Copa 2018

Trapalhadas do Coronel e ataque com vidro testam futuro presidente da CBF

Sandra Kelch/Kelch Photography/Divulgação
Rogério Caboclo, futuro presidente da CBF, assiste ao treino da seleção brasileira no campo Imagem: Sandra Kelch/Kelch Photography/Divulgação

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo Almeida e Ricardo Perrone

Do UOL, em Sochi

24/06/2018 04h00

Tradicionalmente, o posto de chefe de delegação da seleção brasileira numa Copa do Mundo é praticamente decorativo, servindo muito mais para a CBF fazer política com dirigentes. Desta vez, porém, Rogério Caboclo, eleito para assumir a presidência da entidade em abril do ano que vem, ficou com a missão. Em vez de permanecer focado apenas na seleção, ele precisou apagar incêndios provocados pelo atual mandatário, o coronel Antonio Carlos Nunes, e sua trupe. Os problemas e temas como a relação com a Fifa fazem com que Caboclo já seja testado durante o Mundial da Rússia.

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Primeiro, Caboclo teve de administrar o fato de Nunes votar no Marrocos como sede da Copa de 2026, descumprindo o acordo com a Conmebol para apoiar a candidatura de México, Canadá e Estados Unidos, que saiu vencedora. O trabalho foi de tentar acalmar a confederação sul-americana, que considerou o gesto como traição, neutralizando o coronel. Ele deixou de comparecer aos eventos oficiais relativos à competição e a CBF reforçou o alinhamento com o bloco, apesar do papel na eleição. 

O constrangimento, no entanto, ainda não foi superado. E o plano de evitar que o Coronel Nunes se envolvesse em novas confusões também não funcionou. Gilberto Barbosa, assessor da presidência, destacado desde o início da Copa para colar em Nunes, quebrou uma taça de vinho na cabeça de um brasileiro que teria ofendido o dirigente e dado um tapa no assistente.

Conforme o UOL Esporte apurou, Caboclo então tomou a decisão de desligar Giba, como é conhecido o assessor da comitiva do coronel, que já voltou para o Brasil. Oficialmente, no entanto, a CBF diz que a decisão foi institucional, e não de Caboclo.

Agora o futuro presidente precisa administrar o destino de Barbosa. Assim como o próprio Caboclo, o assessor é cria de Marco Polo Del Nero, banido do futebol pela Fifa, mas ainda influente na confederação. Uma punição, além do corte da comitiva, ou até a demissão dele, provavelmente desagradariam ao dirigente banido. Presidentes de federações também defendem que Giba não seja punido. Alegam que ele apenas foi proteger o coronel e acabou perdendo a cabeça.

Caboclo ainda precisará de habilidade para lidar com o atual presidente. Colocado na vice-presidência por, entre outros motivos, ser considerado dócil, o coronel passou a tomar algumas decisões por vontade própria. Essa postura incomoda o restante da cúpula da entidade. Dirigentes das federações estaduais também não enxergam com bons olhos a permanência dele. A irritação aumentou após os episódios na Rússia, onde o coronel também cometeu gafes diante de jornalistas.

O futuro presidente precisa encontrar uma fórmula para controlar o atual sem entrar em conflito com ele. Nesse caso, Caboclo não tem margem de manobra para tomar uma atitude pessoalmente, como fez em relação às críticas à arbitragem após o empate em um gol com a Suíça. Tite havia pregado contra o “mimimi” em relação ao não uso do árbitro de vídeo em suposta falta em Miranda no gol suíço. Inicialmente, a CBF não iria reclamar, mas Caboclo decidiu assinar um comunicado enviado à Fifa. O gesto pode ser interpretado como uma demonstração de poder. A confederação, porém, nega que tenha havido divergência em relação à atitude a ser tomada.

Caboclo ainda tem o restante da Copa do Mundo para tentar mudar a imagem da CBF de entidade enfraquecida na Fifa. Desta forma, mais provas de fogo estão por vir para o cartola durante o Mundial.

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