Copa 2018

Técnico por falta de opção, Southgate revitalizou Inglaterra pela contramão

AP Photo/Matthias Schrader
Após anos de "medalhões" britânicos e estrangeiros, Southgate tem feito bom trabalho à frente da Inglaterra Imagem: AP Photo/Matthias Schrader

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

24/06/2018 21h00

Quando Sam Allardyce foi demitido do comando da Inglaterra em setembro de 2016, após um escândalo em que foi gravado dizendo a repórteres disfarçados como burlar regras da federação, a seleção estava sem rumo. Havia apenas dois meses, o time havia passado por um dos maiores vexames de sua história ao ser eliminado nas oitavas de final da Eurocopa pela pequena Islândia, jogando um futebol pobre. Nesse cenário de caos, o cargo mais cobiçado do país que inventou o futebol caiu no colo de Gareth Southgate.

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O ex-zagueiro de Aston Villa, Crystal Palace e Middlesbrough era um rosto conhecido da torcida e tinha três anos de experiência como técnico da seleção sub-21. Mas não era a primeira opção da federação para comandar a equipe principal e representava um tipo de profissional que ia completamente na contramão dos técnicos recentes da Inglaterra. Em vez de veteranos da "velha guarda" britânica (como Roy Hodgson, Steve McClaren e o próprio Allardyce) ou de estrangeiros renomados (Sven-Goran Eriksson e Fabio Capello), Southgate era estudioso, discreto e criado em casa.

Após quatro partidas animadoras na condição de interino, ele acabou efetivado em novembro. A partir daí, recebeu carta branca para revirar a seleção inglesa de uma forma que não acontecia havia muito tempo. As baixas expectativas que cercavam o time criaram um ambiente propício a experiências e inovações. A primeira delas foi reduzir o espaço de medalhões como o goleiro Joe Hart e o atacante Wayne Rooney, promovendo a aparição de jovens com quem o treinador havia trabalhado nas categorias de base da seleção.

Além da renovação de pessoal – a Inglaterra tem o elenco mais jovem da Copa do Mundo, com média de idade de 25 anos –, Southgate também revitalizou a equipe taticamente. A partir de um amistoso em março de 2017 contra a Alemanha, passou a experimentar com o sistema de três zagueiros que havia se tornado popular novamente no Campeonato Inglês graças ao Chelsea de Antonio Conte, campeão de forma arrasadora no ano passado. Havia 12 anos que a seleção inglesa não jogava assim.

Clive Brunskill/Getty Images
Zagueiro John Stones é um dos jogadores ingleses mais importantes na construção de jogadas Imagem: Clive Brunskill/Getty Images

As escolhas de Southgate para ocupar as posições do novo esquema também passaram por critérios que seus antecessores dificilmente usariam. O goleiro Pickford ganhou a posição porque, além de ser tão bom quanto os concorrentes debaixo das traves, também tinha facilidade com os pés. Os três zagueiros, Walker, Stones e Maguire, também jogam porque não se limitam a passes laterais sem objetivo, mas avançam com a bola e procuram ser incisivos com a posse. Com o volante Henderson, formam um "losango" que facilita a saída de bola inglesa.

O uso do lateral direito Walker como zagueiro, aliás, é outra inovação do treinador inglês. Southgate disse que se inspirou no mecanismo de saída de bola do Manchester City, onde Walker muitas vezes fica alinhado com os dois zagueiros e forma um trio defensivo. Não é a mesma função que ele exerce na seleção, mas o jogador se adaptou bem.

Do meio para frente, se não tinha tanta criatividade, Southgate apostou no fôlego e na mobilidade de seus jogadores. Lingard e Alli são os meias centrais, com licença para infiltrar na área adversária. Os alas Trippier e Young abrem o campo, colados às linhas laterais, para gerar esse espaço no centro. No ataque, Sterling flutua e procura a tabela, enquanto o artilheiro e capitão Kane está sempre tentando atacar a profundidade, empurrando a defesa adversária para trás.

O resultado é um futebol de muito volume ofensivo, em que os zagueiros manejam bem a bola e o time sempre chega com muitos jogadores à área rival. Além disso, a tradicional força na bola parada se mantém na equipe de Southgate, tendo sido fundamental nas vitórias sobre Tunísia e Panamá. O grande teste dessa equipe acontece na próxima quinta-feira (28), diante da Bélgica. Com os dois times já classificados no grupo G, o confronto decidirá quem termina em primeiro da chave.

Há quem diga que o melhor mesmo é ficar em segundo, para evitar um caminho com mais seleções tradicionais no mata-mata. Seja como for, se chegar às quartas de final, Southgate já terá superado seus dois antecessores imediatos em Copas: Hodgson não passou da primeira fase em 2014, enquanto Capello foi goleado pela Alemanha nas oitavas em 2010.

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