Copa 2018

De boca quase fechada, 'Nova Fifa' blinda Copa de polêmicas extracampo

Mladen Antonov/AFP
Imagem: Mladen Antonov/AFP

Rodrigo Mattos

Do UOL, em Moscou (Rússia)

26/06/2018 04h00

A Fifa adotou medidas para blindar a Copa da Rússia de questões extracampo para que o foco seja apenas no futebol, ao contrário do que ocorria em Mundiais anteriores. O objetivo é afastar a entidade de polêmicas e, com isso, tentar melhorar a imagem que esteve manchada por críticas e escândalos de corrupção nos últimos anos.

Anteriormente ao Mundial, a Fifa decidiu acabar com os media briefings diários, momentos em que dava explicações sobre problemas de organização da Copa. A intenção da federação internacional é só se pronunciar sobre assuntos pontuais quando for demandada, ou quando houver alta procura.

Esses encontros eram marcados pelos questionamentos da mídia internacional a problemas de organização da Copa ou do país-sede. Na Rússia, certamente surgiriam questões sobre a legislação anti-LGBT do país, as medidas de censura do governo Vladimir Putin ou perguntas sobre o funcionamento do árbitro de vídeo.

Na Copa-2014, no Brasil, a Fifa e o comitê organizador foram bastante questionados pelos gastos com estádios, problemas com obras, segurança, protestos e questões disciplinares como as de Suárez. Outro ponto que ajuda a reduzir questionamento é o fato de boa parte da mídia russa ter ligação com o governo e, portanto, não questionar eventuais problemas. Os órgãos independentes são poucos.

Desde que assumiu em 2016, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tem tentado reduzir a repercussão desses assuntos extracampo. "Eu vou trabalhar sem cansar para levar o futebol de volta à Fifa e a Fifa de volta ao futebol. Isso é o que temos que fazer", disse ele, ao ser eleito, em mantra que tem sido repetido durante esses dois anos e meio.

O objetivo é afastar a Fifa dos escândalos de corrupção que atingiram a gestão de Joseph Blatter. O ex-presidente teve que renunciar após descobrirem que ganhava bônus milionários em Copas do Mundo, na sequência das investigações por conta do caso de desvio de dinheiro descoberto por procuradores e policiais norte-americanos feito por cartolas da Fifa.

Como consequência, empresas como Sony, Emirates e Castrol não renovaram seus contratos de patrocínio, sendo substituídas por empresas orientais em geral chinesas ou russas. Havia temor de que a Fifa entrasse em crise financeira. Mas os resultados financeiros apontaram uma recuperação recente que levou as receitas deste ciclo de quatro anos para US$ 6,1 bilhões, acima das expectativas. Há ainda muito espaço para crescer em recursos, especialmente de marketing.

O Conselho da Fifa está satisfeito com os resultados da Copa-2018 até agora, inclusive a organização. A classificação da Rússia para a segunda fase mantém o interesse da população e o clima festivo na Copa. E a postura do governo russo isola o Mundial de noticiário negativo.

A única reclamação até agora de cartolas foi a operação de voos particulares, utilizados por eles, que têm alguns atrasos. No final, a federação internacional encontrou uma fórmula simples para se fale quase só de futebol na Copa: fechar a boca.

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