Inglaterra

Experiências até na 5ª divisão modelaram seleção da Inglaterra até a Copa

Divulgação/Leyton Orient
A estrela Harry Kane passou pelo Leyton Orient, então na Terceira Divisão inglesa, quando tinha 18 anos Imagem: Divulgação/Leyton Orient

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

27/06/2018 21h00

As vitórias por 2 a 1 sobre a Tunísia e 6 a 1 diante do Panamá colocaram a seleção inglesa em evidência na Copa do Mundo da Rússia. Nesta quinta-feira, às 15h, a equipe enfrenta a Bélgica pela liderança do Grupo G e pela afirmação de uma geração renovada de jogadores. Um dos aspectos que modelou a Inglaterra até o Mundial foi uma política de empréstimos de jovens atletas a clubes modestos, até mesmo da Quinta Divisão, para que eles adquirissem experiências diferentes do convencional e ritmo de jogo. 

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De acordo com levantamento do UOL Esporte, 16 jogadores dos 23 convocados por Gareth Southgate para a Copa do Mundo já passaram por empréstimos depois de se tornarem profissionais. No Brasil a realidade é bem diferente: Philippe Coutinho, da Inter de Milão ao Espanyol, e Casemiro, do Real Madrid ao Porto, são os poucos exemplos de empréstimos para ganhar experiência no grupo de Tite, assim como Thiago Silva (dÍnamo de Moscou), Geromel (Mallorca e Grêmio) e Douglas Costa (Juventus). São 16 da Inglaterra contra cinco do Brasil, o que pode ser explicado por uma série de fatores.

Em boa parte dos cenários, jogadores brasileiros têm ascensões meteóricas: saem do Brasil em alta e chegam na Europa jogando, como são os casos de Alisson, Danilo, Marquinhos, Miranda, Marcelo, Neymar e Gabriel Jesus. Também há os que rodam até se firmarem, como Paulinho, Renato Augusto, Fernandinho e Willian, ou aqueles que saem do país antes de se consagrarem de vez, a exemplo de Filipe Luis, Ederson e Firmino. 

Johannes Eisele/AFP
Pickfoord é o quarto goleiro mais caro do mundo e passou por seis empréstimos antes de triunfar Imagem: Johannes Eisele/AFP

Na Inglaterra a situação é diferente. Em razão da força e prosperidade econômica da Premier League, os clubes são mais poderosos, investem mais em contratações e dão menos espaço para os garotos. Mesmo sem chances logo de cara, os jovens jogadores não ficam largados: são emprestados a clubes geralmente de menor expressão, reaproveitados e desenvolvidos graças aos minutos jogados em outros lugares. O processo é cultural do futebol inglês e passa por jogadores de todas as posições.

O goleiro Pickford começou no Sunderland e foi emprestado a seis clubes diferentes antes de ser comprado pelo Everton por 25 milhões de libras, em 2017. Entre 17 e 21 anos de idade, o atual goleiro titular da seleção inglesa defendeu Darlington (5ª Divisão), Alfreton Town (5ª Divisão), Burton Albion (4ª Divisão), Carlisle United (3ª Divisão), Bradford City (3ª Divisão) e Preston North End (2ª Divisão). 

Antes de se destacar no Tottenham e ser vendido ao Manchester City, Walker defendeu Northampton Town (3ª Divisão), Sheffield United e Queens-Park Rangers (2ª Divisão), enquanto Lingard foi cedido pelo Manchester United a Leicester, Birmingham, Brighton e Derby County (2ª Divisão).

Nem a estrela Harry Kane escapou desse processo. Formado pelo Tottenham, ele foi emprestado a quatro clubes antes de se firmar de vez como profissional. Ele esteve no Leyton Orient, da 3ª Divisão, Millwall e Leicester, da 2ª Divisão, e no Norwich City, da elite do Campeonato Inglês. As experiências nestes empréstimos ajudaram a moldar o jogador que hoje é referência técnica e capitão da Inglaterra, além de artilheiro da Copa do Mundo aos 24 anos, com cinco gols marcados.

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