Topo

Irã

  • Athletico CAP
  • Atlético-MG AMG
  • Avaí AVA
  • Bahia BAH
  • Botafogo BOT
  • Ceará CEA
  • Corinthians COR
  • Coritiba CBA
  • Chapecoense CHA
  • Cruzeiro CRU
  • CSA CSA
  • Flamengo FLA
  • Fluminense FLU
  • Fortaleza FOR
  • Goiás GOI
  • Grêmio GRE
  • Internacional INT
  • Palmeiras PAL
  • Santos SAN
  • São Paulo SAO
  • Sport SPO
  • Vasco VAS

Ex-nômade, goleiro do Irã morou na rua, entregou pizza e hoje sonha com PSG

Patrick Smith - FIFA/FIFA via Getty Images
O goleiro Alireza Beiranvand durante o jogo entre Irã e Espanha Imagem: Patrick Smith - FIFA/FIFA via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

2018-06-20T18:46:00

20/06/2018 18h46

Um garoto pobre, o sonho de ser jogador de futebol, o sucesso dentro de campo e a chance de jogar uma Copa do Mundo. Por mais que essa trajetória se pareça com a de tantos meninos no Brasil e no mundo, certas histórias chamam ainda mais atenção pelos dramas enfrentados na juventude por jogadores até o merecido reconhecimento.

Assista aos melhores momentos de Irã 0 x 1 Espanha
Simule os classificados e o mata-mata do Mundial
- Neymar S/A: a engrenagem por trás do maior jogador de futebol do Brasil
- De ídolo a homem de negócios, Ronaldo tem tudo a ver com a seleção atual

E assim começa a trajetória de Alireza Beiranvand. Desconhecido da maior parte do público, o goleiro do Irã, uma das surpresas da Copa do Mundo até aqui, abandonou sua família, viveu nas ruas quando criança e chegou até a entregar pizzas antes de se tornar ídolo em seu país e virar um dos melhores arqueiros do mundo, de acordo com a própria Fifa.

Nascido em Sarab-e Yas, no Oeste do Irã, Beiranvand é o filho mais velho de uma família de pastores nômades e trabalhava desde pequeno ajudando a família a alimentar ovelhas. Suas paixões sempre foram o futebol e um jogo local chamado Dal Paran, que consiste em arremessar pedras a longa distância.

Quando tinha 12 anos, ele chegou a jogar por um time local de sua cidade como atacante, mas encontrou seu lugar no campo ao substituir um goleiro lesionado. Entretanto, sua própria família fazia de tudo para impedi-lo de seguir em frente com seus objetivos. "Meu pai não gostava de futebol e queria que eu trabalhasse. Ele até rasgou minhas roupas e luvas e eu cheguei a jogar só com as mãos várias vezes”, revelou em entrevista recente ao jornal The Guardian.

A vontade de realizar seu sonho foi maior que a oposição da família, e ainda pequeno, Beiranvand decidiu fugir das montanhas para a capital Teerã. No ônibus, ele conheceu um treinador chamado Hossein Feiz, que ofereceu uma chance para ele jogar num pequeno clube chamado Vahdat. Mas o dinheiro era muito pouco e o jovem não conseguiu um local para viver.

Sem teto

Ele passou noites em torno da Torre Azadi, onde muitos moradores de rua dormiam, e também na porta da equipe em que treinava. "Eu dormi na porta do clube e quando me levantei de manhã, notei as moedas que as pessoas tinham deixado cair para mim. Eles pensaram que eu era um mendigo! Bem, eu tomei um delicioso café da manhã pela primeira vez em muito tempo."

Ajudado pelos colegas, ele dormia na casa do capitão da equipe, enquanto trabalhava na fábrica de costura do pai de outro companheiro. Logo depois, Alireza passou a trabalhar em um lava rápido de carros.

Sua evolução era nítida e ainda jovem, o goleiro passou a fazer parte das categorias de base do Naft Teerã, clube médio do Irã. Enquanto seguia treinando com a equipe, ele chegou a trabalhar como entregador de pizzas e varredor de rua para se sustentar na capital.

Tamanha persistência passou a dar resultados a partir de 2012. O goleiro foi convocado para atuar pela seleção sub-23 do Irã na mesma época em que ganhou a camisa 1 do seu clube. Entre reflexos bonitos para um jogador de 1,94 m, o que mais chama a atenção é uma característica desenvolvida ainda em sua época de nômade.

O jogo Dal Paran tornou o camisa 1 famoso em 2014, quando Beiranvand deu uma assistência a um companheiro ao acertar um lançamento de 70 metros com as mãos. No ano seguinte, o goleiro não só foi convocado pela primeira vez por Carlos Queiroz como virou o titular da seleção iraniana de prontidão.

Melhores do mundo e sonhos gigantes

Em 2016, o goleiro foi contratado pelo Persepolis, clube com mais de 40 milhões de torcedores e um dos mais famosos de seu país. No passado a Fifa reconheceu o talento de Beiranvand. O jogador foi eleito o nono melhor goleiro do mundo, junto com nomes como Ederson, Gianluigi Donnarumma e Claudio Bravo.

O desempenho defensivo do Irã e as boas defesas nos jogos contra Marrocos e Espanha fazem o goleiro sonhar mais alto. Dois meses antes do Mundial, ele já havia revelado quais eram os seus planos. "Eu quero brilhar na Copa do Mundo, para talvez poder jogar num grande clube europeu. Eu gostaria de jogar no Liverpool ou no Paris Saint-Germain."

Mesmo que dificilmente seja contratado por um clube grande de imediato, o goleiro de 25 anos certamente não desistirá de seus objetivos. Afinal de contas, para quem já passou pelas dificuldades que ele passou, melhorar o seu nível técnico atual é apenas um pequeno obstáculo. "Eu sofri muitas dificuldades para realizar meus sonhos, mas não tenho intenção de esquecê-los porque eles fizeram eu sou a pessoa que sou agora".

Mais Irã