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Brasil em Kazan? Imitava galinha para poder comer frango, relembra Aloísio

O atacante Aloísio Chulapa, ex-São Paulo, atuou pelo Rubin Kazan - Fernando Santos/Folha Imagem
O atacante Aloísio Chulapa, ex-São Paulo, atuou pelo Rubin Kazan Imagem: Fernando Santos/Folha Imagem

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo Almeida e Ricardo Perrone

Do UOL, em Kazan (Rússia)

05/07/2018 04h00

A seleção chega a Kazan nesta quinta-feira (5) para finalizar a preparação de olho no duelo decisivo da próxima sexta (6), contra a Bélgica, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Muito antes do time de Tite, outros brasileiros chegaram bem antes à capital da República do Tartaristão, na Rússia. E se não tiveram partidas tão importantes de uma equipe então modesta, ao menos acumularam histórias curiosas na região entre 2003 e 2005.

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Dois dos primeiros brasileiros a defenderem as cores do Rubin Kazan, os atacantes Aloísio Chulapa e Roni lembram com carinho os anos no país e se divertem ao contar alguns ca(u)sos vividos à época.

“Rapaz, eu lembro que gostei muito de lá, tenho um grande carinho pela equipe, mas como passei aperto...Meu Deus”, disse o irreverente Chulapa.

Noite em hospício russo

“Logo quando desembarquei, passei a primeira noite em um hospício. Eu não tinha tradutor no aeroporto, e então me levaram para um lugar que eu jurava ser um hotel. Andei, andei, não chegava o quarto, mas arranjei um lugar. Fui na recepção e vi um povo todo de branco, não entendi nada. A cama era pequena, estranha, comecei a ouvir uns gritos. No dia seguinte, o tradutor chegou. Chamei ele e disse que não estava entendendo. Pronto, ele começou a rir de mim e disse que eu estava em um hospício. Eu fiquei maluco. Já queria ir embora da Rússia. Mas depois me arranjaram um apartamento”, recordou Aloísio.

Nem tudo, porém, parecia problema para o atacante com passagens por São Paulo, Goiás, Paris Saint-Germain e Flamengo. Fã assumido de uma boa cerveja, Chulapa garante que poucas vezes tomou seu “danone” – como gosta de chamar a bebida – tão gelada quando na época russa.

“O frio era uma coisa de louco. Cheguei a pegar 17 graus negativos em Kazan. Complicado mesmo. Mas era uma maravilha para o ‘danone’. Eu abria a porta, colocava a cerveja na varanda e em cinco minutos já estava daquele jeito, geladinha. Coisa linda mesmo”, brincou.

Chulapa imitava galinha para pedir comida

A alimentação foi um ponto delicado para o jogador na época. Companheiro em campo e um dos grandes auxiliares de Aloísio nas dificuldades com a nova cultura, o também atacante Roni recordou as peripécias da dupla diante da língua local, especialmente na hora de pedir uma comida nos restaurantes de Kazan.

“O Chulapa tem aquele jeito dele, não tem vergonha mesmo. Então chegávamos nos lugares e ele começava a imitar uma galinha para mostrar que queria frango. Se tivesse com vontade de carne, tentava imitar um boi, fazer um chifre na cabeça. Era demais [risos]. No mercado, queria muito comprar cerveja, mas às vezes errava e pegava umas sem álcool”.

Problemas em campo

O atacante Roni, ex-Fluminense, atuou com Aloísio na Rússia - Photocamera
O atacante Roni, ex-Fluminense, atuou com Aloísio na Rússia
Imagem: Photocamera

A delicada relação entre Aloísio e o idioma russo não era um entrave apenas na vida social em Kazan. Dentro de campo, o folclórico jogador também sofreu. “Eu já sou ruim de falar português, imagina russo”, brincou Chulapa.

“Certa vez, o técnico chamou ele [Aloísio] no jogo e começou a cobrá-lo, ele não entendia. Reclamava de um posicionamento em um escanteio. Era para ele marcar na primeira trave e ele só ficava na segunda. Errou tudo. Não entendia nem o que o tradutor falava. Era difícil mesmo”, recordou Roni.

O tradutor em questão era um equatoriano, Yuri. “Ele enrolava um portunhol lá. A gente compreendia, mas o Aloísio não conseguia”. O Rubin Kazan ainda contava com um jogador uruguaio, um paraguaio, um argentino e outro costa-riquenho.

Roni ainda recordou a diferença na estrutura do time e falou das mudanças na cidade que receberá a seleção nesta semana. “Lá em 2003 tínhamos um shopping só, poucos lugares, um restaurante ou outro. Os apartamentos eram antigos. Bem diferente do que estamos vendo agora na Copa”.

O pequeno estádio do time que ascendeu à primeira divisão em 2002 deu lugar à moderna arena de custo superior a R$ 1 bilhão e capacidade para 45 mil espectadores. É lá que o Brasil encara a Bélgica na sexta, em busca de uma vaga na semifinal do Mundial.

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