Copa 2018

Mascherano se impõe como líder em semana crítica e quase põe tudo a perder

Gabriel Rossi/Getty Images
Ensanguentado, Mascherano protesta contra o árbitro Cuynet Cakir após fazer pênalti contra a Nigéria Imagem: Gabriel Rossi/Getty Images

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

26/06/2018 19h15

Messi carrega a faixa de capitão no braço e o peso da expectativa da torcida sobre os ombros, mas é ponto pacífico que o verdadeiro líder da seleção argentina desde o último Mundial é Javier Mascherano. Na semana mais crítica para a equipe, que esteve à beira de uma eliminação vexatória na Copa do Mundo, o volante reafirmou esse papel chamando para si a responsabilidade de falar pelo grupo. Mas quando a bola rolou contra a Nigéria nesta terça (26), quase pôs tudo a perder dentro de campo.

- Assista aos gols de Nigéria 1 x 2 Argentina

Um pênalti cometido de forma infantil no início do segundo tempo permitiu que os nigerianos empatassem um jogo que, até então, parecia controlado. A partir daí, os nervos argentinos afloraram e a equipe passou a errar as ações mais básicas. Muitos deles que também passaram pelos pés de Mascherano: passes sem direção, botes errados e ansiedade nas tomadas de decisão marcaram a atuação do camisa 14 tanto quanto o rosto manchado de sangue, que curiosamente o árbitro Cuynet Cakir decidiu ignorar.

Aos 34 anos, Mascherano sabe que não é nem sombra do jogador que, para muitos, foi o mais importante da Argentina na campanha do vice mundial na Copa de 2014. Tanto que deixou o Barcelona no início do ano para jogar na China. A atuação fraca contra a Nigéria também não foi novidade: diante de Islândia e Croácia, o veterano já havia estado longe de seus melhores momentos com a camisa argentina.

Fora das quatro linhas, porém, a importância do "Jefecito" (chefinho, como é conhecido) é tão importante quanto sempre foi. Se Messi fala pouco, Mascherano está lá para representar os jogadores. Depois do desastre por 3 a 0 contra a Croácia, só ele encarou a imprensa no estádio de forma mais demorada (foi o único a falar com repórteres de jornais, outros poucos jogadores falaram rapidamente com as televisões). Três dias depois, apareceu em entrevista coletiva ao lado do presidente da AFA, Claudio Tapia, para dizer que o grupo estava unido e que o objetivo de chegar às oitavas ainda era alcançável. Pediu fé.

Também ganhou força simbólica uma imagem de Mascherano conversando com o técnico Jorge Sampaoli no treino da Argentina, possivelmente discutindo a escalação e a estratégia para a partida decisiva diante da Nigéria. Não faltaram especulações na imprensa argentina de que o volante escalou o time. Fato é que a Argentina abandonou o nada ortodoxo 3-4-3 que falhou miseravelmente contra os croatas e voltou para um 4-4-2 mais clássico, que lembrou bastante o time mais "engessado" de Alejandro Sabella na última Copa.

Com uma proposta mais simples, e também por causa da fragilidade da Nigéria, o plano estava funcionando. Até Mascherano agarrar o zagueiro Balogun em uma cobrança de escanteio. Ele protestou desesperadamente e pediu que o árbitro revisse o lance no vídeo, mas a decisão do pênalti foi mantida mesmo após o VAR entrar em ação. Foi o início de um período de pavor para a Argentina, que só acabou com o gol salvador de Rojo aos 41min do segundo tempo.

"Esse esporte não conhece o merecimento, e hoje estivemos a alguns minutos de sermos eliminados. A seleção não é feita só de momentos lindos, é saber sofrer, suportar, mas também aproveitar esses momentos", disse Mascherano após o jogo.

Nas oitavas de final, o adversário será a França. De quase eliminada, a Argentina terá a oportunidade de seguir sua caminhada na Rússia se derrubar uma favorita. E depois de ser tão importante para o vestiário em um momento de tensão pura, Mascherano receberá outra chance de mostrar que, em sua última Copa do Mundo, ainda pode ser uma influência positiva também na parte técnica dentro de campo.

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