Copa 2018

Brasil deixa de cumprir mandamentos de Tite e sofre para engrenar na Rússia

Pedro Martins / MoWA Press
Tite gesticula durante treino da seleção brasileira Imagem: Pedro Martins / MoWA Press

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo Almeida e Ricardo Perrone

27/06/2018 04h00

Neymar se envolve num bate-boca com o juiz Bjorn Kuipers no jogo com a Costa Rica ao pedir a marcação de uma falta. O árbitro holandês faz com as mãos um gesto pelo qual parece dizer que o brasileiro "fala muito". A cena, na segunda rodada da Copa do Mundo, revela um dos mandamentos de Tite que a seleção brasileira ainda não cumpriu na Rússia: não reclamar da arbitragem. Nesta quarta (27), diante da Sérvia, às 15h de Brasília, em Moscou, no último jogo da primeira fase, os jogadores têm a chance de enfim seguirem essa e outras regras do treinador. São ordens como aproveitar os lances de bola parada para fazer gols, não bobear nas mesmas jogadas a favor dos adversários, marcar os rivais sob pressão para desarmá-los e manter a posse de bola até encontrar espaços para agredir o oponente. Tudo para que a seleção finalmente engrene. 

- Como foi a primeira vitória da seleção brasileira na Copa da Rússia
- Brasil decide vaga nas oitavas contra a Sérvia: veja a tabela da Copa
-  
Simule os classificados e o mata-mata do Mundial

Antes do entrevero entre o atacante do PSG e o juiz holandês, Tite disse, depois do empate com a Suíça na estreia, que a seleção não tem de pressionar os árbitros. “Não posso trazer uma equipe desequilibrada, que fica pensando na arbitragem”, afirmou ele.

Como o mandamento não foi seguido, ainda durante o jogo diante dos costa-riquenhos, em São Petersburgo, o treinador subiu o tom de voz pelo menos duas vezes para cobrar calma do camisa 10. A situação aumenta a pressão sobre o astro contra a Sérvia. Além de reagir a um mau jogo na rodada anterior, ele também precisa obedecer o técnico em relação a seu relacionamento com os árbitros. E isso em um jogo que tem tudo para ser tenso, já que o Brasil ainda busca a vaga nas oitavas de final - um empate faz os pentacampeões avançarem, e a eventual derrota faz a seleção nacional depender de vitória da Costa Rica sobre a Suíça para tentar a classificação no saldo de gols.

Neymar já tem um cartão amarelo na competição. Como duas advertências provocam suspensão, ele, Philippe Coutinho e Casemiro disputarão a partida pendurados. Dois cartões em três jogos não é uma marca cômoda para Tite. O treinador costuma montar equipes altamente disciplinadas e se vangloria disso.

Marcação por pressão

Ainda na estreia no Mundial, Tite demonstrou não estar satisfeito com o resultado referente a outra ordem sua, a de marcar sobre pressão. À beira do gramado, ele se contorcia e esticava braços e mãos para pedir sufoco nos rivais, especialmente nas saídas de bola dos suíços.

As estatísticas, porém, mostram que a seleção não atingiu a eficiência esperada pelo técnico nesse quesito. Dez das 32 seleções desarmam mais do que o Brasil em média no Mundial, de acordo com números do site “Footstats”. A marca da seleção brasileira é de 14 desarmes certos por partida, em média. A Sérvia, adversária do time nacional lidera nesse quesito ao lado da Suíça, com 18,5 desarmes por partida para cada uma.

Perda de bola

Para atingir a excelência nesse ponto, Tite insiste em treinamentos com espaço reduzido nos quais os jogadores têm de roubar a bola dos colegas e ao mesmo tempo sofrem para manter a posse numa simulação da marcação sob pressão que costumam encarar.

O treinador quer que sua equipe mantenha a posse de bola com muitas trocas de passes para fugir da pressão dos rivais. Nesse ponto, um dos mandamentos tem sido cumprido. A seleção brasileira ostenta o segundo melhor índice de passes certos em média por jogo: 94,8%. Está atrás só da Espanha (95%).

“Quanto mais trocar passes melhor fica o trabalho”, disse o técnico num dos treinos em Londres. O problema é que o número de perda de posse de bola é alto. A média brasileira é a mais alta da Copa: 41 perdas por jogo. Esse dado representa um descumprimento grave à cartilha de Tite.

Outro mantra da comissão técnica: a jogada de bola parada é um dos principais trunfos para se decidir uma partida atualmente. Mas essa lição parece ainda não ter sido assimilada pelos pupilos de Tite. Na estreia, a Suíça chegou ao empate a partir de um escanteio. A difculdade é antiga. Sob o comando do atual treinador, o Brasil levou apenas seis gols. Cinco foram a partir de bola parada (incluindo um em cobrança de pênalti). E dos três gols marcados pelo Brasil até agora na Copa nenhum foi no tipo de lance exaltado por Tite. 

Chances para marcar em escanteios sobraram. A seleção brasileira possui a melhor média desse tipo de jogada a favor: 8,5 por jogo. O time também não alcançou o nível de atenção cobrado nos escanteios a favor dos adversários. Ninguém sofreu tão poucos tiros de canto como os pentacampeões. Foram apenas três em dois jogos. Num deles nasceu o único gol sofrido até agora na Copa.

Mas há também encomendas do técnico entregues pelos jogadores, além do grande número de passes. Um deles é o esforço para evitar finalizações dos rivais. De acordo com o site da Fifa, Alisson fez apenas uma defesa até aqui. Sinal de que o mandamento "diminuir para não deixar chutar" tem sido seguido.

Antes do encerramento dos jogos desta terça pela segunda rodada, o Brasil aparecia no ranking da Fifa de chances criadas em segundo lugar com 42, atrás apenas da Alemanha (47).

Tite até exalta as missões que seus atletas conseguem cumprir. "Estou há dois anos e pouco com essa equipe, e, quando acabou o segundo tempo, me orgulhei. Normalmente chega 30 do segundo ou antes, bate desespero, quebra o padrão, e fica mais longe de vencer. Quando ela (equipe) se manteve, meu íntimo era ‘vamos fazer, não é possível’. Ela me orgulhou muito", disse o treinador. Ele se referia aos gols nos acréscimos marcados na vitória sobre a Costa Rica.

FICHA TÉCNICA

BRASIL X SÉRVIA

Data:
 27 de junho, quarta-feira
Local: Otkritie Arena, em Moscou (Rússia)
Horário: 15h (de Brasília)
Árbitro: Alireza Faghani (Irã)
Assistentes: Reza Sokhandan e Mohammed Mansouri (ambos iranianos)

BRASIL: Alisson; Fagner, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro; Willian, Paulinho, Philippe Coutinho e Neymar; Gabriel Jesus.
Treinador: Tite

SÉRVIA: Stojkovic; Ivanovic, Milenkovic, Tosic e Kolarov; Matic e Milivojevic; Tadic, Milinkovic-Savic e Kostic; Mitrovic. 
Treinador: Mladen Krstajic

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está fechada

Não é possivel enviar comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Mais Copa 2018

Topo