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Copa vira sinônimo de dor para Neymar e define astral da seleção brasileira

Li Ming/Xinhua
Neymar cai no chão após sofrer pancada na partida contra a Suíça na Copa da Rússia Imagem: Li Ming/Xinhua

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo de Almeida e Ricardo Perrone

Do UOL, em São Petersburgo e Sochi (Rússia)

21/06/2018 20h00

É madrugada de segunda-feira (18), e Neymar não consegue dormir. No tornozelo direito, gelo. Muito gelo. Ele tenta aliviar dores no local porque horas antes sofreu fortes pancadas no empate por 1 a 1 entre Brasil e Suíça – o jogador foi caçado em campo, com dez faltas sofridas, recorde em Copas desde 1998. O cenário de dormir sentindo dores após partidas tornou-se normal para o atacante. Ainda mais em Copa do Mundo.

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São dores que levam amigos, família e colegas de seleção brasileira à aflição. A distração na madrugada é a conversa com eles e a troca de detalhes sobre a atuação no primeiro jogo da Copa do Mundo. O pai, já acostumado, reage tranquilo. Sabe que não há lesão, mas há o problema de, dois dias depois, a participação em uma roda de bobinho ser comprometida e finalizada rapidamente ainda pela dor no tornozelo direito.

MoWA Press
Neymar dá susto e deixa treino com dores no tornozelo direito Imagem: MoWA Press

Neymar sentiu dores no local depois de levar uma bolada e deixou o trabalho aparentemente irritado. Nada demais, segundo seu estafe. Saiu para evitar desgaste que não era necessário.

Na seleção, porém, qualquer reação de dor de Neymar deixa quase todos em pânico. Torcedores, comissão técnica, companheiros de equipe... Marcelo, na porta do vestiário após o duelo contra a Suíça, é o primeiro a perguntar e ouvir: “Cara, está doendo”, desabafa Neymar.

Quando Neymar tira a chuteira no vestiário, o tratamento com gelo é logo iniciado. Ao passar pela zona mista – área em que os jornalistas ficam posicionados para entrevistas – o caminhar mancando logo gera a pergunta: “Neymar, você está bem?”. “Tomei pancada no jogo, mas não é nada preocupante, não. É que quando esfria dói um pouco, mas não é nada, não”, insiste.

O médico da seleção, Rodrigo Lasmar, se assusta ao ser cercado por repórteres ansiosos para saber se a pancadaria suíça havia baleado o camisa 10. “Calma, ele agora tem de ser tratado com naturalidade. A cirurgia [no quinto metatarso do mesmo pé] já passou. Não aconteceu nada no jogo”, afirmou.

Ainda dolorido um dia depois da estreia, Neymar pega o celular e mostra para Lasmar duas faltas duras sofridas contra a Suíça. O hábito de ver seus gols e dribles em campo deu espaço ao temor de um problema no tornozelo direito. 

Receoso com as dores, o departamento médico da seleção define que Neymar treine leve antes do jogo contra a Costa Rica. O camisa 10 faz na antevéspera da partida um treinamento com bola que a seleção avalia como animador. Ele está pronto para mais pancadas.

André Mourão / MoWA Press
Neymar sorri no último treino antes do jogo contra a Costa Rica, em São Petersburgo Imagem: André Mourão / MoWA Press

No entorno de Neymar, a reação é de revolta com o julgamento de passividade do árbitro na estreia. O entendimento é de que o camisa 10 precisa ser protegido pela Fifa como um dos maiores valores da Copa do Mundo. Assim, o rodízio de faltas logo tem de ser punido com cartões – foram três cartões amarelos por faltas em Neymar contra a Suíça.

O pensamento é idêntico ao do volante Paulinho. “A arbitragem precisa tomar uma atitude. Estão fazendo rodízio para bater nele”, afirmou depois do empate na estreia.

Nos bastidores da seleção, a mensagem é que a reação de dor de Neymar durante a semana é o “normal do futebol”. Por conta delas, após jogos do PSG, por exemplo, o camisa 10 já esteve ausente de celebrações com amigos após as partidas por não conseguir pisar no chão sem sofrimento. A questão aqui é que o camisa 10 já tinha contagiado a seleção positivamente com boas atuações nos amistosos pré-Copa do Mundo contra Croácia e Áustria e um relato de “não dói nada” sobre o pé direito operado recentemente.

Contra a Costa Rica, às 9h (de Brasília) desta sexta, além de provar que está recuperado do embate contra os suíços, Neymar tem uma nova chance de enfim curtir uma Copa do Mundo sem ser assombrado por dores. Em 2014, o sonho de disputar uma final em casa acabou para ele antes dos 7 a 1 diante da Alemanha.

Uma entrada do colombiano Zúñiga, nas quartas de final, tirou o brasileiro da Copa. As horas seguintes foram de muito choro, com profunda tristeza coletiva. Um drama que traumatizou a seleção e volta a assombrar o time nacional quatro anos depois. Cada dor de Neymar, de certa forma, faz sofrer também seus colegas.

FICHA TÉCNICA

BRASIL X COSTA RICA

Data:
 22 de junho, sexta-feira
Local: Estádio Krestovsky, em São Petersburgo (Rússia)
Horário: 9h (de Brasília)
Árbitro: Bjorn Kuipers (Holanda)
Assistentes: Sander van Roekel e Erwin Zeinstra (ambos holandeses)

BRASIL: Alisson; Fágner, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro; Willian, Paulinho, Philippe Coutinho e Neymar; Gabriel Jesus.
Treinador: Tite

COSTA RICA: Keylor Navas; Cristian Gamboa, Johnny Acosta, Óscar Duarte, Giancarlo González e Bryan Oviedo; Bryan Ruíz, Celso Borges, David Guzmán e Johan Venegas; Marco Ureña.
Treinador: Óscar Ramírez

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