Copa 2018

Torcidas veem Panamá e Tunísia como formatura. Último dia para fazer festa

Felipe Pereira

Do UOL, em Saransk (Rússia)

28/06/2018 04h00

Os torcedores do Panamá são poucos e os da Tunísia menos ainda em Saransk, cidade onde as duas seleções fazem a partida de despedida da Copa nesta sexta-feira, às 15h (de Brasília). Entram em campo eliminadas, sem nenhum ponto e jogam na menor cidade-sede da Copa. Mas os torcedores não estão nem aí.

Os panamenhos vivem o futebol de forma amadora. Não no sentido depreciativo. É no sentido de amar o esporte, de chorar ao ouvir o hino e ter jogadores que se importam mais com sua seleção do que o clube. Agora eles estão em Saransk.

Ela é dessas cidades que têm praça na frente da igreja matriz e outra praça com uma fonte. Tudo fecha até a meia-noite. Mas nestes dois locais há concentração de torcedores das duas seleções que se recusam a ir para os hotéis. Estar na Copa para eles era um sonho que precisa ser aproveitado com toda intensidade. Eles não sabem quando pode se repetir. Aliás, alguns temem que jamais se repita.

Por este motivo que a sexta-feira é uma espécie de formatura: a última oportunidade de fazer festa. Os torcedores estão equipados de uma energia e alegria juvenis. Também carregam um orgulho de suas seleções.

Felipe Pereira
Imagem: Felipe Pereira

Dizem que a expectativa é a mãe da decepção. Como não esperavam nada além de três derrotas, os panamenhos são só felicidade. Joaquim Pizón considera o país exemplo para o mundo. “Não é todo mundo que tem grandes seleções. Alguns jogam com outros objetivos e o Panamá é o maior exemplo. Viemos para participar da festa do futebol, desfrutar da Copa do Mundo”.

A diferença de expectativa fica evidente quando ele que o único gol marcado por Baloy na goleada por 6 a 1 sofrida para a Inglaterra foi o grande momento do Mundial. “Coisas que para vocês brasileiros são comuns, para nós são grandes. Como o gol. Na hora eu chorei. Chorei de emoção e de orgulho. Foi como se apagassem os seis gols da Inglaterra”.

O país estreou em Copa e marcava pela primeira vez. Joaquim sonha que nesta sexta venha o primeiro ponto.

Tristeza que durou nada

Aymen Bem Achour saiu cabisbaixo do estádio no jogo contra a Inglaterra. A Tunísia endureceu o jogo e perdeu por 2 a 1 com um gol no finalzinho. Estar próximo e ser derrotada doeu. “Saí triste porque jogamos bem e merecíamos este empate. Mas logo a tristeza passou. Temos um grupo difícil e não vim esperando classificação”.

Felipe Pereira
Imagem: Felipe Pereira

A realidade da Tunísia é outra, explica Aymen. Ele diz que a única vitória em Copas foi em 1978. O torcedor acredita que poderá estar no estádio na segunda. Mas se não acontecer, vai estar feliz igual. Viver a Copa foi um experiência para a vida, sorri ao falar.

A alegria dos torcedores não é algo comum numa cidade que tem a maioria das pessoas vivendo em prédios do tempo da União Soviética. Georgiy Elf tem 20 anos e entra em férias nesta sexta-feira. Estava tão feliz com os torcedores nas praças que fez festa com eles. Como pular dá calor, foi se refrescar na fonte da praça. Os dois amigos nem precisaram ser convidados. Saíram correndo para ver quem chegava primeiro.

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