Argentina

Perdido e disperso, Messi parece um jogador comum na Copa da Rússia

Ivan Alvarado/Reuters
Imagem: Ivan Alvarado/Reuters

Marcel Rizzo

Do UOL, em Nizhny Novgorod

21/06/2018 16h51

Em um estádio lotado de argentinos em Nizhny Novgorod, os torcedores cantaram pouco antes de a bola rolar que era hora de dar a mão a Messi e que todos vamos dar a volta por cima. Não foi dessa vez, porém, que o camisa 10 brilhou na Copa da Rússia. A derrota por 3 a 0 para a Croácia complicou muito a situação da Argentina no Mundial.

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Messi continua longe de ser Messi. Em determinados momentos do jogo, parecia apático, desligado, pensando em outras coisas. Antes de a bola rolar, fez as vezes de capitão e, um a um, abraçou os dez companheiros. A Aguero, seu parceiro de ataque e amigo na vida, um beijo. Afago do craque que parece não ter um time.

Jorge Sampaoli, que planejava um esquema tático não muito da preferência de Messi, mudou de ideia e povoou o meio de campo. Mesmo assim Messi esteve longe da área, onde é letal. Na metade do primeiro tempo, o 10 apareceu correndo atrás do 10 do time adversário, o também baixinho e bom de bola Modric, que joga no rival do Barcelona, o Real Madrid.

Quando recebia a bola, evitava o drible. Sem ela, marcava muito; a ponto de ter cometido duas faltas no primeiro tempo. Messi, acostumado a apanhar (e o time croata fez 12 faltas só na etapa inicial, nenhuma no craque), foi quem bateu.

É difícil não ver Messi em campo, já que sua chuteira verde limão o destaca de outros jogadores. Se no Barcelona suas arrancadas em direção ao gol são fatais, na Argentina ele roda entre uma intermediária a outra, como um jogador qualquer. De vez em quando levanta a mão, pede a bola, mas não se vê reações parecidas, por exemplo, com as do outro grande craque dessa geração, o português Cristiano Ronaldo.

Contra o Marrocos, um dia antes de Messi jogar, Ronaldo reclamou com seus jogadores pela marcação estar muito atrás, foi tirar bola de cabeça em escanteio do adversário, e deu um bico na bola para a arquibancada depois que o árbitro deu falta perigosa ao Marrocos no minuto final.

REUTERS/Murad Sezer
Imagem: REUTERS/Murad Sezer
Messi pouco reage. No primeiro gol croata, quem correu como um louco para buscar a bola na rede foi Mercado. Messi já estava no círculo central, esperando para dar a saída de bola. Cena parecida se deu após o segundo gol, quando a transmissão focalizou o camisa 10 de cabeça baixa e semblante abatido. Após o empate na estreia contra a Islândia, 1 a 1, foi perguntado aos jogadores que concederam entrevistas, e a Sampaoli, o que se passava com Messi, se havia algum motivo para a dispersão. Todos contaram que ele estava, sim, motivado e com vontade de reverter a situação. Não parece.

Com a desvantagem, Sampaoli perdeu o pudor e encheu o time de atacantes, colocando seu preferido Higuaín, mas também Dybala, quem disse outro dia que era reserva de Messi e seria complicado que jogassem juntos. Messi, por poucos minutos, pareceu se inflamar, e aos 29 minutos teve a primeira reação, ao reclamar de uma falta sofrida e tentar repor a bola em velocidade.

No apito final, Messi caminhou rapidamente e foi o primeiro argentino a entrar no túnel para o vestiário. Deu apenas um chute a gol, pouco para quem foi cinco vezes eleito o melhor do mundo. Mas ele ainda terá uma chance, terça-feira (26), contra a Nigéria. A Argentina não está eliminada, e tem o camisa 10. Mas em São Petersburgo tem que ser o Messi do Barcelona, da Copa-2014, e não este que aterrissou na Rússia.

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