Copa 2018

Neymar "ator" e provocação a Messi: como foi o jogo do Brasil no cinema

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Partida Brasil 2 x 0 Costa Rica teve transmissão em diversas salas ao redor do Brasil Imagem: UOL

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju (SE)

22/06/2018 18h42

Assistir a um jogo de futebol no cinema não é exatamente uma experiência nova. Nos últimos anos, finais da Liga dos Campeões da Uefa e vários jogos do Mundial de 2014, no Brasil, foram exibidos nos últimos anos com preços bem acessíveis para o público. 

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Mas a experiência vivida nesta sexta-feira (22) para quem escolheu ver Brasil x Costa Rica, pela segunda rodada do Grupo E da Copa do Mundo da Rússia, foi única: assistir um jogo de futebol da seleção às 9 da manhã, praticamente abrindo não só o cinema, mas os shoppings onde eles estão instalados. 

Promovida pela Globo, a "Copa no Cinema" deve transmitir todos os jogos da seleção até o fim de sua participação na Rússia. A transmissão é especial e tem equipe exclusiva para as telonas - a narração é de Gustavo Villani, com comentários do ex-jogador Grafite. Na interação com todas as 280 salas que exibem a partida, está a jornalista Mari Palma, que vez ou outra, também dá pitacos sobre os jogos. 

Segundo apurou o UOL Esporte, no último domingo (17), teve lotação de 80% das salas, algo excelente. Mas já se tinha um entendimento que, em um horário mais complicado - sexta pela manhã -, as salas não estivessem tão abarrotadas assim. 

De fato, foi o que a reportagem encontrou no Shopping Jardins, o mais popular de Aracaju (SE). Com sessão prevista para iniciar 8h30, as pessoas já chegaram às 8h, mas o shopping ainda estava totalmente fechado, abrindo para as pessoas com ingresso justamente às 8h30, quando a transmissão no cinema começava. 

Assim que chegou ao cinema, vimos a lotação da sala: exatas 21 pessoas, número muito aquém. "Foi o horário. No domingo passado, deu muita gente, ficou quase lotado. Mas hoje foram poucas pessoas", disse Maria Écila, gerente do Cinemark do Shopping Jardins. Antes de o jogo começar, havia mais funcionários que público na entrada comum do cinema. 

Mas não era por falta de gente que a sala não estava animada. Antes de entrar, os amigos Nathan Gonçalves, Maria Fernanda e Vinícios Passos, todos de 15 anos, conversavam sobre a partida. Colegas de colégio, eles decidiram abrir mão de ver com a família para se divertirem vendo juntos na telona. 

"É bem mais divertido ver no cinema. Tá todo mundo junto, é mais animado. No domingo, eu estava no shopping, vi o anúncio e movimento, e decidi vir hoje", afirmou Vinícios, que era o mais empolgado ao falar do resultado. "Quero 2 a 0, 3 a 0...", palpitou o jovem. 

Mas quem mais chamou a atenção foi um casal de senhores que estava caminhando calmamente, de mãos dadas e camisas da Seleção - ele de amarelo, ela de azul. Maria Francisca e Carlos Antônio são casados desde 1978, e completam 40 anos de casados torcendo pelo Hexa na telona. 

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Eles viram o jogo de estreia contra a Suíça, e gostaram tanto de tudo que sentiram, que decidiram repetir - e pretendem seguir até onde o Brasil ir no Mundial. "Só está nós dois em casa, um filho nosso está na Bahia e outro em Brasília. E aí a gente achou melhor o telão, grandão. Assistimos o primeiro jogo, gostamos e voltamos", disse dona Maria. 

Mesmo achando o público de domingo comedido em relação aos incentivos aos jogadores de Tite, Carlos Antônio ressalta que tudo ainda está sendo descoberto: "Domingo foi meio desanimado, mas é um ambiente novo. O pessoal não tá acostumado, não se conhecem, e aí fica aquele ambiente de apreciar o jogo". 

Maria Francisca ressalta que houve pouca divulgação por parte dos organizadores da Copa no Cinema: "Eu vi na televisão, por acaso, poucos dias antes, já perto do dia do jogo". "Se eu estivesse com minha família, na farra, nós não estaríamos aqui. Mas estando nós dois sozinhos, e uma tela grande e um som muito bom, eu recomendo muito. Depende do contexto", completa Carlos Antônio. 

Dos funcionários ao gol da euforia 

Pouco depois de o jogo começar, os funcionários do cinema se juntaram a quem comprou o ingresso e assistiram o jogo também na telona. Mesmo sendo uma turma pequena, a sessão que a reportagem acompanhou estava jogando junto com o time. 

Cada bola rebatida, um grito. Cada passe errado, um xingamento. Quem mais sofreu com as palavras foi Neymar. A cada drible errado, uma nova irritação. "Passa a bola, fominha!!!", disse um homem que estava na fila em frente onde estávamos localizados - ele estava junto com seu filho, uma criança, que seguia o pai na bronca. 

Ao fim do primeiro tempo, uma decepção generalizada pela boa partida, mas sem gol. A nova música chegou a ser entoada pouco antes do início do segundo tempo, mas o lugar estava tenso. A festa privê só iria recomeçar após o balanço do barbante brasileiro. 

No pênalti marcado em Neymar, mas que foi cancelado após o juiz usar o recurso do VAR, o cinema foi da alegria a raiva. Ao ver que tudo não passava de uma simulação, Carlos Antônio, que havíamos entrevistado antes do jogo, não resistiu. "Ele é ator", criticou Neymar o aposentado. 

Já ao fim da partida, todos pareciam estar confirmados com o 0 a 0. Mas Phillipe Coutinho tirou o grito da garganta das cercas de 30 pessoas daquele lugar, inclusive deste repórter que vos fala. Abraços, gritos e até escorregões que quase machucaram aconteceram. 

No segundo gol de Neymar, o cinema se empolgou: todos entoaram a já famosa "Messi Ciao", que diz que o argentino já está chorando porque o Brasil vai ganhar a Copa do Mundo. Mesmo com poucos adeptos por ali, é possível afirmar: o cinema ganhou clima de estádio de futebol lotado, sem tirar nem pôr. 

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