Argentina

"Polvo" Armani é esperança tardia da Argentina após exílio na Colômbia

Michael Regan - FIFA/FIFA via Getty Images
Franco Armani passou sete anos esquecido no futebol colombiano, apesar de grandes resultados Imagem: Michael Regan - FIFA/FIFA via Getty Images

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo (SP)

26/06/2018 04h00

A Argentina apostou no contestado e reserva Willy Caballero para ser seu goleiro titular na Copa do Mundo da Rússia. Duas falhas do arqueiro em dois jogos deixaram Lionel Messi e companhia em situação crítica na última rodada do Grupo D. Vencer a Nigéria é a única solução, mas para isso será preciso melhorar primeiro defensivamente. E é aí que entra Franco Armani.

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Aos 31 anos, ele deve ser escalado como titular por Jorge Sampaoli às 15h desta terça-feira, em Krestovsky. Seu currículo com 12 títulos e 245 partidas disputadas nas últimas oito temporadas já poderia ser suficiente para bancá-lo como primeira opção na seleção argentina. Só que antes de viver a expectativa de defender seu país pela primeira vez na carreira, justamente em um Mundial, foi preciso encarar uma espécie de exílio.

Armani começou a carreira na Argentina com passagens pelos modestos Ferro Carril e Deportivo Merlo. Em 2010, foi contratado pelo Atlético Nacional, onde se tornaria um dos maiores ídolos da história do clube. Foram 224 jogos na equipe colombiana, com 12 títulos conquistados. um recorde para o clube. O mais importante deles foi a Copa Libertadores da América de 2016.

Gabriel Rossi/Getty Images
Armani é observado por Caballero durante treino da Argentina na Rússia Imagem: Gabriel Rossi/Getty Images

Em Medellín, o goleiro se converteu em lenda. Camisetas, faixas e pôsteres com sua imagem se reproduziam pela cidade enquanto as taças eram empilhadas. O melhor momento da carreira foi sob o comando de Reinaldo Rueda, que depois treinaria o Flamengo. Foram 97 partidas, sendo 51 sem ser vazado e somando apenas 64 gols sofridos.

Para chegar a tantos momentos gloriosos no Atlético Nacional, Armani derrubou a desconfiança de ser um atleta desconhecido e também uma série de lesões. O início de sua arrancada foi em 2012, quando o agora técnico da seleção mexicana, Juan Carlos Osorio, chegou a Medellín. 

Armani morava em um condomínio vizinho ao loteamento onde vivia Jorge Rios, preparador físico de Osorio. Depois de tratar seus problemas físicos em dois períodos no Nacional, ia para a casa de Rios para complementar os treinos e também para nadar um pouco. Afinal, em seu condomínio não havia piscinas. Os dois criaram forte laço e essa dedicação mostrada por Armani mudou os rumos de sua carreira.

Armani se tornou um dos maiores ídolos da história do Atlético Nacional, com 12 títulos

"Sempre foi uma pessoa introvertida. Nunca se expõe e é muito tranquilo. Aparece apenas pelo que trabalha, pelo que mostra em campo. Sua maior virtude está nos reflexos, é espetacular. A maior dificuldade era em jogar com os pés, algo importante para nós, mas melhorou muito e compensava com ótimo posicionamento", elogia Jorge Rios, que atendeu a reportagem do UOL Esporte antes de viajar com o México para a Rússia.

O sucesso no Atlético Nacional o elevou a ídolo da torcida e atraiu fãs também dentro do elenco. O atacante Jonathan Copete, por exemplo, viu seu filho ignorar sua posição em campo e passar a dizer que gostaria de ser goleiro. Sim, por causa de Armani! Havia espaço para mais: o técnico argentino José Pekerman, que comanda a Colômbia, chegou a consultar o goleiro para se naturalizar colombiano. 

Mas o que faltava para ser notado pela seleção argentina? Seus empresários passaram a procurar um novo clube. A visão era que Armani já havia "batido no teto" no Nacional. O primeiro alvo foi o São Paulo. O nome chegou a ser o favorito do então diretor-executivo de futebol Vinicius Pinotti. O Tricolor já havia sofrido com Armani na Copa Sul-Americana de 2014 e na Libertadores de 2016, vivia crise com seus goleiros e via os agentes se mostrarem dispostos a facilitar o negócio.

Gabriel Rossi/Getty Images
Caballeri, Guzmán e Armani são os goleiros da Argentina na Copa do Mundo da Rússia Imagem: Gabriel Rossi/Getty Images

A posição dos paulistas, de repente, mudou. O elenco já tinha seis atletas estrangeiros, o que deixava o ídolo Diego Lugano muitas vezes fora até do banco de reservas. Contratar um goleiro, que não poderia entrar no revezamento do banco, foi visto como um obstáculo e o São Paulo desistiu do negócio, que era estimado em 4 milhões de dólares. Seis meses depois, Lugano se aposentou, Jonathan Gómez foi emprestado, Lucas Pratto e Julio Buffarini foram vendidos e R$ 6 milhões foram investidos em Jean, que é reserva do criticado Sidão.

Armani seguiu até janeiro no Nacional. Foi quando a Argentina, depois de anos de esquecimento, resolveu olhar para o goleiro. Foi o River Plate, em crise no gol desde a saída de Marcelo Barovero, quem procurou seus empresários e rapidamente fechou a contratação por 3,7 milhões de dólares. Um grande investimento, que rapidamente traria resultados. Para as duas partes.

Buda Mendes/Getty Images
Pelo River Plate, Armani finalmente foi notado pela seleção argentina e chegou à Copa Imagem: Buda Mendes/Getty Images

Em menos de seis meses, Armani jogou 21 partidas pelo River - 13 vitórias, seis empates e duas derrotas - e sofreu apenas dez gols. No período, soma 13 jogos sem ser vazado. Encantou os torcedores com defesas impressionantes, incluindo clássicos contra Boca Juniors, que deu título na Supercopa da Argentina, e Racing. A quantidade de vitórias da equipe cresceu 30% desde sua chegada, enquanto a média de gols sofridos baixou em quase um gol por confronto.

Foi o suficiente para que a imprensa argentina, que o apelidou de "Polvo" por parecer ter mais braços para fazer as defesas, passasse a pressionar o técnico Jorge Sampaoli a convocar Armani. Capas de jornais e discussões em mesas redondas eram centralizadas no goleiro, principalmente depois da goleada por 6 a 1 sofrida para a Espanha em amistoso em março. Sampaoli demorou, mas cedeu. Justamente na convocação final para a Copa do Mundo. 

"Franco está há anos se destacando no cenário internacional, na Sul-Americana, na Libertadores. Mas para os argentinos, por muito tempo, estar na Colômbia era demérito. Tem sido o melhor do país há anos, junto com Nahuel Guzmán, que joga pelo Tigres, do México. Os outros (Caballero e Romero, que acabou cortado por lesão) pouco jogaram. Para Franco, ir para a Argentina fez toda diferença", ressalta o preparador físico Jorge Rios.

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