México

Chicharito e a chance de uma geração do México de se vingar dos críticos

Tony Gutierrez/AP
Seleção mexicana de 2018 manteve nomes consagrados. Faltava o trabalho psicológico de Osorio? Imagem: Tony Gutierrez/AP

Do UOL, em São Paulo

23/06/2018 21h00

“Jogou como nunca, perdeu como sempre.” Você certamente se acostumou a ouvir (ou falar) esta frase quando o assunto é seleção mexicana em Copas do Mundo. Afinal, nas últimas seis edições do torneio, a seleção mostrou um futebol de qualidades, mas perdeu nas oitavas de final. É a maldição do quinto jogo: nas últimas seis Copas, os mexicanos disputaram quatro partidas. Nunca chegaram à quinta.

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Pode acontecer de novo em 2018? Pode. Mas na Copa do Mundo realizada na Rússia, os comandados do técnico Juan Carlos Osorio mostram uma geração evoluída – a começar pelo próprio treinador.

Contratado pela Federação Mexicana de Futebol em 2015, o treinador colombiano nunca gozou de apoio da torcida, e a situação chegou a um ponto dramático após a derrota por 7 a 0 para o Chile nas quartas de final da Copa América Centenário, em 2016. Só que, fora esse tropeço, o time não decepcionava: nas eliminatórias da Concacaf para a Copa de 2018, o México se classificou com o primeiro lugar do continente, com 11 vitórias em 16 partidas.

Na época, porém, os críticos famosos de Osorio marcavam presença. O ex-atacante Hugo Sánchez, técnico do México entre 2006 e 2008, dizia em abril não confiar na comissão técnica do colombiano. Ricardo La Volpe, que comandou o time na Copa de 2006, disse que os jogadores pareciam “muito confusos” em campo. Osorio disse apenas que respeitava todas as opiniões.

A nova velha geração mexicana

Só que Osorio deu uma cara nova a uma geração que se acostumou a receber críticas – o já citado “perdeu como sempre”. A seleção que disputa a Copa de 2018 tem a segunda média de idade mais alta do torneio (28,86 anos, abaixo apenas dos 29,52 da já eliminada Costa Rica), o que indica a manutenção de jogadores que já vinham defendendo o time nos últimos anos.

Para efeito de comparação, seis jogadores de 2018 estavam na Copa de 2010: Guillermo Ochoa, Rafa Márquez, Giovani dos Santos, Andrés Guardado, Héctor Moreno e Carlos Vela. Nomes como Jesús Corona, Héctor Herrera, Marco Fabián, Alfredo Talavera, Javier Aquino e Oribe Peralta também têm sido recorrentemente convocados desde o ciclo das eliminatórias para a Copa de 2014. Ao todo, 12 jogadores vêm sendo mantidos na seleção desde 2012.

Faltavam – e ainda faltam – resultados para essa geração. Em 2018, para piorar, o time pegou um grupo teoricamente complicado na primeira fase da Copa do Mundo: a Alemanha, atual campeã, ao lado de Suécia e Coreia do Sul. Só que Chicharito Hernández e companhia não recuaram: venceram os alemães por 1 a 0 na estreia e fizeram 2 a 1 na Coreia do Sul na segunda rodada. No último jogo da fase de grupos, terão que provar mais uma vez para os críticos do que são capazes.

Um empate contra a Suécia classifica o time às oitavas de final na primeira posição. Porém, dificilmente os comandados de Osório vão se satisfazer com um empate, já que terminar com 100% de aproveitamento pode ajudar o grupo a acabar com as desconfianças.

Os resultados podem indicar a evolução buscada pelos mexicanos. Em entrevista anterior à Copa do Mundo, um jornalista disse a Chicharito Hernández que o México não estava no patamar de um campeão mundial. E o atacante respondeu inconformado.

"Por que não podemos ser a Grécia da Eurocopa (de 2004)? Por que não podemos ser o Leicester do Campeonato Inglês (de 2016)?”, questionou, citando times que surpreenderam e conquistaram títulos. “Imaginemos coisas legais, c***lho. Imaginemos. Por que não? Podemos passar em primeiro lugar do grupo. Por que não?"

O salto de qualidade da geração pode estar justamente na comissão técnica de Juan Carlos Osorio. O treinador aposta alto em dois nomes: Pompilio Páez, assistente técnico que é seu braço direito em questões esportivas, e Imanol Ibarrondo, coach que coordena o trabalho psicológico da seleção.

“Meu trabalho foi restabelecer os laços entre os jogadores e recuperar a confiança que eles precisavam para competir”, explicou Ibarrondo – que assumiu a função em 2016, justamente após a derrota por 7 a 0 para o Chile – ao site da Fifa. “Pude conversar virtualmente com todos os jogadores e dar a eles apoio neste processo de crescimento, desenvolvimento e formação. Tem sido um privilégio”, completou o espanhol, ex-jogador do Rayo Vallecano.

Com uma geração consolidada e um trabalho de reconstrução liderado por Juan Carlos Osorio, o México espera finalmente encarar de frente as seleções maiores. Será possível sonhar com uma final? Primeiro, é preciso evitar a derrota de sempre – jogar como nunca, o México já está jogando.

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