Copa 2018

Suíço teve a família perseguida e expatriada pela Sérvia; vingou-se na Copa

Laurent Gillieron/AP
Imagem: Laurent Gillieron/AP

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

22/06/2018 21h00

O resultado de Sérvia x Suíça nesta sexta-feira (22), na fase de grupos da Copa do Mundo, está ligado a uma guerra que deixou mais de 30 mil mortos. Durante a desintegração da Iugoslávia nos anos 90, ao menos 250 mil pessoas trocaram o país em guerra pela segurança do território suíço – incluindo os pais de Granit  Xhaka, camisa 10 da seleção dos Alpes.

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A família do jogador tem uma história e tanto para contar. Ele nasceu na Suíça em 1992, dois anos após seus pais deixarem a Iugoslávia. O país vivia colapso econômico, enquanto o nacionalismo sérvio ganhava força em oposição ao independentismo de Croácia e Eslovênia. O território era um barril de pólvora no qual a Sérvia, centro do poder iugoslavo, já não conseguia mais manter o bloco de nações de forma coesa.

A mãe Elmaze e o pai Ragip tinham se conhecido e se apaixonado em 1985, mas Ragip acabou preso três meses depois por participar de manifestações contra o governo comunista em Belgrado. Demandava maior autonomia à província de Kosovo, cuja população tinha (e tem) ampla maioria de albaneses, a sua etnia.

Condenado sumariamente a seis anos de prisão, o pai de Granit Xhaka foi espancado com frequência até ser liberado – sem razão aparente – após cumprir pouco mais da metade da pena. “Era tudo puramente político”, lamentou o jogador durante entrevista ao jornal inglês Guardian, no ano passado. “Como filho, esta história me toca no coração. É muito trágico.”

A decisão de deixar a Iugoslávia foi tomada com urgência pela família Xhaka, em 1990, assim que Ragip Xhaka foi posto em liberdade. O casal emigrou para a Suíça, onde no ano seguinte nasceu Taulant; dezoito meses depois veio Granit. O irmão mais velho também é meio-campista, atualmente joga pelo Basel (SUI) e atua pela seleção albanesa por causa da etnia dos pais. O mais novo é um dos pilares da seleção suíça, mas não esquece suas origens, como mostrou ao anotar gol contra a Sérvia pelo grupo E da Copa do Mundo.

O camisa 10 suíço fez um golaço, empatando a partida, e aproveitou todos os holofotes para apoiar a causa kosovar: comemorou fazendo com as mãos a águia negra de duas cabeças, símbolo presente na bandeira da Albânia. Os albaneses compõem 92% da população do Kosovo, que não tem sua independência reconhecida pela Sérvia apesar de tê-la declarado em 2008.

Granit Xhaka, filho de pais de etnia albanesa, enfrentou na Copa do Mundo o mesmo país que prendeu seu pai e obrigou os seus a se refugiarem na Suíça. Vingou-se como podia: jogando bem, fazendo gol e apoiando uma causa de seu povo, de sua família. O futebol é ainda maior quando jogado fora de campo.

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