial. Somos um país pobre e a maioria das pessoas não têm TV a cabo. Desde o final de semana, elas estão reservando mesas em cafés para poderem ver o jogo”.

Cada passo é um flash

Os egípcios abusaram das fantasias de faraó. Justificavam que é a história deles sendo representada. Samy Nazmy, 32 anos, estava tão estiloso que não conseguia dar um passo sem ser interrompido por pedidos de foto. Chamava a atenção pela riqueza das cores e dos detalhes da vestimenta que usava. Mas o cara apelou. “Trouxe minha fantasia do Egito e fiz com o melhor dos materiais”.

O futebol significa tanto para os egípcios que o manual de jornalismo foi rasgado. Ahmed Essam, 30 anos, trabalha para um jornal do Cairo e está credenciado para ir a todos os jogos da Copa. Ele não se conteve na hora que o hino de seu país tocou na primeira partida. Era primeira vez em um estádio de Copa do Mundo neste século. “Eu chorei. Foi a primeira vez que (que escutou o hino) em quase 30 anos. E não sei quando vai acontecer de novo”.

Para sentir este tipo de emoção, os torcedores fizeram sacrifícios. Mary Milehail é uma das várias egípcias em São Petersburgo. Ela economizou quase um ano para estar na Rússia e ainda fez dívidas para o futuro. Sabe que vai estar quebrada até dezembro e não se importa. “É futebol”, resume.

Sacrifício de Salah

Todos os egípcios condicionam qualquer chance de vitória a presença de Salah em campo. Eles sabem que o atacante não está completamente recuperado da lesão sofrida na final da Liga dos Campeões, mas entendem que é o jogo mais importante da vida dele e por isso têm certeza que ele jogará. Mesmo no sacrifício. O Egito perdeu na estreia para o Uruguai por 1 a 0 e nova derrota complica muito as chances de classificação.

Ainda que a seleção perca, a participação na Copa já valeu. Os torcedores estão realizados por finalmente voltar a uma Copa. É somente a terceira participação – as outras ocorreram em 1934 e 1990. Várias vezes o time venceu a Copa da África e falhou nas Eliminatórias. A situação mudou num país que para quando a equipe entra em campo – como era o Brasil no passado.

Brasil não misturou com Egito

A empolgação dos egípcios se fez sentir antes mesmo de chegarem a Rússia. O voo do brasileiro Celio Assis fez escala em Paris e ele conta que o aeroporto e o voo estavam repletos deles. Mas Celio torce para os russos porque entende que a classificação dos donos de casa significa uma Copa mais animada.  A opinião é maioria esmagadora entre os brasileiros em São Petersburgo. Ainda que muitos paguem de Cumpade Washington e mandem ver na “mistura do Brasil com o Egito”, os brasileiros estão fechados com os donos de casa.

O carioca Carlos Goudim afirma que o primeiro motivo é porque ouvem de vários russos que eles sabem que não têm chance de título e seu segundo time é o Brasil. Ele também cita a receptividade e a vontade de ajudar dos anfitriões.

“Eles estão sempre querendo agradar. Em Rostov (local da estreia do Brasil) o serviço do restaurante era uma droga, o serviço do hotel era uma droga, mas eles se esforçavam muito. Queriam ver a gente bem e cativaram”.

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