Rússia

Time mais físico da Copa, Rússia sofre pressão por histórico de doping

Francisco Leong/AFP
Aleksandr Golovin, da Rússia, é atleta que mais correu até agora na Copa do Mundo Imagem: Francisco Leong/AFP

Pedro Lopes e Rodrigo Mattos

Do UOL, em Moscou e São Paulo

24/06/2018 21h00

Depois de uma preparação difícil e decepcionante, a Rússia tem a melhor campanha da primeira fase até agora na Copa 2018. Por trás das duas vitórias, com oito gols marcados, está o melhor desempenho físico de uma seleção na competição. Os números, bem acima dos adversários, chamam a atenção, e os donos da casa são alvo de denúncias e questionamentos.

A seleção russa percorreu 233 km em duas partidas, 8km a mais do que a Austrália, segunda colocada no quesito, e mais de 30 km superior à Argentina. Em média, são 4 km percorridos a mais do que qualquer outra seleção por partida. O meia Aleksander Golovin é o jogador que maior distância percorreu no Mundial, com um total de 25 km, e a Rússia tem três jogadores entre os dez que mais correram na competição. Os dados são todos da Fifa.

“É bastante. É uma diferença importante, com certeza”, diz o médico fisiologista Paulo Zogaib, professor da Unifesp, coordenador de medicina esportiva do Clube Pinheiros com passagens por Corinthians e Palmeiras. “Provavelmente é um conjunto de fatores. De forma geral, imagino que outras seleções sofram um pouco mais fisicamente, com a Copa do mundo muito próxima ao fim da temporada europeia e da Liga dos Campeões”.

O histórico do país-sede da Copa, no entanto, faz com que o dado deixe de ser só uma curiosidade. Embora não exista até agora nenhuma prova de doping relacionada ao time da casa, que rechaça qualquer acusação, os críticos, especialmente os ingleses, levantam dúvidas baseadas no histórico.

O escândalo de doping da Rússia começou com o relatório Mclaren, em 2015, que apontou a existência de um sistema estatal de doping do governo russo para atletas de elite. O governo sempre negou que isso acontecia e classificou o relatório como infundado. As evidências, no entanto, levaram o Comitê Olímpico Internacional a banir vários esportistas russos dos Jogos do Rio.

A Fifa, por sua vez, passou a analisar o efeito no futebol. Em maio, a entidade afirmou que "as investigações em relação aos jogadores russos na esquadra provisória da Copa foram completas, com o resultado de que as evidências encontradas são insuficientes para configurar uma violação anti-doping". A WADA (Agência Anti-Doping) concordou com a decisão.

O desempenho russo despertou a atenção da mídia inglesa que fez questionamentos e uma denúncia. Neste domingo, o “Mail on Sunday" publicou matéria alegando que a Fifa encobriu investigação de jogadores russos, inclusive livrando de punição o jogador Kambolov, que foi cortado da seleção na reta final da preparação. O texto não cita atletas dentre os 23 atuais convocados. A delegação russa já rechaçou as críticas, alegando que seus jogadores foram alguns dos mais testados antes do Mundial.

Indagado sobre a superioridade física apresentada nesta fase de grupos e uma hipotética ligação com doping, o técnico da Rússia, Stanislav Cherchesov, preferiu não se aprofundar no assunto.
"Não sou um médico, sou o técnico. Nós falamos sobre o jogo, não falo sobre questão médica", disse.

É certo que o doping tem sido uma sombra sobre a Copa, sem confirmação nenhuma, desde que o escândalo revelado pelo relatório Mclaren ocorreu. A Fifa exigiu que os testes anti-doping não tivessem nenhuma participação dos russos, e, de fato, eles estão fora do processo, ao contrário do que ocorreu nas Olimpíadas de inverno de Sochi. O então ministro do Esporte e responsável pela Copa, Vitaly  Mutko, teve de se afastar do cargo por estar no meio do caso de doping.

Dos 23 jogadores da seleção russa, 21 atuam na Russia. O Campeonato Russo tem 30 rodadas, menos do que a maioria das principais ligas europeias. A competição terminou no dia 13 de maio, e nenhum clube russo atuou por competições europeias depois desta data. Os russos também não disputaram eliminatórias, atuando menos pela seleção nos últimos anos.

Seria necessário um exame mais profundo, mas o calendário da seleção dona da casa indica que de fato houve mais tempo para se recuperar da temporada e se preparar fisicamente. Enquanto os russos continuarem correr muito em campo, os questionamentos vão, entretanto, continuar, por conta do passado.

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