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À frente do Brasil mais ameaçado em 44 anos, Tite vive teste como gestor

Lucas Figueiredo/CBF
Tite conversa com elenco da seleção brasileira: momento exige atenção máxima Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo Almeida e Ricardo Perrone

Do UOL, em Moscou e Sochi (Rússia)

26/06/2018 21h00

Quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011.

Tite, como todo o Corinthians que ele treinava, desembarca sob escolta policial depois de uma histórica eliminação para o Tolima. Ao chegar no Centro de Treinamento do clube, vidros de carros dos atletas, e o dele, quebrados por torcedores. Na lista de problemas, risco de demissão, grupo fragilizado, aposentadoria de Ronaldo, negociação de Roberto Carlos e um dérbi com o Palmeiras, surpreendentemente vencido pelos corintianos para abrir um novo caminho de títulos. Vivida há sete anos, essa semana marca a carreira do treinador da seleção brasileira até hoje.

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Em sua situação mais perigosa em fase de grupos de uma Copa do Mundo desde 1974, o Brasil vai encarar a Sérvia em Moscou, nesta quarta-feira (15h de Brasília), com tensão que vem por todos os lados. À frente desse barco, porém, um treinador historicamente especialista em gerenciar ambientes e controlar crises – a palavra não parece caber sobre o momento da seleção, mas contempla o know-how de Tite para administrar a pressão para evitar um vexame. 

No caso do Brasil, há um dilema: administrar um time que tem sido criativo no ataque e seguro na defesa, conforme mostram os números (ver mais abaixo), mas somou quatro pontos. E, por isso, vai a campo no Spartak Stadium com a liderança do Grupo E, mas uma situação pouco comum em sua história nos Mundiais. Desde 1974, não chegava à terceira rodada da primeira fase em situação tão perigosa.

Naquela Copa, o Brasil somou só dois pontos nas duas primeiras rodadas [cada vitória, na época, só valia dois pontos], não tinha nenhum gol marcado e foi encarar o frágil time do Zaire. Venceu por 3 a 0 e se classificou. Em 78, a situação também era perigosa para o terceiro jogo: os brasileiros tinham os mesmos dois empates, mas pegaram uma já classificada Áustria. A vitória por 1 a 0 garantiu a passagem aos mata-matas. Em 2014, por último, a equipe de Luiz Felipe Scolari somava quatro pontos, mas encarava o eliminado Camarões no jogo derradeiro, que serviu de carimbo no passaporte para as oitavas. 

Desta vez, o risco está em um confronto direto com os sérvios por lugar na próxima fase, o que exige atenção de Tite para uma partida com margem pequena para erros. A Suíça, tal qual o Brasil, tem quatro pontos, um gol a menos no saldo e enfrenta a já eliminada Costa Rica com a missão de vencer e quem sabe golear. Os brasileiros dependem somente de suas próprias forças, mas em caso de derrota podem ter de voltar para casa como não ocorre desde 1966.

VI-Images via Getty Images
Brasil de Marinho Chagas correu risco de eliminação precoce na Copa de 1974 Imagem: VI-Images via Getty Images

O discurso para influenciar o ambiente de forma positiva

Na véspera do jogo, Tite mostrou um discurso de confiança com base em seu período com os atletas. “Estou há dois anos e pouco com essa equipe e quando acabou o segundo tempo com Costa Rica eu me orgulhei”, exaltou o treinador. As decisões para encarar os sérvios também foram frias, no sentido de não transmitir inseguranças. Até por isso, Willian foi mantido no time mesmo depois de duas apresentações ruins. Paulinho, que não vem bem, também.

“Eles têm condição de crescer como cresceu o [time no] segundo tempo, vai harmonizando e consolidando. Olha a trajetória de Willian e Paulinho, como foram decisivos”, declarou o treinador. “Sempre trabalhamos com desenho e ajustes, com valorizar todos atletas e sabemos o que temos na mão. Não podemos ficar trocando sempre”, acrescentou o auxiliar Cléber Xavier.

Na mesma entrevista, Tite deu outro sinal de como age sempre com um olho no desempenho e outro na gestão do grupo. O treinador reconheceu que a equipe teve problemas nos dois primeiros jogos, mas publicamente só tratou de erros coletivos. “O técnico não externa de forma pública”, disse.

Neymar, os cartões e os lesionados

AP Photo/Andre Penner
Imagem: AP Photo/Andre Penner

Nesse sentido, certamente, Tite precisou administrar a situação que envolve Neymar. O nível de cobrança por uma atuação de destaque na Copa fez com que o atacante desabasse em lágrimas após vitória sobre Costa Rica, fizesse comentários públicos contra os críticos e deixasse de novo, em campo, a impressão de que ainda tem que evoluir para alcançar seu melhor ritmo.

Publicamente, o atacante recebeu comentários compreensivos do técnico, que normalmente prefere ter jogadores frios mentalmente. Só que Neymar segue com dificuldades de cumprir algumas orientações de Tite, como tocar a bola mais rápida quando está fora do ataque e não reclamar com a arbitragem. A lista de pendurados, outro desafio para o treinador administrar, tem Casemiro, o próprio Neymar e ainda Coutinho, grande nome na Rússia até aqui. 

Embora a seleção demonstre harmonia entre os jogadores, a lista de problemas para Tite cuidar cresceu nos últimos dias. Como mostrou o UOL Esporte, as lesões de Danilo e Douglas Costa em dois dias seguidos geraram debates internos da comissão técnica sobre a carga de treinamentos. Assim, o período para trabalhar até o jogo com a Sérvia foi mais marcado por descanso que atividades. Quando teve tempo maior, na segunda, priorizou trabalho de bolas paradas ofensivas e defensivas. 

O que deixa Tite e a seleção confiantes

Apesar do risco claro e de alguns problemas a administrar, a seleção tem demonstrado confiança. Esse pensamento positivo está ligado ao bom desempenho ofensivo e defensivo, na avaliação de Tite. Os números são usados pelo treinador para justificar. Segundo dados da Fifa, o Brasil é o segundo time com mais finalizações, atrás apenas da Alemanha. Por outro lado, Alisson está entre os goleiros que menos trabalharam, com só uma defesa até aqui, além de um gol sofrido para a Suíça. 

Com a lição de quem já esteve em situações extremas anteriormente, Tite consegue sorrir diante da pressão. Busca a evolução de nomes como Willian, Paulinho e Neymar; de situações de jogo, como a bola parada ofensiva, que não representou perigo aos rivais da Copa até aqui; e trabalha para tornar o jogo brasileiro mais rápido. Tudo isso com a missão de manter um ambiente mais leve, com ajuda dos familiares dos atletas no dia a dia em Sochi, uma das estratégias para driblar a tensão que ele não quer em campo nesta quarta.

FICHA TÉCNICA

BRASIL X SÉRVIA

Data:
 27 de junho, quarta-feira
Local: Otkritie Arena, em Moscou (Rússia)
Horário: 15h (de Brasília)
Árbitro: Alireza Faghani (Irã)
Assistentes: Reza Sokhandan e Mohammed Mansouri (ambos iranianos)

BRASIL: Alisson; Fagner, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro; Willian, Paulinho, Philippe Coutinho e Neymar; Gabriel Jesus.
Treinador: Tite

SÉRVIA: Stojkovic; Rukavina, Ivanovic, Tosic e Kolarov; Matic e Milivojevic; Tadic, Milinkovic-Savic e Ljajic; Mitrovic. 
Treinador: Mladen Krstajic

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