Copa 2018

Porco, macarrão e arroz no café da manhã. "A Rússia que a Globo não mostra"

Felipe Pereira

Do UOL, em Kaliningrado (Rùssia)

25/06/2018 04h00

Ninguém viaja 14 mil quilômetros e acha que vai encontrar os mesmos costumes. Mas os torcedores brasileiros estão surpresos com o café da manhã com cara de almoço que existe no país da Copa do Mundo. O carioca Célio Castro, 54 anos, que o diga.

“Desci para tomar café da manhã às 8h30 em Rostov e a mulher do hostel me deu um sopão. Tudo de legume que tinha na geladeira estava naquela sopa, mais frango desfiado. Ofereceu também tomate, aquela coisa de sanduíche de McDonald’s... picles. E eu, que nem gosto, matei seis fatias de tomate para não fazer desfeita”.

Célio conta que a sopa desceu bem, mas o que estava por vir ele não encarou. Arregalou os olhos quando percebeu o que estava saindo da geladeira. “Ela tirou um porco. Tipo esses lombos que a empresa dá na cesta de Natal no final do ano. Mas este eu não comi”.

Yulia Dotsenko
Imagem: Yulia Dotsenko

Estas informações de choques culturais não aparecem nas matérias de Copa. São aquelas histórias que os torcedores contam para os amigos e que a internet popularizou com o termo "a Globo não mostra". Bastidores como o café da manhã do hotel em São Petersburgo em que a reportagem do UOL Esporte ficou. Ele também tinha porco. Mas frito.

O cardápio alternativo ainda contava com arroz em um dia e macarrão no outro. O que não variava era a oferta de batata, pepino, tomate, beterraba, cenoura, azeitona e cebola. E este cardápio alternativo não é exclusividade de hostels e hotéis mais simples.

Hotel granfino também tem menu alternativo

O Radisson é uma grife internacional da hotelaria. A unidade de São Petersburgo segue aquele padrão americano de omelete, frios, cereais e sucrilhos. Mas existe uma coisa chamada adaptação local. Isto fez coisas diferentes pararem no buffet à disposição de Renato Gomes, 49 anos.

“Tinha batata com casca, pepino com casca, tomate e coisas que eu nem sei o que são. Mas tem gente de todo mundo lá, precisa agradar diferentes padrões. Eu fiquei feliz com o croissant, era fantástico. E tinha um smothie de berry excelente”.

Felipe Pereira
Imagem: Felipe Pereira

Guilherme Borges Costa e Cláudio Prates têm 27 anos, são de Belo Horizonte e não estavam no Radisson. No hotel deles em São Petersburgo o café da manhã parecia uma parada de ônibus de beira de estrada. Só havia salgados. Era tanta coisa estranha que kebab se tornou a opção mais familiar.

“Hoje, foi nosso primeiro dia de hotel e veio a surpresa. A única coisa que reconheci foi kebab. Era de frango com molho de alho. Tinha mais alguns salgados, uns pareciam pastel, outros, empanadas”.

Como a Rússia é maior que Plutão, as diversidades são grandes. Kaliningrado é aquela cidade-sede que tem fronteira com a Polônia, mas não tem contato terrestre com o restante da Federação Russa. Nesta cidade, a reportagem do UOL Esporte podia escolher pizza, repolho, salsichão e legumes no café da manhã. Fora os legumes tradicionais.

Com os russos encantados com os brasileiros fica chato dizer não diante de uma insistência sorridente para comer mais. Eles tomam o não como grave desfeita. Sendo assim, tem muito brasileiro dando uma de Célio e comendo coisa que não gosta durante a Copa.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está fechada

Não é possivel enviar comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Mais Copa 2018

Topo