Alemanha

Planejamento alemão fracassa e Low 'morre abraçado' com geração do 7 a 1

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Imagem: AP

Marcel Rizzo

Do UOL, em Kazan (Rússia)

27/06/2018 21h00

A ideia parecia boa: juntar atletas campeões do mundo em 2014 ("a turma do 7 a 1" contra o Brasil) com os mais jovens que brilharam em torneios recentes, como a Olimpíada de 2016, no Rio, e a Copa das Confederações de 2017. Parecia boa, mas o técnico Joachim  Low pode ter se apegado demais aos mais velhos.

Dez entre dez membros da comissão técnica da Alemanha, precocemente eliminada da Copa do Mundo da Rússia, negaram haver problema entre os campeões do mundo, como Neuer, Muller e Ozil, e atletas mais novos como Brandt, Goretzka e Werner. Mas Draxler, um meio termo entre esses grupos porque já estava na Copa de 2014 e na Copa das Confederações de 2017, admitiu: "o clima não era o mesmo de 2014".

Na Copa das Confederações de 2017, a Alemanha optou por um time recheado de jovens, com apenas três campeões mundiais em 2014: Ginter, Mustafi e ele, Draxler. O time sobrou, foi campeão e fez com que Low, acertadamente, optasse pela mescla para a Copa da Rússia. O problema foi a execução da ideia.

Os mais experientes acabaram tendo prevalência em um primeiro momento, mesmo sem corresponder. Por exemplo: Low esperou a recuperação do goleiro Neuer, que machucou o pé em setembro de 2017, e irritou Ter Stegen, que vinha jogando.

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Imagem: Getty Images

Na estreia, contra o México, estava claro que a renovação ficara para trás: dos 11 titulares, oito dos nove convocados eram campeões do mundo. Jogadores que vinham muito bem na fase de preparação, como Brandt e Goretzka, ficaram fora. O problema é que esses atletas mais experientes pareciam não muito a fim de jogar bola.

Ozil e Muller, principalmente. O primeiro jogou a estreia, ficou fora do confronto contra a Suécia, quando a Alemanha pareceu ressuscitar e venceu por 2 a 1, e retornou, inexplicavelmente, contra os sul-coreanos. Na derrota por 2 a 0 que selou o destino alemão. Muller fez as duas primeiras partidas, jogou mal, e acabou no banco no vexame. Entrou no segundo tempo e só deu passes de lado.

"Chocado não, estou frustrado. Temos que avaliar o que aconteceu", disse o diretor de seleções, o ex-centroavante Oliver Bierhoff. O desastre alemão lembra, um pouco, o que ocorreu com a seleção brasileira entre 2005 e 2006 e mostra que é preciso um projeto amarrado para trocar a guarda de gerações.

Com o comando de Carlos Alberto Parreira, o Brasil levou à Copa das Confederações em 2005 com novos talentos, como Cicinho, Adriano e Robinho, e no ano seguinte, na Alemanha, retornaram ao time titlar atletas do penta de 2002, como Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo, e o time acabou parando nas quartas de final.

AP Photo/Thanassis Stavrakis
Imagem: AP Photo/Thanassis Stavrakis

"Não acho que sejam tempos sombrios para o futebol alemão. Somos o time mais constante em termos de performance. Nos últimos 12 anos, sempre estivemos entre os quatro primeiros. Claro que a eliminação gera uma decepção, mas temos jovens jogadores muito talentosos. Isso já aconteceu com outros países antes. Só temos que tirar as conclusões certas e jogar melhor daqui para frente", disse Low, que já tem contrato até a Copa de 2022, no Qatar.

A Alemanha teve um período de baixa depois do último título europeu em 1996 e nos fracassos na Copa de 98 e na Euro-2000, sendo o único bom momento o vice mundial de 2002, apesar da sensação de que o futebol ainda seguia em declínio. Low foi peça importante no projeto de reconstrução do projeto de qualidade em centros de treinamentos para garotos espalhados pela Alemanha e este começou a surtir efeito em 2006, quando atuando como assistente de Klinsmann, a seleção brilhou em casa com uma nova geração e chegou às semifinais, revelando nomes como Podolski e Schweinsteiger.

Em 2010, muitos desses jovens, como Muller (à época, com 20), Kroos (21), Boateng (21), Ozil (21) e Neuer (24), se juntaram à parte da geração de 2006 formaram um time extremamente jovem que chegou até a semifinal e que fez muitas pessoas apostarem, acertadamente, que seriam campeões em 2014. A diferença daquele time de oito anos atrás foi que o mesmo Joachim  Low apostou quase 100% na renovação. Pouca mescla, que deu certo quatro anos depois.

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