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Quatro anos após choro e 7 a 1, seleção brasileira volta ao "divã" com Tite

REUTERS/Henry Romero
Neymar e Thiago Silva conversam com o árbitro durante a partida do Brasil contra a Costa Rica Imagem: REUTERS/Henry Romero

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

24/06/2018 20h00

Quando Thiago Silva desabou em lágrimas antes da disputa de pênaltis nas oitavas de final da Copa de 2014, contra o Chile, o gesto disparou uma discussão sobre a estabilidade emocional daquela seleção. A reação do elenco à lesão de Neymar, o choro dos jogadores na execução do hino e o descontrole ao longo do 7 a 1 colocaram o aspecto psicológico como um traço fundamental daquele time, esquadrinhado pelos críticos na sequência daquele Mundial. Quatro anos depois, é nítida a preocupação da equipe brasileira na Rússia em controlar essa variável, com o Brasil de novo no "divã".

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Principal assunto do dia a dia da seleção brasileira desde que a bola rolou, Neymar é hoje o principal “paciente”. Irritado, vem reclamando muito com árbitros, postou desabafo em redes sociais e desabou em lágrimas depois do apito final contra os costa-riquenhos. Os episódios colocam em xeque a capacidade de reação às críticas e à pressão em um palco como a Copa do Mundo. Além disso, sua postura em campo, reclamando da arbitragem com veemência, ganha um peso extra por conta do cartão amarelo que ele recebeu na vitória verde-amarela.

O camisa 10, líder de advertências na era Tite, está pendurado e pode desfalcar o time em um jogo importante se repetir o comportamento. Por conta disso, foi alvo de “terapia intensiva” ao longo do jogo contra a Costa Rica, levando broncas de Thiago Silva, Marcelo e Tite, como mostrou o UOL Esporte. Já o choro de alívio após o gol, ao contrário, foi amplamente apoiado pela equipe. A exceção foi Marcelo, que foi flagrado pela transmissão oficial pedindo para que o atacante "levantasse a cabeça" após o apito final. 

Além de Neymar, a discussão sobre o fator emocional também passa pelo restante do elenco. O passado de Marcelo e Thiago Silva, por exemplo, foi relembrado quando Tite escolheu a dupla para capitanear o Brasil nos dois primeiros jogos. Fagner, escolhido para entrar em campo após a lesão de Danilo, também despertou temor por uma fama de violento e certo tempo de inatividade.  

No cômputo geral, porém, o Brasil tem passado no teste. Neymar segue em xeque, mas é entre os dez que mais chutam e mais dão passes objetivos em toda a Copa do Mundo, segundo o site  WhoScored, sinais de que não tem se omitido. Thiago Silva e Marcelo, que não comprometeram em campo, se destacaram pelo posicionamento com relação a Neymar. Fagner, por sua vez, superou um nervosismo inicial, jogou bem e convenceu os críticos. Como um todo, o Brasil ainda teve calma para trabalhar a bola diante da Costa Rica e melhorou seu desempenho em relação à estreia contra a Suíça, superando a forte retranca dos caribenhos. 

O tema é especialmente importante para Tite, que historicamente coloca a discussão em primeiro plano. “Os aspectos psicológico e emocional são fundamentais. São de três a sete jogos nesta Copa, as tensões são muito fortes e tem que aguentar as pressões. Todos aqueles que passaram por outras Copas vão me ajudar e ajudar a comissão técnica. Eles vivenciaram uma experiência única, que se aprende ganhando, empatando e perdendo”, disse, logo depois de anunciar os 23 jogadores que iriam à Rússia.

A estratégia passa pelo rodízio de capitães, com o treinador preocupado sempre em dividir a responsabilidade e valorizar diferentes jogadores. “Toda a individualidade aparece se o conjunto estiver forte, é desumano colocar a responsabilidade em um atleta”, disse Tite, depois da vitória contra a Costa Rica. Além disso, o treinador também costuma distribuir livros pensados especialmente para cada jogador. Os convocados também foram submetidos, no início da preparação, a sessões de vídeo cuidadosamente pensadas para tratar de questões técnicas, táticas e psicológicas, com a preocupação de que a maior parte das observações fossem positivas. 

Todo o trabalho, espera-se, terá de ser visto em campo na próxima quarta, diante da Sérvia, às 15h, quando o Brasil define sua vida no Grupo E. De agora em diante, a pressão sobre Tite e seus 23 jogadores só vai aumentar. O confronto contra os sérvios já vai servir como termômetro da evolução emocional da equipe, mas só duas coisas vão trazer a autorização para deixar o “divã”: a eliminação ou a conquista do hexacampeonato.

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