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"Rainha da Inglaterra", coronel Nunes vive luxo na Rússia e aceita se calar

YASUYOSHI CHIBA/AFP
Presidente da CBF, Coronel Nunes foi colocado de lado na Rússia por conta do acúmulo de gafes Imagem: YASUYOSHI CHIBA/AFP

Danilo Lavieri, Dassler Marques, Jorão Henrique Marques, Pedro Ivo Almeida, Ricardo Perrone

Do UOL, em Moscou e Sochi

29/06/2018 04h00

São 15h30 em Moscou. Em cinco horas e meia a seleção brasileira decidirá se segue ou não na Copa do Mundo diante da Sérvia. Longe da tensão vivida pelos comandados de Tite, no Radisson Royal Hotel, um dos mais luxuosos da cidade, o presidente da CBF, coronel Antônio Carlos Nunes, faz uma refeição enquanto conversa amenidades com membros da sua trupe.

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Pouco se fala de futebol. Não há sinal de nervosismo e nem de envolvimento com bastidores da partida. A cena contrasta com o ritual de seus antecessores em Mundiais. Ricardo Teixeira ficava mergulhado nas atividades da Fifa. De longe, se informava com funcionários da CBF grudados na comissão técnica sobre os passos do time.

Em 2014, pelo fato de a Copa ser no Brasil, a dupla José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, hoje um condenado à prisão nos Estados Unidos e outro banido do futebol pela Fifa, tinham um pré-jogo mais agitado. Se movimentavam pelos hotéis da Fifa com assessores, faziam pequenas reuniões em público e eram informados por um secretário da distribuição de ingressos da entidade.

Nada disso costuma acontecer com o presidente atual em sua passagem pela Rússia. “Coronel, agora descanse uma hora no quarto. Depois vamos para o jogo”, disse Jorge Pagura, membro do Conselho Antidoping e presidente da Comissão Nacional de Médicos da CBF depois de o dirigente se alimentar.

Ele cuida diariamente da saúde do presidente, que em 2017 passou mal no voo de volta após jogo da seleção contra a Austrália. O cartola ficou quase dois meses internado e até hoje sofre com sequelas deixadas pelo episódio.

“O coronel não vai a muitos compromissos. Ele precisa descansar, são muitos dias fora de casa, isso gera um desgaste. Ele passeia um pouco, descansa e cumpre alguns compromissos”, disse Pagura, confirmando a rotina do presidente da CBF, longe da linha de frente do futebol brasileiro em plena Copa do Mundo.

Segundo o médico, o cartola está bem de saúde. Ele também explica porque Nunes tem evitado se aproximar da seleção brasileira. “Combinamos que o melhor é ficar longe para não misturar política com a seleção”, disse ele.

O presidente da CBF esteve uma vez na base do time de Tite em Sochi para foto oficial com a delegação. Na ocasião, cometeu gafes conversando com jornalistas e, na volta para Moscou, abriu uma crise com a Conmebol por votar no Marrocos como sede da Copa de 2026, contrariando acordo dos sul-americanos para apoiar a candidatura tripla de México, Canadá e Estados Unidos, que saiu vencedora

Depois, em São Petersburgo, ele voltou ao noticiário porque Gilberto Barbosa, seu assessor, quebrou um copo na cabeça do paraense Alexandre Nazareno. “Já fui orientado a não falar. Só quero pensar na Sérvia”, disse o dirigente antes da última partida pela fase de grupos ao ser indagado pelo UOL Esporte sobre o motivo da briga e se tinha algum problema anterior com Nazareno, já que ambos são do mesmo Estado. Em seguida, ao ouvir o pedido para esclarecer se foi orientado a não comentar apenas sobre a confusão ou a respeito de todos os assuntos envolvendo a CBF, ele apenas riu e, com a ajuda de uma bengala, entrou no elevador, depois de se despedir da reportagem.

Antes, porém, ele havia sentenciado: “O Brasil vai ganhar da Sérvia, mas não vai ser fácil. E o Coutinho vai ser o melhor jogador da Copa”.

Desde que Giba, como é conhecido seu assessor, brigou e foi mandado de volta ao Brasil, o coronel é acompanhado mais de perto por um misterioso personagem que há anos está em volta da CBF: um maranhense conhecido como Bacará. Ele é antigo amigo de Fernando Sarney, vice-presidente da confederação.

Bacará, por tudo que cerca o presidente da CBF, tem precisado acompanhar pouco o coronel em eventos da Fifa. Para evitar ainda mais transtornos, o dirigente brasileiro é mantido a uma certa distância da cúpula da entidade. Perto dele, além de Bacará e Pagura, também ficam familiares e Walter Feldman, secretário geral da CBF. Um dos poucos compromissos recentes do coronel na Rússia foi participar de uma reunião na casa montada pela Conmebol em Moscou com dirigentes de federações e clubes brasileiros.

Os passeios pela cidade também são poucos. A maior parte do tempo é gasta no refinado hotel, que oferece passeio de barco pelo principal rio de Moscou para conhecer pontos turísticos, piscina olímpica coberta e sete restaurantes. Entre as opções estão comida chinesa e iraniana. No lobby, chama a atenção uma suntuosa maquete de Moscou.

Indagado se quem paga as despesas do coronel na Rússia é a CBF ou a Fifa, o departamento de comunicação da confederação não foi preciso. Disse acreditar que na primeira fase as despesas foram bancadas pela confederação nacional.

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