Suécia

Após "descarrego", suecos se dizem mais fortes para jogo contra o México

Hector Retamal/AFP
Jimmy Durmaz treina antes de jogo contra o México; sueco recebeu apoio dos companheiros após ataques na web Imagem: Hector Retamal/AFP

Julio Gomes

Do UOL, em Ekaterimburgo

26/06/2018 07h24

Para quem considera povos escandinavos frios e pouco emocionais, as demonstrações dos suecos nos últimos dias podem parecer surpreendentes. Após o gol sofrido nos acréscimos contra a Alemanha e as agressões a Jimmy Durmaz, jogador que fez a falta que originou o gol e tem descendência turca, os suecos contra-atacaram e exorcizaram demônios.

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"O grupo ficou irritado demais com tudo o que aconteceu. Foram inaceitáveis as agressões e as ameaças de violência a Jimmy. Não aceitamos esse comportamento. Ele é forte como pessoa, mas isso afeta a todos, claro. Creio que faz o grupo mais forte e foi ótimo termos nos pronunciado juntos”, falou o capitão Andreas Granqvist.

Nesta quarta, em Ecaterimburgo, a Suécia enfrenta o México e depende apenas de uma vitória para se classificar às oitavas de final. O México joga pelo empate ou, se perder, precisa torcer contra a Alemanha no duelo contra a Coreia do Sul. Os dois jogos ocorrem às 11h (de Brasília) de quarta.

Após vencer os sul-coreanos na estreia, a Suécia estava muito perto da vaga nas oitavas. Chegou a estar na frente da Alemanha, levou o empate, mas ficou com um jogador a mais após a expulsão de Boateng. Aos 50 min, no entanto, Kroos conseguiu o empate após a falta feita por Durmaz. O jogador passou a ser alvo de racismo e xenofobia nas redes sociais.

“Nós somos um grupo muito unidos, estamos juntos o tempo todo dentro e fora do campo. Jimmy é forte, está feliz com nosso suporte, focado no futuro, olhando para frente e isso nos faz mais fortes”, acrescentou Granqvist.

Dois dias atrás, Durmaz leu um comunicado após o treino da Suécia rechaçando as agressões.

"Eu sou um jogador de futebol de alto nível, posso ser criticado pelo que estou fazendo no jogo, isso faz parte do meu trabalho. Estou sempre preparado para aceitar isso, mas há um limite, e esse limite foi ultrapassado ontem. Quando você me ameaça, quando você me chama de diabo árabe, terrorista, talibã, você foi muito além da fronteira. E, pior ainda, quando você vai até minha família, meus filhos, e os ameaçam... Quem diabos faz tal coisa? É completamente inaceitável”.

Após a leitura, ele foi aplaudido pelos colegas. Juntos, eles entoaram um “F…-se o racismo”.

Reprodução/Youtube
Imagem: Reprodução/Youtube
“Tentamos ajudá-lo, creio que ele encontrou o equilíbrio e há um ambiente positivo”, falou o técnico Janne Anderson.

O treinador também teve seu momento de “descarrego” após o gol sofrido contra a Alemanha - e o que foi entendido como provocação por partes dos adversários. Houve bate-boca ainda no campo, e a Federação Alemã se desculpou pelo comportamento de membros da delegação.

“Se eu não tivesse respondido na hora, estaria morto emocionalmente. No campo, todos estamos sujeitos a emoções, mas uma conduta antidesportiva não é legal”, comentou Anderson.

Segundo os comandantes, em campo e fora dele, a Suécia vai conseguir canalizar a frustração de levar o gol contra a Alemanha e as confusões que se sucederam para algo positivo. Uma das chaves é aproveitar a maior estatura e causar dano aos mexicanos com as bolas altas.

“Saímos mais fortes deste jogo, mostramos que podemos segurar a atual campeã do mundo. O México é um time rápido, habilidoso, que respeitamos muito. Esperamos que a estatura dos jogadores seja um fator amanhã”, finalizou o técnico da Suécia.

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