Copa 2018

Para torcida, avanço com antijogo choca e marca fim da ingenuidade japonesa

Toru Hanai/Reuters
Akira Nishino durante a derrota do Japão para a Polônia Imagem: Toru Hanai/Reuters

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

28/06/2018 20h00

Causou polêmica a decisão da seleção japonesa de abdicar do ataque nos últimos minutos da derrota por 1 a 0 para a Polônia, confiando no novo regulamento da Copa do Mundo. Mesmo perdendo e sob intensas vaias, os japoneses tocaram de lado em seu campo de jogo e, ao fim da partida, se tornaram os únicos asiáticos nas oitavas da Copa por causa da derrota do Senegal para a Colômbia. Empatado em todos os critérios com Senegal, o Japão avançou e por ter menos cartões amarelos.

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Para a torcida de japoneses e descendentes que se reuniram no Brasil para ver a partida, a atitude antidesportiva, apoiada no regulamento, foi um marco no esporte japonês, na medida em que se chocou com o tradicional senso de honra e coragem que forma a identidade nacional. Por outro lado, os torcedores viram o momento como o fim da “era da ingenuidade” no futebol nipônico.

“O time é apelidado de ‘Samurai Blue’, e foi como se o samurai estivesse com medo da batalha”, afirmou Cláudio Kurita, diretor da Japan House, uma instituição ligada ao governo japonês. “Mas ao mesmo tempo é um jogo, e o Japão também tem aprendido ao longo dos anos, com os europeus, com os sul-americanos... O Japão aprendeu o ‘jeitinho’ e por essa razão passou às oitavas.”

Durante muito tempo, a seleção japonesa foi vista no Ocidente como um poço de correria e ingenuidade, capaz de jogar da mesma forma com a partida em 0 a 0 ou sofrendo uma goleada humilhante.

Divulgação/Japan House
Torcedores do Japão se veem Japão x Polônia na Japan House, em São Paulo Imagem: Divulgação/Japan House

Com muitos de seus jogadores com experiência internacional, o Japão atual parece ter mudado. “Talvez se acontecesse ao contrário, se tivessem atacado, tomassem o gol e fossem desclassificados, as pessoas estariam agora criticando, chamando de inocente, ingênuo”, disse Kurita. “Chegou o momento que o Japão aprendeu a jogar com o regulamento debaixo do braço.”

Em entrevista depois da partida, o treinador Akira Nishino admitiu desconforto com a decisão de abdicar do ataque e confiar na derrota do Senegal. “Não estamos felizes com isso, mas em uma Copa essas coisas acontecem”, disse ele. A atitude foi criticada na imprensa internacional, a ponto de o jornal “L’Equipe” escrever que o Japão se classificou “sem honra”.

“Isso é um fardo que o futebol japonês tem que carregar”, analisou Eduardo Goo Nakashima, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social. “O final do jogo foi extremamente vergonhoso. É um povo dedicado, empenhado, honesto. Ficar enrolando pra terminar o jogo é meio incoerente. Independentemente do resultado você tem que tentar ganhar, tem que ir para cima. Se estiver ganhando, tentar ganhar mais, se estiver perdendo tentar empatar.”

Com experiência de quatro décadas acompanhando o esporte japonês e tendo jogado futebol tanto no Brasil quanto lá, Nakashima não lembra de um episódio semelhante no país. “Acho que algo assim nunca aconteceu, por isso é bastante chocante. O atleta japonês, mesmo quando é inferior, costuma atacar e se empenhar até o fim, independente do resultado.”

Apesar do choque, a torcida japonesa parece ter se aliviado com a passagem às oitavas. “Não vejo esse resultado como um demérito”, afirmou Kurita. “A seleção fez dois bons jogos contra a Colômbia e Senegal, e perdeu para a Polônia. Acabou beneficiada por ter tido mais fair play e recebido menos cartões amarelos. A torcida em geral está satisfeita e sonhando com um jogo contra o Brasil.”

O Japão vai enfrentar a Bélgica nas oitavas e enfrentaria o Brasil em eventuais quartas de final.

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