Copa 2018

Candidata a algoz argentina, Islândia dá receita de "Cinderelas" das Copas

 REUTERS/Maxim Shemetov
Emil Hallfredsson comemora estreia da Islândia com empate contra a Argentina Imagem: REUTERS/Maxim Shemetov

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

22/06/2018 04h00

A Copa do Mundo recebe, de quatro em quatro anos, seleções com pouca tradição no futebol. Em geral, são países que refletem em população ou extensão territorial seu tamanho futebolístico, com algumas exceções. Elas vêm da América Central, África, Oceania ou confins da Europa, e contam, às vezes, com atletas e membros da comissão técnica que encontram seu principal ganha-pão fora dos gramados. Os principais destaques atuam em times médios europeus, no máximo. A receita passa longe do ideal para quem quer levantar a taça do Mundial, mas proporciona, edição após edição, verdadeiros contos de fadas.

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As “cinderelas” da Copa entram na competição com o principal objetivo, participar dela, conquistado. O impulso para a aventura vem sempre com um resultado surpreendente e expressivo em uma partida contra um bicho papão, normalmente no começo da competição. É o ingrediente que falta para conquistar de vez uma transnacional torcida, e o patinho feio se torna o segundo time de praticamente todos os torcedores. Quanto mais intransponíveis parecerem os obstáculos e quanto maiores as limitações do time, melhor.

A autoria de “Cinderela” é desconhecida, dentre centenas de versões com diferenças aqui e ali ao redor do mundo. Os principais candidatos a escrever a versão boleira de 2018, entretanto, tem nomes praticamente impronunciáveis, terminados em “son” para 22 dos 23 convocados. A Islândia, com seus zero títulos, primeira participação em Copas, técnico dentista, goleiro cineasta e principal jogador defendendo o Everton, da Inglaterra, é encaixe perfeito no molde dos contos de fada dos mundiais.

O primeiro passo já foi dado, e o resultado surpreendente contra um bicho papão aconteceu no empate em 1 a 1 contra a Argentina na estreia. A derrota por 3 a 0 para a Croácia indica que os argentinos em 2018 talvez não sejam tão papões assim, e tenham levado à Rússia mais tradição do que futebol, mas o resultado não deixa de ser um feito. A Islândia já tem, desde a classificação para o torneio, a simpatia de diversos torcedores ao redor do mundo, e chega à segunda rodada, diante da Nigéria, ao meio dia desta sexta-feira, com totais chances de brigar por uma ainda mais histórica ida às oitavas de final.

Três horas antes desse confronto, o Brasil terá pela frente a Costa Rica, que viveu sua própria aventura fantástica há quatro anos, em território brasileiro. Depois de ficar de fora da edição de 2010, o país da América Central, com cerca de 5 milhões de habitantes (menos do que a cidade de São Paulo), atingiu as quartas de final.

A narrativa seguiu a receita, com o principal astro do time, Bryan  Ruiz, atuando pelo PSV, da Holanda. O resultado inesperado veio logo na estreia, com 3 a 1 sobre o Uruguai, seguido de um surpreendente 1 a 0 sobre a Itália. Os costa-riquenhos se classificaram em primeiro, ainda passaram pela Grécia, e só caíram nos pênaltis diante da Holanda. Em filmes em geral, dificilmente as continuações são tão boas quanto os originais, mas, caso a Islândia não consiga continuar a sua história, a Costa Rica ainda pode protagonizar seu “Cinderela 2” em 2018.

A história se repete, em menor ou maior escala, quase que invariavelmente de quatro em quatro anos. Algumas surpresas são maiores do que outras, com seleções com um pouco mais de expressão. Em 2010, os ganeses igualaram as duas melhores campanhas da história dos países africanos em copas, chegando às quartas de final. Em 2002, o mesmo feito tinha sido conseguido por Senegal, mas a grande história da Copa foi a Coreia do Sul.

Jogando em casa, os sul-coreanos bateram Portugual e Polônia na primeira fase, passaram por Itália e Espanha e só foram eliminados pela Alemanha nas semifinais, na melhor campanha de um país fora do eixo América do Sul-Europa na história dos Mundiais (nenhuma seleção de outro continente chegou a uma final).

Ser a zebra da Copa do Mundo é garantia de escrever o nome na história. Em 1966, a misteriosa e fechada Coreia do Norte, com um elenco de 23 desconhecidos jogadores, todos em atividade dentro do próprio país, venceu a Itália na primeira fase e conseguiu, graças a um empate contra o Chile, passar às quartas de final. Naquela época, foi a maior campanha de um time asiático até então.

Em 2002, apenas sete membros daquele time ainda estavam vivos, e participaram de um documentário inglês sobre a campanha, chamado “A partida de nossas vidas”.  O foco foi a vitória sobre os italianos. Em 2018, o tempo irá dizer se Islândia, Costa Rica, Panamá ou alguma outra seleção terá a partida de suas vidas eternizada no futuro.

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