Senegal

"Ser negão no Senegal": Chico César torce por última esperança africana

Eric Vecchione/Divulgação
Imagem: Eric Vecchione/Divulgação

Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

27/06/2018 21h00

A seleção de Senegal é a única do continente africano que ainda tem chances de classificação no último dia da primeira fase da Copa do Mundo da Rússia. A equipe enfrenta a Colômbia nesta quinta-feira, às 11h, e se garante nas oitavas de final em caso de empate. Comandado pelo único treinador negro do Mundial, Aliou Cissé, Senegal entrou na competição como representante africano de maior potencial para unir o continente e despertou atenção além das fronteiras. No Brasil, um famoso cantor e compositor paraibano declarou torcida para os africanos na Copa: Chico César.

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Durante o empate por 2 a 2 entre Senegal e Japão, Chico César publicou mensagens de apoio aos africanos a cada gol marcado. Antes do jogo decisivo contra a Colômbia, o artista conversou com o UOL Esporte sobre os motivos dessa torcida inusitada, que vão muito além do verso "Deve ser legal ser negão em Senegal" presente em seu maior sucesso, "Mama África".

"Eu quero que Senegal passe de fase. Se ficar pelo caminho é normal, veja que até a Alemanha caiu, mas torço que Senegal vá longe e siga cumprindo um papel que já cumpre, de ser componente da diversidade humana. Somos parte de uma coisa só. Independentemente de Fifa, dos homens brancos de paletó que comandam o negócio, existe a humanidade e nela cabem todos. Cabem os africanos, os latinos, os amarelos, veja só a Coreia do Sul vencendo os alemães. Do ponto de vista da geopolítica do afeto uma classificação senegalesa seria muito significativa para a humanidade se perceber e se repensar", reflete o cantor e compositor.

Em "Mama África", música lançada em 1995, Chico César discute a realidade da mulher negra enquanto alegoriza a questão do tráfico negreiro e da exploração do trabalho e ainda mostra a hipocrisia da aceitação do negro, especialmente no verso que cita Senegal: "Deve ser legal ser negão no Senegal", diz a canção, citando um país africano de maioria negra em que os negros encontram maiores condições de afirmação e, de certa forma, levando quem escuta a concluir que no Brasil não é legal ser negro.

"O momento da entonação desses versos torna-se o ápice da canção, pois a percussão toma conta da canção (...) Além de uma irreverência estética, esse verso possui irreverência no sentido da significação discursiva", diz a pesquisadora Kywza Joanna Fideles Pereira dos Santos em "A poética africanista e a enunciação da negritude nas canções de Chico César".

"Eu acho que para nós, negros brasileiros, a presença de times africanos traz uma alegria para além da nossa própria seleção e das seleções da América Latina, como México e Colômbia. A presença retinta da África nos dá alegria", conta Chico César, que é torcedor do Botafogo e apaixonado por futebol.

Emmanuel Dunand/AFP
Seleção senegalesa tem o hábito de dançar em grupo após os treinamentos na Rússia Imagem: Emmanuel Dunand/AFP

"Torço pelo Botafogo por causa do Jairzinho e aquele time do começo dos anos 70, quando eu era bem garoto. Não vejo sempre, faz tempo que não vou ao estádio, por exemplo, mas acompanho. Tem aqueles momentos chave. Quando seu time embala ou quando ele cai de divisão, como aconteceu com o Botafogo. Ali você passa a assistir mais os jogos porque vê os times que jogam com menos dinheiro e jogando mais o futebol que lhe fez gostar de futebol, o futebol desprendido do negócio. Em época de Copa essa paixão também aflora, mesmo quem não gosta tanto de futebol, mas também o interesse multicultural e de comportamento das torcidas", diz o artista brasileiro, que ficou surpreso pelo fato de os jogadores da Islândia não se parecerem fisicamente com a cantora Bjork.

Com torcida ilustre no Brasil, Senegal tem 4 pontos no Grupo H da Copa do Mundo, mesmo número do Japão, um a mais em relação à Colômbia e bem à frente da zerada Polônia. Se vencer ou empatar com a Colômbia, Senegal passa. Se for derrotada, precisa torcer para os europeus vencerem os asiáticos com larga vantagem de saldo de gols.

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