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'É vergonhoso', diz única sul-americana do Conselho da Fifa sobre assédio

Alexander Hassenstein - FIFA/FIFA via Getty Images
Maria Sol Muñoz é membro do Conselho da Fifa Imagem: Alexander Hassenstein - FIFA/FIFA via Getty Images

Rodrigo Mattos

Do UOL, em Moscou (Rússia)

24/06/2018 04h00

Única mulher sul-americana no Conselho da Fifa, órgão mais poderoso da entidade, a equatoriana María Sol Muñoz classificou como lamentável e vergonhoso o assédio cometido por torcedores do continente, brasileiros e argentinos, contra mulheres russas. Ela gostaria que fossem punidos pelos atos. Até agora a Fifa não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

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Primeiro, torcedores brasileiros foram vistos em um vídeo que se transformou em viral na internet em que cantavam uma referência ao ao órgão sexual feminino ao lado de uma russa. Depois, outros brasileiros foram vistos em vídeo em que pediram que russas repetissem expressões sexuais em português. E o mesmo ocorreu com um torcedor argentino. 

"Me informei por redes sociais. Não vi de primeira mão. É realmente lamentável, realmente vergonhoso que torcedores sul-americanos sejam vistos envoltos nestes temas. Que são feios, que mancham nossa imagem. Talvez os sul-americanos, queremos neste afã nosso de ser muito alegre e são incômodos. Há de ter um limite, não?  Passa a barreira do respeito, não esteve bem", analisou Muñoz.

Ela lembrou que houve sanção da Fifa para torcedores argentinos que agrediram croatas dentro do estádio, mas não sabe se houve sanção pelo assédio que ocorreu fora dos estádios. "Oxalá que tenha havido punição porque respeito merecemos todos, e não esteve bem o que fizeram", completou.

Mike Hewitt - FIFA/FIFA via Getty Images
Imagem: Mike Hewitt - FIFA/FIFA via Getty Images
O tema do respeito às mulheres é especialmente caro a Muñoz por ser ela uma das que quebraram barreiras dentro da Fifa, um ambiente predominantemente masculino. Só nos últimos dez anos uma mulher atingiu o Conselho da federação internacional. Muñoz é a primeira sul-americana e pôde entrar por conta de mudança no estatuto da Fifa que obrigou as confederações continentais a ter membros mulheres. Ela está há dois anos no Conselho.

"Creio que é um caminho que se vai abrindo para as mulheres. Somos poucas ainda. No mundo, há não mais do que duas presidentes de associações membros. Então há um longo caminho a andar. Creio que é muito importante a formação que se pode dar as líderes para que assumam essas posições nos mais altos níveis do futebol", comentou. 

Seu processo se iniciou quando era relações púclicas no Club Deportivo Universidad Catolica. Saiu do clube, mas, quando houve a mudança nos estatutos, o presidente do clube a avisou do processo. Ela passou por checagens de idoniedade e honestidade, e passou para ser indicada pela Conmebol.

"Creio que nós mulheres temos diferenças pela nossa naturalidade. Mas a paixão pelo futebol vivemos com muita intensidade também. Nós mulheres trazemos essa nova imagem de transparência, de honestidade e profissionalismo. Que não que faltava ao futebol, mas sim que se renove, se refresca. Porque lamentavelmente se viveu etapa muito obscura", afirmou, sobre o passado obscuro da Conmebol.

María Sol reconheceu que o comportamento de torcedores sul-americanos sobre mulheres não é uma exceção ocorrida apenas nesta Copa. "Seguramente é um comportamento que se repete", disse.  

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